Rússia barra importação de carne da Austrália por uso de estimulador

A Rússia também está tentando começar a produção de carne marmorizada Foto: Fotomedia

A Rússia também está tentando começar a produção de carne marmorizada Foto: Fotomedia

A Rússia introduziu restrições temporárias sobre o fornecimento de carne bovina australiana. Especialistas afirmam que a medida poderá aumentar as vendas da carne marmorizada do Japão, dos EUA e do Brasil e ajudará a desenvolver a produção nacional.

O Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor) introduziu a proibição total da importações de carne da Austrália. De acordo com a porta-voz da organização, a decisão foi tomada após a identificação do estimulador de crescimento trembolona na carne australiana em diversas ocasiões. O uso dessa substância é proibido no território da União Aduaneira (Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão). Além disso, a proibição coincidiu com a decisão da Austrália de apoiar as sanções contra a Rússia após a anexação da Crimeia. 

“Em termos absolutos, a carne bovina australiana constitui apenas 5% do mercado de carne russo”, diz o especialista da United Traders Mikhail Krilov.

No entanto, de acordo com o sócio-diretor da rede de restaurantes Torro Grill, Kirill Martinenko, a carne australiana é crucial para o segmento de restaurantes.

“Ela pode ser chamada do rei de menus de carne. Cerca de 70% de carne vendida nos restaurantes é importada da Austrália”, diz Martinenko.

Reflexos da proibição 

De acordo com o chefe de cozinha do restaurante Dju-Dju, Aleksêi Kanévski, a proibição da importação da carne australiana é um problema muito sério.

“Carne de alta qualidade é um dos principais produtos para os restaurantes. Além disso, carne marmorizada (que possui gordura entremeada) é produzida em poucos países”, diz Kanévski. 

Em 2013, a Rússia importou 27,4 mil toneladas de carne bovina australiana. As importações de carne bovina resfriada ultrapassaram 2,7 mil toneladas.

“Os problemas começaram após a proibição de importação de carne americana. A carne da Austrália e da Argentina são as únicas alternativas para os restaurantes russos, porque a qualidade de carne produzida na Rússia não atende às exigências dos consumidores”, completou Kanévski.

Para apoiar os restaurantes russos, no início de 2014, a Rosselhoznadzor abriu o mercado russo para carne marmorizada japonesa, também conhecida como Kobe-beef. Porém, a ela é relativamente cara e vários restaurantes terão que comprar carne da Europa e da América Latina.

Em entrevista à Gazeta Russa, o representante da Rosselkhoznadzor, Aleksêi Aleksêenko, lamentou que a proibição de carne bovina australiana seja associada com as sanções contra a Rússia e disse que os produtores receberam reclamações sobre a qualidade do produto antes da crise na Ucrânia.

“No ano passado, realizamos vários encontros com os parceiros australianos. Recebemos garantias de que a substância proibida não seria usada na produção de carne exportada para a Rússia. No entanto, continuamos a identificar o estimulador proibido”, disse Aleksêenko.

De acordo com especialistas, o embargo à carne australiana poderá ajudar os produtores americanos e brasileiros a voltar ao mercado russo.

Em 2013, a Rússia levantou embargo temporário à carne americana, brasileira canadense e mexicana. Os produtores desses países usaram o análogo americano do trembolona –o estimulador de crescimento muscular ractopamina.

Agora, vários produtores dos EUA e do Brasil já receberam autorizações para exportar carne à Rússia. 

Produção própria 

A Rússia também está tentando começar a produção de carne marmorizada. No entanto, de acordo com especialistas, os produtores locais poderão entrar no mercado apenas em 2015 ou 2016. 

Por exemplo, a rede de supermercados russos Azbuka Vkussa planeja organizar sua própria produção nas fazendas da região de Kaluga. Além disso, as fazendas na região de Voronej importaram cerca de 4.000 vacas de elite australianas. 

 

Confira outros destaques da Gazeta Russa na nossa página no Facebook

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.