Como a situação na Ucrânia prejudica os empresários russos

Os empresários falam sobre as perspectivas de cooperação com parceiros ucranianos com cuidado Foto: Reuters

Os empresários falam sobre as perspectivas de cooperação com parceiros ucranianos com cuidado Foto: Reuters

A crise política na Ucrânia prejudica empresários russos que têm negócios no país. “É óbvio que o PIB e o volume do comércio da Ucrânia cairão. Isso terá um impacto negativo sobre as empresas russas que trabalham com a Ucrânia”, disse o ministro do desenvolvimento econômico da Rússia, Aleksêi Uliukaev.

O ministro do desenvolvimento econômico da Rússia, Aleksêi Uliukaev, declarou que a crise política na Ucrânia prejudicou significativamente as empresas russas. “É óbvio que o PIB e o volume do comércio da Ucrânia cairão. Isso terá um impacto negativo sobre as empresas russas que trabalham com a Ucrânia”, disse Uliukaev.

As manifestações na Ucrânia quase duplicaram a fuga de investidores. Entre 12 e 19 de fevereiro, os investidores tiraram mais de US$ 116 milhões do país. No início de fevereiro, os fundos ucranianos perderam apenas US$ 53 milhões. Os participantes do mercado afirmam que a situação atual pode levar a uma “grave deterioração do clima de investimento".

Por causa da queda da moeda nacional da Ucrânia, os maiores companhias aéreas da Rússia (Aeroflot, Transearo e S7) suspenderam as vendas de passagens através de agentes ucranianos.

Várias empresas de mineração russas (Evraz, Mechel e Severstal) têm fábricas e outros ativos no país vizinho. A porta-voz da Mechel se recusou a comentar a situação, mas acrescentou que, devido à situação instável, a empresa suspendeu as negociações sobre a venda de uma fábrica. A Evraz declarou que a situação política não prejudicou seus negócios, mas confirmou que enfrenta algumas dificuldades nos cálculos financeiros com agentes na Ucrânia.

Bancos mais cautelosos

Em primeiro lugar, a crise política na Ucrânia prejudicou os bancos russos. Vários deles tiveram que impor restrições sobre as suas subsidiárias e introduziram limites para a retirada de dinheiro em caixas eletrônicos.

Guêrman Gref, diretor do maior banco russo, o Sberbank, declarou que as estruturas do banco limitarão os empréstimos para novos clientes tanto para pessoas físicas como para jurídicas. “O banco começará a assinar novos contratos após a estabilização da situação no mercado financeiro”, disse Gref.

Os bancos ocidentais também reagem de uma forma dramática. O Banco Europeu de Investimento (BEI, na sigla em inglês), criado pelos países da União Europeia, declarou na quarta-feira (19) que vai congelar todas as atividades na Ucrânia até a estabilização política no país. O Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento declarou que não vai suspender as operações na Ucrânia, mas vai se concentrar na ajuda ao setor privado.

Perspectivas

Os empresários falam sobre as perspectivas de cooperação com parceiros ucranianos com cuidado, mas não expressam sérias preocupações. No último sábado (22), o diretor da empresa estatal russa de desenvolvimento, fabricação e exportação de produtos industriais de uso civil e militar Rostec, Serguêi Tchémezov, declarou que os acontecimentos na Ucrânia não terão um impacto significativo sobre a empresa estatal, que compra motores para helicópteros da empresa ucraniana Motor Sitch. A Rostec planeja substituir os motores ucranianos por russos.

Na última sexta-feira (21), o ministro da Agricultura da Rússia, Nikolai Fiódorov, declarou que a pasta não tem dados sobre atrasos ou problemas no comércio com a Ucrânia.

“No entanto, existe uma ameaça prática”, disse Fiódorov. De acordo com ele, a Rússia pode obter benefícios com a desestabilização da situação na Ucrânia. Por exemplo, a Rússia poderá aumentar as exportações de grãos e oleaginosas. 

 

Com informações do Kommersant e da Gazeta.Ru

 

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