“Europa não pode se sustentar sem nossos recursos energéticos”

"No geral, a nossa posição é clara: a Ucrânia assinou o contrato com a Rússia em 2009 e tem que cumprir as obrigações" Foto: Serguêi Kúksin/RG

"No geral, a nossa posição é clara: a Ucrânia assinou o contrato com a Rússia em 2009 e tem que cumprir as obrigações" Foto: Serguêi Kúksin/RG

“Apenas as pessoas que não conhecem o sistema dos mercados internacionais podem falar sobre a intenção de cancelar a importação de gás russo”, diz o ministro da Energia, Aleksandr Novak.

Após o deterioração das relações com os parceiros ocidentais, a Rússia começou a buscar novos mercados para o fornecimento da energia. O ministro da Energia, Aleksandr Novak, falou à Gazeta Russasobre quais deles podem ser interessantes para os fornecedores russos e o que a Rússia está fazendo para resolver a crise energética na Ucrânia.

Gazeta Russa - Na última quarta-feira (21), terminou a visita oficial da delegação russa à China, durante a qual foi assinado o maior acordo de fornecimento de gás russo para o mercado chinês. É possível dizer que esse acordo é resultado do esfriamento da relações entre a Rússia e o Ocidente?

Aleksandr Novak - As relações com a China não tem nada a ver com a situação na Europa, sempre tivemos relações de estabilidade com a China, temos muitos comissões intergovernamentais e comitês da energia. Durante a visita à China, foram assinados muitos acordos e contratos que ajudarão a desenvolver as relações bilaterais.

Quais mercados são atualmente os mais promissores para a expansão do fornecimento de recursos energéticos russos?

Devemos admitir que o consumo na região da Ásia-Pacífico, em países como China, Índia, Japão, Coreia do Sul e outros, vai crescer. Para atender a nova demanda estamos explorando novas jazidas e criamos infraestrutura. No entanto, quero sublinhar que, apesar dos novos projetos, continuaremos a colaborar com os parceiros europeus.

Já começou o resfriamento na cooperação com os parceiros ocidentais?

Sim, com certeza. Os políticos estão pressionando as empresas norte-americanas e europeias que operam na Rússia. Mas isso é uma pressão não econômica, mas política. As próprias empresas dizem que as sanções são contraproducentes.

Existe uma alternativa real às empresas russas que fornecem gás para a Europa? Qual é a sua opinião sobre a promessa dos EUA de fornecerem gás americano à Europa?

Essas promessas são infundadas. A Europa não pode se sustentar sem recursos energéticos russos. A Rússia é rica em recursos naturais. A Europa, não. Além disso, até 2020, a extração total de gás na Europa será reduzida em 100 bilhões de metros cúbicos, ou seja, em 20%. Qualquer tipo de redução do fornecimento russo levará a aumento de preços significativo. Assim, apenas as pessoas que não conhecem o sistema dos mercados internacionais podem falar sobre a intenção de cancelar a importação de gás russo.

Podemos competir com qualquer outro fornecedor de recursos de energia para a Europa, mas agora ninguém pode oferecer uma alternativa à Rússia.

Atualmente, os EUA não têm gás para ser exportado para a União Europeia, eles não têm legislação para isso. Além disso, as exportações regulares para o exterior aumentariam o risco de um aumento dos preços de gás no mercado interno .

É improvável que alguém queira subsidiar os preços para a Europa. Eles querem reduzir os fornecimentos russos, mas, do ponto de vista econômico, isso é impossível.

O ministério continua as negociações com a Ucrânia?

Atualmente, realizamos negociações com a Comissão Europeia. Desde março, a Ucrânia não paga pelo gás fornecido. A situação permanece tensa e isso nos preocupa, principalmente em relação ao pagamento da dívida e garantias de fornecimento do gás através do território ucraniano.

No início de maio, passamos ao sistema pré-pago, mas o problema com a liquidação da dívida deve ser resolvida junto com a União Europeia, que deve assumir a responsabilidade pelos acontecimentos na Ucrânia porque apoia as mudanças políticas no país.

No geral, a nossa posição é clara: a Ucrânia assinou o contrato com a Rússia em 2009 e tem que cumprir as obrigações.

 

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