Mercado imobiliário da Crimeia vive expansão

No que diz respeito aos últimos três meses, o mercado imobiliário da Crimeia esteve no limbo Foto: PhotoXPress

No que diz respeito aos últimos três meses, o mercado imobiliário da Crimeia esteve no limbo Foto: PhotoXPress

O mercado imobiliário está começando a prosperar na Crimeia. Os vendedores estão contando com a demanda por parte dos estrangeiros. No entanto, os especialistas aconselham não ter pressa por conta da burocracia.

O mercado imobiliário da Crimeia deve sair da letargia no qual se encontrava desde março de 2014, quando as novas autoridades da península emitiram uma moratória sobre a realização de contratos de compra e venda. O Serviço de Cadastro Estatal da Federação Russa (Rosreestr) começou a operar no território recentemente anexado e já abriu o seu primeiro escritório em Simferopol. Representações territoriais irão surgir também nas principais cidades de veraneio: Ialta, Eupatória, Kerch e Sevastópol.

No que diz respeito aos últimos três meses, o mercado imobiliário da Crimeia esteve no limbo. De acordo com Maria Litinetskaia, diretora-geral do Metrium Group, depois da moratória ficou impossível comprar ou vender legalmente um imóvel. "Alguns locais encontraram uma saída para a situação: eles celebraram com os interessados compradores contratos preliminares de compra e venda com a data da operação adiantada em, por exemplo, seis meses", diz a especialista.

Especulação na Crimeia

A alteração do estatuto oficial da Crimeia causou uma onda de interesse entre os compradores, principalmente russos. "O número de interessados desde 19 de fevereiro de 2014 até o dia do referendo (16 de março) aumentou em 4,8 vezes. Nos primeiros dias logo após o referendo, o índice ainda aumentou ainda 1,5. Este interesse se mantém ainda hoje", dizem os analistas da holding de investimento e construção GK Premier.

Segundo os trâmites da lei lei russa, depois de celebrarem entre si o contrato de compra e venda, o comprador e o vendedor se dirigem ao Rosreestr. O dinheiro da transação deverá se encontrar nessa altura na conta do notário ou em um cofre no banco. A Rosreestr verifica então a "legalidade do negócio": se existem restrições sobre a venda do imóvel (por exemplo, hipotecas) ou se quem está vendendo é o verdadeiro proprietário.

De acordo com o site domnamore.ru, se antes os usuários se interessavam mais por terrenos em Montenegro, Bulgária, Croácia e na costa ucraniana do Mar Negro, em meados de março, dois terços dos pedidos estiveram relacionados com imobiliário de veraneio na Crimeia.

No que diz respeito à composição nacional, de acordo com a GK Premier, se antes a demanda chegava principalmente de cidadãos ucranianos –50%, enquanto os russos compunham apenas 35% dos interessados (países da Comunidade dos Estados Independentes tinham 15%, com a maioria dos interessados dos países bálticos), hoje, 70% dos telefonemas feitos para as agências imobiliárias da Crimeia chegam de Moscou (outros 15% de São Petersburgo, 5% da Bielorrússia e 5% de outros países da CEI).

A demanda ativa provocou um aumento dos preços. Assim, ainda de acordo com a GK Premier, nos últimos três meses, os preços em dólar aumentaram entre 12% e 15%. E nos locais com maior procura, os preços quase duplicaram desde o início do ano.

A região mais cara é a costa sul da Crimeia. Lotes de cem metros quadrados na costa podem chegar aos US$ 70 mil. Em média, o preço de cem metros ronda os US$ 20 mil. Quanto mais longe do mar, mais barato o terreno. Um lote de cem metros quadrados situado a 2 km ou 3 km do mar custa entre US$ 500 e US$ 2.000.

Crimeia para estrangeiros

No que diz respeito aos compradores estrangeiros, por enquanto são ainda poucos aqueles que pretendem descansar na Crimeia. No entanto, os agentes e vendedores atuantes do mercado imobiliário da região esperam que investidores estrangeiros se interessem por terrenos para construção de futuros hotéis.

Os estrangeiros podem obter uma propriedade pelas mesmas regras que os russos.

"As particularidades que eventualmente surjam poderão estar relacionadas com determinados tipos específicos de propriedades, tais como, por exemplo, terrenos agrícolas. A sua venda a cidadãos estrangeiros é bastante restrita", diz Marina Krasnobaeva, advogada do escritório Iukov e Associados.

Riscos

Apesar de agora as transações na Crimeia serem realizadas à luz da legislação russa, certos riscos permanecem.

Agora, para reconhecimentos notariais de imóveis na península, as filas são enormes. Como explicam os analistas da GK Premier, quem, por sua conta e risco, realizou transações nos últimos três meses, está agora correndo para as regularizar.

"Pode aparecer um grande número de intermediários oferecendo seus serviços. O nosso conselho é que se trate de toda a documentação pessoalmente, sem intermediários", diz a GK Premier. Os especialistas alertam que não vale a pena esperar que a situação se estabilize antes de seis meses.

O mais importante, a Rússia não acordou com a Ucrânia a questão da transferência do registro de imóveis na Crimeia. Por isso, o comprador poderá obter um apartamento "penhorado", que, posteriormente, será exigido pelo banco devido ao não pagamento das dívidas do anterior proprietário. Como explicou a advogada Marina Krasnobaeva, as leis ucranianas pelas quais se regiam os tribunais da Crimeia até a entrada para a Federação Russa são diferentes das leis russas.

E é preciso tempo para se adaptar à jurisprudência, incluindo a questão dos conflitos sobre direitos de propriedade imobiliária. De acordo com a advogada, por agora só faz sentido investir em uma propriedade da Crimeia caso as características do objeto e o seu preço valham o risco.

 

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