Bancos da Rússia investem em negócios fora do mercado financeiro

Gazprombank prefere investir na mídia Foto: Shutterstock

Gazprombank prefere investir na mídia Foto: Shutterstock

A situação econômica desfavorável obriga os bancos a reduzir os riscos, investindo em empresas de outros setores.

Durante a preparação do presente artigo, nenhum dos bancos contatados revelou a compra de qualquer ativo não ligado às suas principais atividades, mas algumas aquisições não são fáceis de esconder.

Sberbank: joias e tecnologias de informação  

Um dos maiores bancos russos, o Sberbank, partiu para grandes aquisições de negócios bem-sucedidos que incluem o sistema de pagamentos eletrônicos Yandex.Money, cuja parcela de 75% custou ao líder do setor bancário nacional uma gorda quantia de US$ 60 milhões paga em meados de 2013. A própria empresa de busca ficou com 25% de ações e o direito de vetar qualquer decisão tomada pelo sócio majoritário. Nos primeiros 6 meses após a formalização da transação, o Sberbank se beneficiou de US$ 2,8 milhões de lucro gerado pela empresa.

Antes de ser adquirido pelo banco, um dos mais famosos sistemas de pagamento da Rússia (e um projeto conjunto da empresa PayCash e do buscador Yandex) já havia comemorado o seu décimo aniversário. A inclusão do Yandex.Money nos ativos do Sberbank permitiu a transformação do banco russo no pioneiro do mercado de pagamentos eletrônicos através de um novo serviço de empréstimo online oferecido via sistema recém-comprado. 

Os especialistas acreditam que, levando em consideração a atual situação econômica no país, os bancos preferirão manter os seus ativos tanto recém-adquiridos, quanto os comprados no passado distante. 

"Neste ano, as vendas dos ativos não ligados às principais atividades dos bancos talvez sejam menores, mas presenciaremos muitas novas aquisições devido a certa piora na situação macroeconômica do país, assim como por causa dos calotes e atrasos no pagamento das parcelas de empréstimos pelos devedores", afirma Mikhail Doronkin, vice-diretor de rankings bancários da agência de estatística Expert RA. Segundo a fonte entrevistada pela Gazeta Russa, os bancos russos tratam os ativos que não possuem nenhuma ligação com o mercado financeiro como uma espécie de cinto de segurança que, apesar da crise bancária, continuam gerando lucro para os seus acionistas. 

Já em 2014, o Sberbank resolveu mudar o foco e comprou a rede de joalherias Pandora. A sociedade anônima Sbernank Investitsii, uma subsidiária controlada pelo banco, recebeu 35% das ações da companhia PanKlub, distribuidora exclusiva dos produtos da rede dinamarquesa no território da Rússia e dos países da Comunidade dos Estados Independentes. O valor da transação não foi divulgado.

Apesar de o presente ativo não ter sido ligado às principais atividades da empresa, os representantes do Sberbank confirmam a sua correspondência à estratégia oficial da instituição.  Segundo os especialistas, a Pandora é um negócio extremamente lucrativo entre todos os existentes no seu setor do mercado russo, cujo crescimento, apesar da situação econômica instável, atingiu 5% em 2013. Além disso, no mercado internacional, a grife perde apenas para as famosas Tiffani & Co e Bulgari, enquanto na Rússia se mantém entre as sete maiores redes.

VTB: legumes e verduras

O interesse por agronegócios demonstrado por outro gigante bancário, o banco VTB, gerou muita polêmica.

Em abril de 2014, o Serviço Federal de Combate a Monopólios autorizou a transação comercial referente à compra pelo VTB de 100% das ações do complexo de 130 hectares Iújni, pertencente à cidade de Moscou e localizado na República da Carachai-Circássia. Na opinião de uma fonte da Gazeta Russa no setor bancário, "o acordo prevê o repasse de despesas do agronegócio por autoridades da capital russa aos bancos públicos. Assim que o comprador for encontrado, os ativos em questão serão vendidos".

Segundo informações fornecidas por outra fonte, em 2012, o VTB Capital revelou a intenção de criar a própria empresa agrícola, onde pretendia investir um montante de US$ 200 milhões.

"Portanto, não podemos descartar a possibilidade da entrada do VTB para o mercado de agronegócios. A instituição financeira em questão também adquiriu 48,9% da empresa Perovskoe, pertencente à prefeitura de Moscou, cujas atividades principais incluem a comercialização de frutas e verduras na capital russa", explica o especialista. 

 Gazprombank: emissora de televisão e turbinas

Seguindo o exemplo de concorrentes, em março de 2014, o banco Gazprombank virou proprietário de 21,1% da loja virtual Dostavka.RU, que custou aos seus cofres US$ 6,4 milhões. A empresa em questão foi fundada em 1998 e até o final de 2013 conseguiu aumentar o volume de negócios em 27%, atingindo 42 milhões de rublos, portanto não passou despercebida pelo banco público, que resolveu incluí-la nos seus ativos.

Fora isso, desde a sua fundação, o Gazprombank prefere investir na mídia, administrando os ativos correspondentes através do próprio grupo de empresas criado para este fim, que hoje em dia inclui duas emissoras de televisão de grande porte, uma operadora de televisão via satélite, duas revistas, dois complexos de cinema, seis emissoras de rádio e uma série de agências de propaganda. A maioria destes ativos foi consolidada no período entre 2001 e 2002 e considera-se a propriedade mais lucrativa do banco não ligada ao mercado financeiro, com lucro operacional de 372 milhões de rublos (US$ 10,8 milhões) registrado no ano passado.

O segundo lugar conforme o valor de receita ocupam as empresas do setor de fabricação de máquinas. A aquisição de 80% das ações do grupo REP, um dos líderes da indústria energética e um fabricante de turbinas a gás, entre outros produtos, foi antecedida pela compra de outra empresa estratégica, a OMZ, uma doas maiores fabricantes de equipamento para os setores de energia atômica, petróleo e gás e mineração, com 75% juntados ao patrimônio do Gazprombank em 2006.

Apesar de ter sido um ativo importante, ele não garante nenhum ganho para os seus acionistas.  Enquanto no final de 2012 o seu lucro operacional atingiu US$ 126 mil, no ano passado a empresa teve prejuízo de US$ 23 milhões.

"O principal objetivo da aquisição de uma participação na companhia não consiste na obtenção de benefícios, mas na prestação de apoio financeiro e administrativo para um negócio da indústria atômica, um dos setores mais importantes para o governo russo", afirmou uma fonte do banco na entrevista à Gazeta Russa. Portanto, os atuais desafios do Gazprombank incluem a resolução da crise enfrentada pela OMZ e o consequente aumento do lucro gerado pela empresa.  

 

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