Ucrânia e Rússia avançam nas negociações sobre dívida do gás

Pagamento prometido pelo fornecimento de gás será "sinal claro" sobre a liquidez da dívida ucraniana Foto: PhotoXPress

Pagamento prometido pelo fornecimento de gás será "sinal claro" sobre a liquidez da dívida ucraniana Foto: PhotoXPress

Naftogaz deve transferir US$ 2 bilhões para a Gazprom até o final da semana, segundo o comissário da UE para a Energia, Günther Oettinger. Mas, enquanto a Rússia vê essa quantia como parte do pagamento da dívida, a Ucrânia a encara como adiantamento para futuro fornecimento de gás.

Após reunião em Berlim, o comissário europeu para a Energia, Günther Oettinger, declarou que a ucraniana Naftogaz está pronta para transferir US$ 2 bilhões para a conta da Gazprom nesta quinta-feira (29). “Desse modo, será dado um sinal claro sobre a liquidez da Ucrânia”, disse ele, depois de cinco horas de negociações.

As partes acordaram que, caso de transferência seja realmente efetuada no prazo proposto, será possível continuar as negociações e discutir o preço futuro para abastecimento de energia. “O objetivo é chegar até o final da semana a um preço do gás aceitável para ambas as partes”, acrescentou o comissário da UE.

De acordo com uma fonte do jornal “Izvéstia” presente nas negociações pelo lado russo, os ucranianos prometeram transferir US$ 2 bilhões até o final desta semana, e outros US$ 500 milhões até 7 de junho – só então as partes poderão se sentar novamente à mesa das negociações, informou a fonte.

“Se a Ucrânia cumprir sua promessa e pagar dentro de alguns dias, então deixará de fazer sentido a Rússia insistir no preço de US$ 485 por mil metros cúbicos”, afirma o presidente da Sociedade Russa de Gás, Pável Zabalni. Acredita-se que o preço para a Ucrânia poderia ficar na faixa de US$ 380 por mil metros cúbicos, em caso de pontualidade dos pagamentos.

“A delegação ucraniana aceitou trabalhar sobre a questão, se assim o podemos dizer, a fim de coordenar com os líderes políticos da Ucrânia a questão do pagamento de U$ 2 bilhões a serem pagos esta semana. Bem, pelo menos já é alguma coisa”, disse ao canal “Rossía 24” o diretor da Gazprom, Aleksêi Miller.

Troca de dívidas?

De acordo com os dados da Gazprom, a Ucrânia não paga a dívida antiga nem faz pagamentos para fornecimentos desde junho do ano passado. A partir do mês que vem, o país deixará de receber gás da Rússia para as suas necessidades se o pagamento prometido não for concluído. Nesse caso, o gás será fornecido apenas para a Europa.

O lado ucraniano também se recusa pagar os US$ 2,2 bilhões da dívida contraída ainda no primeiro trimestre de 2014, quando o preço do gás era de US$ 268,5 por mil metros cúbicos. A dívida total da Ucrânia referente ao fornecimento de gás excede os US$ 3,5 bilhões.

Depois da adesão da Crimeia à Rússia, a Gazprom cancelou o desconto praticado para a Ucrânia. Como resultado, o preço subiu para US$ 485 por mil metros cúbicos desde 1o de abril.

“O lado russo continua mantendo uma posição nada construtiva e exige pagamento incondicional de todas as faturas, incluindo de valores questionáveis. A Naftogaz confirmou mais uma vez a sua prontidão em pagar as dívidas na condição de se chegar a um compromisso civilizado, que garanta a continuidade do fornecimento de gás para a Ucrânia”, diz um comunicado oficial da empresa.

No entanto, o primeiro-ministro nomeado pelo Parlamento ucraniano (Verkhovna Rada), Arseni Iatseniuk, relacionou o pagamento da dívida do gás com o estatuto da Crimeia, em uma reunião do governo. Segundo ele, a Ucrânia exige que a Rússia pague US$ 1 bilhão pelos 2 bilhões de metros cúbicos de gás que pertencem à empresa da Crimeia Chernomorneftegaz e que estão armazenados no depósito subterrâneo de gás.

Dados da própria empresa revelam que a capacidade do único depósito de gás existente na Crimeia é de apenas 1,2 bilhão de metros cúbicos. A Gazprom também reiterou que o pagamento da dívida pelo gás não tem relação direta com o estatuto da península.

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