Empresários ocidentais boicotam Fórum Econômico de São Petersburgo

O número dos representantes de empresas estrangeiras que confirmaram presença ultrapassou 300 pessoas Foto: arquivo

O número dos representantes de empresas estrangeiras que confirmaram presença ultrapassou 300 pessoas Foto: arquivo

O boicote dos empresários norte-americanos teve influência da administração de Barack Obama. Especialistas russos reconhecem que isso afetará a imagem do evento, mas afirmam que não terá influência na cooperação econômica real.

Em 6 de maio, o vice-ministro da Economia da Rússia, Serguêi Beliakov, declarou ao canal de televisão Rossiya 24 que os organizadores do Fórum Econômico de São Petersburgo receberam muitas recusas para participar do evento dos representantes das empresas estrangeiras.

"A maioria dessas pessoas tinham confirmado sua participação, mas agora informaram que foram forçadas a mudar os planos”, disse o vice-ministro. “Para nós é uma perda, uma surpresa desagradável, mas estávamos preparados para isso", completou Beliakov.

O número dos representantes de empresas estrangeiras que confirmaram presença ultrapassou 300 pessoas, 40% menos do que no ano passado. A redução mais significativa ocorreu entre as empresas americanas; este ano, apenas 53 pessoas dos EUA vão particiar do Fórum. Em 2013, 109 americanos chegaram a São Patersburgo. O número de representantes de empresas da Itália e da Alemanha também caiu significativamente.

Entre as empresas que rejeitaram o convite se encontam PepsiCo, The Coca-Cola Company, Alcoa, ConocoPhillips, Bain & Co, Goldman Sachs e PeMex.

A “Bloomberg” havia informado que a Casa Branca estava pressionando as empresas americanas que planejavam participar do fórum. Segundo a agência, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, e a conselheira de Barack Obama, Valerie Jarrett, chamaram pessoalmente os possíveis participantes do fórum e lhes informaram que a viagem para São Petersburgo "não é um bom sinal".

O especialista da Academia Presidencial da Economia Nacional e Administração Pública da Rússia, Vladímir Klimanov, disse à Gazeta Russa que o Fórum de São Petersburgo é um destino tradicional para os altos executivos estrangeiros e sempre foi uma plataforma importante para as decisões multilaterais.

“Geralmente, as ideias e declarações expressas durante o evento servem para estimular novas iniciativas. Definitivamente, o boicote ao fórum por líderes das empresas privará o fórum do seu significado original”, disse Klimanov. “Não haverá negociações ou trocas de opiniões no alto nível. Isso tudo afetará as decisões relacionadas com o investimento."

O analista principal da BCS, Maksim Chein, também afirma que sem as principais figuras das grandes empresas estrangeiras o fórum será menos eficaz.

"Certamente haverá menos contatos e acordos. O governo dos EUA deveria ter isso em conta e pensar duas vezes porque em primeiro lugar essa decisão afetará as empresas americanas. As empresas russas também perderão muito porque os Estados Unidos são os principais parceiros em muitas áreas. No entanto, as relações econômicas não serão congeladas. Essa situação deve ser considerada como uma espécie de fase nova, como um estímulo para o desenvolvimento das relações em outro nível", diz Chein.

"A Rússia não vai fechar as portas da sua economia. Desenvolveremos a parceria com as empresas que participarão do fórum ainda mais, porque temos contato direto com eles”, declarou Beliakov.

Chein afirma que as empresas russas não perderão a oportunidade de assinar acordos com empresas asiáticas. “Não podemos excluir que a petrolífera Gazprom vai assinar um importante acordo com a China durante o fórum”, disse.

A divisão russa da Ernst & Young acredita que a recusa da participação do Fórum de São Petersburgo não afetará a assinatura dos acordos.

"Eu não diria que essas decisões afetarão o fórum”, disse o diretor da consultoria na Rússia, Aleksandr Ívlev.

“Devemos entender que todos os contratos importantes são preparados antes do Fórum. É simplesmente o lugar para assinar os acordos. Tenho certeza de que essas dificuldades temporárias não influenciarão o desenvolvimento das relações de cooperação com os nossos parceiros europeus e transatlânticos. Os investidores estrangeiros não deixarão o mercado russo", completou Ívlev .

 

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