Vodca corre risco de perder mercado global para o uísque

Apenas 35-40% do mercado de álcool russo é proveniente de produtores legais Foto: ITAR-TASS

Apenas 35-40% do mercado de álcool russo é proveniente de produtores legais Foto: ITAR-TASS

Segundo a consultoria Euromonitor, uísque deve superar bebida tradicional russa em consumo até 2018. Um dos motores-chave da elevada dinâmica do crescimento nas vendas de uísque são os grandes orçamentos de marketing das principais corporações multinacionais e a demanda das economias em crescimento.

De acordo com a pesquisa realizada pela consultoria britânica Euromonitor, até 2018 as vendas de uísque do mundo vão aumentar 17% em relação ao nível de 2013, para 3.481 bilhões de litros por ano, enquanto a vodca enfrentará uma redução de 0,8%, para 3.428 bilhões de litros.

“Nos últimos 300 anos, o uísque dominou o mundo das bebidas destiladas, sendo ele o tipo de álcool mais popular no mercado mundial. Não teve nenhuma bebida no mundo que fizesse concorrência ao uísque. Tentou-se promover a tequila, mas acabou não saindo nada dali. A vodca foi a única bebida que conseguiu essa proeza”, disse à Gazeta Russa o diretor do Centro de Pesquisa dos Mercados Federal e Regionais do Álcool (CPMFRA), Vadim Drobiz.

Atualmente, a bebida alcoólica mais vendida no mundo é o baiju chinês (feito a partir de cereais de sorgo, parecido com a vodca), com 4.995 bilhões de litros, segundo um ranking da Drinks International. Em segundo lugar, vem a vodca, com 3,5 bilhões de litros vendidos por ano, e, em terceiro, o uísque, com 2,9 bilhões de litros.

A grande popularização da vodca teve início na década de 1980, com o aparecimento da marca Absolut na Suécia, que logo entrou no mercado norte-americano e começou rapidamente a ganhar popularidade no segmento das bebidas caras. “Atualmente, bebe-se nos Estados Unidos 750 milhões de litros de vodca por ano. Após ter crescido exponencialmente nos últimos anos, o mercado dos EUA se tornou o segundo maior mercado de vodca do mundo, depois do russo”, afirmou Drobiz.

No entanto, a vodca alcança o uísque no mercado mundial graças aos fabricantes ocidentais, e não russos. Em 2013, a marca de vodca mais vendida no mundo foi a Smirnoff, da empresa britânica Diageo, com 234 milhões de litros, e a segunda foi a Absolut, da empresa francesa Pernod Ricard (que adquiriu a fabricante sueca de vodca em 2008), com 108 milhões de litros vendidos ao ano.

“Em um ano, as empresas russas enviaram apenas 50 a 60 milhões de litros de vodca para o exterior, principalmente vodca barata, sendo que, para países fora da CEI, nós praticamente não exportamos nada”, acrescentou Dobriz. “Para os EUA, enviamos não mais do que 15 milhões de litros de vodca por ano.”

Segundo ele, no mercado mundial, a produção russa dificilmente se nota, sendo a única exceção a vodca Russkiy Standard, da fabricante Rustam Tariq, cujas vendas subiram 3,6%, para 24 milhões de litros por ano. “Há um desgaste no conceito de ‘vodca russa’ que só agora começa a ter quem saia em sua defesa, estamos perdendo para os fabricantes estrangeiros”, explicou o especialista.

Derrocada comercial

De acordo com os dados do Serviço Federal de Estatística (Rosstat), o consumo de vodca na Rússia está diminuindo. Nos primeiros cinco meses de 2014, o país vendeu 539 milhões de litros de vodca, que corresponde a uma queda de 4,8% em comparação ao mesmo período no ano passado. Por outro lado, a participação da cerveja no mercado nacional aumentou de 37,3% para 39,9%.

Os índices apresentados pela Rosstat também demonstram que, de um modo geral, os russos estão bebendo menos. Durante os primeiros cinco meses deste ano, a população russa comprou 492 milhões de litros de bebidas alcoólicas (em álcool absoluto), o que representa 2,5% menos do que o valor comprado um ano atrás. Nos dados finais de 2013, o consumo de álcool também caiu 2,4%.

Drobiz lembrou, contudo, que apenas 35-40% do mercado de álcool russo é proveniente de produtores legais. “Em todas as ex-repúblicas soviéticas, incluindo a Rússia, a Ucrânia e o Cazaquistão, mais de metade do mercado é de produção ilegal.” De acordo o Rosstat, a produção nacional de vodca em 2013 caiu em 12,3%, para 857 milhões de litros.

Em contrapartida, o consumo de uísque no mundo vem aumentando. Segundo o Conselho dos produtores de bebidas destiladas dos Estados Unidos, em 2013, as vendas de uísque desse país aumentarem 10,1%, para US$ 643 milhões. O crescimento das exportações norte-americanas de Bourbon e de uísque Tennessee em 2013 foi, comparativamente a 2012, de 5% e atingiu, de acordo com essa mesma organização, US$ 1.005 milhões. As vendas da bebida americana cresceram no Japão (tendo passado de US$ 22,7 milhões para US$ 120,8 milhões), na Alemanha (de US$ 19,6 milhões para US$ 140,1 milhões) e na França (de US$ 14,5 milhões para US$ 130,5 milhões).

“Um dos motores-chave da elevada dinâmica do crescimento nas vendas de uísque são os grandes orçamentos de marketing das principais corporações multinacionais e a demanda das economias em crescimento, onde se dão ativamente processos de urbanização e estratificação social”, aponta o analista da UK Finam Management, Maksim Kliaguin.

“Cerca de um terço do consumo mundial de vodca se dá atualmente na Rússia. No entanto, a participação de marcas nacionais no mercado mundial tem uma pequena porcentagem. Além disso, a maior parte das exportações de vodca russa vai para países da CEI ou da ex-URSS. Também o reforço das marcas russas é possível apenas se houver um alargamento sério dos investimentos à promoção e publicidade”, afirma o analista.

 

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