Guia destaca as melhores vinícolas do país

Guia inclui produtos de 14 vinícolas do Vale do rio Don e das cinco regiões por onde passa o rio Kuban Foto: Press Photo

Guia inclui produtos de 14 vinícolas do Vale do rio Don e das cinco regiões por onde passa o rio Kuban Foto: Press Photo

O vinho não é a bebida alcoólica preferida dos cidadãos russos. Pelos dados do Serviço Federal de Estatística da Rússia, apenas 8,5% do volume total de vendas de álcool no país correspondem ao produto. Mas, apesar da má fama conquistada na época da União Soviética, livro mostra que produtores russos estão apostando em qualidade para concorrer com franceses e italianos.

Em seu guia de vinhos russos, o sommelier Artur Sarkissián apresenta as melhores marcas e inclui produtos de 14 vinícolas do Vale do rio Don e das cinco regiões por onde passa o rio Kuban. Apesar da variedade de vinhos relativamente pequena, muitos deles possuem as características únicas devido às espécies autóctones de uva utilizadas na sua produção.

O guia oferece ótimas opções para qualquer ocasião, inclusive para jantares sofisticados. A garrafa  Superavi, da marca Fanagória, é uma escolha ideal para os pratos de carne, enquanto Risling da Abrau-Dursso e Grande Reserva de Tsimliánsk podem acompanhar peixe e carne de caça, respectivamente. O Renaissance, fabricado pela vinícola Raevskoe, destaca o sabor do queijo, o Fagotin da Chateau Le Grand Vostock é um acompanhante ideal para as sobremesas e o vinho Liturguia Reserve da Lefkadia é item indispensável nos jantares com ostras.

A maioria dos produtos mencionados acima é marcada como vinhos de indicação geográfica, uma característica relativa que corresponderá à categoria europeia Indication geographique protege após a aprovação da lei referente à classificação dos vinhos russos. A categoria de vinhos nacionais com o local de origem protegido (que corresponde à Appelation d'origine protegee) ainda encontra-se em processo de criação.

Além da apresentação da lista de produtos recomendados, o guia contém as informações referentes às pequenas vinícolas localizadas na região sul da Rússia que fabricam até 0,05% do volume total dos vinhos nacionais, mas são prezados pelos seus fieis consumidores pelas experiências ousadas com a bebida.

A visita a essa região russa pode ser uma viagem inesquecível se incluir degustações de vinhos locais acompanhadas por histórias de formação dos seus fabricantes. Por exemplo, a vinícola de Fanagória encontra-se nas ruínas da cidade antiga com o mesmo nome localizada nas proximidades a uma missão geológica. Os vinhos do município de Tsimliánsk foram mencionados nas obras do poeta clássico russo Aleksandr Púchkin, enquanto os espumantes da Abrau-Dursso foram os preferidos do último imperador russo Nikolai II.

Mercado isolado

De acordo com a União de Vinicultores e Vinhateiros da Rússia, a cada sete garrafas nacionais colocadas à venda pelas redes varejistas russas, existem somente três importadas. Além disso, 30% do volume total de vinho vendido são feitos de uva plantada na Rússia. 

“Em cerca de três a cinco anos esperamos um rápido crescimento da indústria vinícola russa que coincidirá com a primeira safra dos vinhedos plantados no período entre dois a três anos atrás”, diz Sarkissián.

Mas enquanto o mercado interno não atingir o seu limite, o volume de exportações dos vinhos russos continuará sendo mínimo. Hoje em dia, apenas as vinícolas relativamente grandes fornecem os seus produtos aos clientes estrangeiros, porém em pequenas quantidades e, na maioria das vezes, as vendas para o exterior fazem parte das suas estratégias de marketing. A Abrau-Dursso, por exemplo, exporta cerca de 150 mil garrafas de vinho espumante anualmente, o que corresponde a menos de 1% de todas as suas vendas nacionais.

“Gostaríamos que o vinho russo conquistasse fama mundial. O grande potencial dos produtos nacionais permite que concorram com os vinhos europeus e americanos”, garante Pável Titov, presidente do comitê corporativo da Abrau-Dursso. 

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