Tecnologias russas para usinas brasileiras

País pode oferecer tecnologias inovadoras para construção de novas usinas nucleares no Brasil e programa pode aumentar a efetividade de projetos semelhantes.

Nos próximos 30 anos, segundo prognóstico da AIEA, o número de usinas nucleares no mundo crescerá de forma constante. Esse fenômeno aumenta a segurança energética das economias nacionais e ameniza as consequências das mudanças climáticas no planeta. 
Para o chefe da empresa de energia atômica russa Rosatom, Serguêi Kirienko, a energia atômica é hoje uma condição obrigatória para o funcionamento estável e seguro do sistema energético mundial. 
“A energia atômica ganha relevância especial para os países com economia em crescimento rápido, pois a insuficiência de recursos energéticos é característica de muitos deles”, declarou Kirienko durante o fórum atômico “Atomexpo”, realizado em junho em Moscou. 
A estatal coopera ativamente com países da América Latina em diversos programas de energia atômica, sobretudo na venda de isótopos medicinais. No Brasil, a companhia russa já demonstrou interesse em projetos de construção de novos blocos de usinas nucleares.
“A Eletrobras, o maior grupo eletroenergético brasileiro, planeja construir de quatro a oito usinas nucleares até 2030. Aproveitando a declaração do presidente da empresa, Othon Luiz Pinheiro, de que o Brasil precisa de um fornecedor qualificado, a Rosatom mostra ter todos os recursos necessários, experiência significativa e potencial para ser o fornecedor ideal para o país”, diz Kirienko. 
Longo portfólio 
O portfólio de encomendas a longo prazo da Rosatom chega aos 90 bilhões de dólares. No momento, a estatal participa da construção de 28 blocos energéticos de usinas nucleares, 19 das quais se localizam em países no exterior. 
As usinas nucleares modernas de geração “tri plus” criadas por centros de projetos russos possuem as melhores tecnologias não só de utilização efetiva por no mínimo 60 anos, mas também um funcionamento absolutamente seguro da estação em qualquer situação. 
Por exemplo, os especialistas da NIAEP-ASE, a maior companhia russa de engenharia atômica, criaram a inovadora tecnologia Multi-D para gerenciamento efetivo de projetos de construção de instalações complexas de engenharia. 
“Na base dessa tecnologia está o projeto e modelagem intelectual tridimensional de processos de construção, o que nos permite construir quaisquer instalações complexas de engenharia exatamente no período designado, no preço e qualidade determinados. A utilização de tecnologias modernas é orientada não somente à redução de custos de construção da instalação, mas também ao aumento de sua segurança. Essa tecnologia foi criadapara ser universal, e nós a utilizamos hoje nas nossas instalações nucleares na Rússia e no exterior, além de projetos não nucleares”, diz o vice-diretor da NIAEP– ASE, Viatcheslav Alenkov.
No que tange a outros países dos Brics, a Índia e a China confirmaram no fórum parcerias com a Rússia no campo de tecnologia nuclear de fins pacíficos. Além disso, Bangladesh assinou o contrato para sua primeira usina nuclear, a “Ruppur”. 
Parceria chinesa
A Rússia e a China também podem conduzir projetos conjuntos em outros países. “A discussão de parceria com a China sobre projetos em outros países também pode ser interessante. Nossa parceria é de caráter bem complexo, e estamos satisfeitos com seu desenrolar”, disse Kirienko. 
Segundo ele, a Rosatom também continua o diálogo para a ampliação da parceria em relação a reatores rápidos. Especialistas russos já construíram dois blocos energéticos de usinas nucleares Tianvanskoi na China. Eles foram entregues para utilização industrial em 2007, e são considerados os melhores do país nos quesitos de exploração e segurança. 
O contrato principal de construção da segunda etapa da usina nuclear localizada na orla do mar Amarelo foi assinado pela Rússia e China em 2010. A inauguração dos blocos está prevista para 2018.

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