“Dinheiro não é o objetivo”, diz mulher mais rica da Rússia

Baturina fez sua fortuna no setor de construção Foto: Serguêi Berézin/RIA Nóvosti

Baturina fez sua fortuna no setor de construção Foto: Serguêi Berézin/RIA Nóvosti

Elena Baturina é uma figura intrigante. A mulher listada pela “Forbes” como a mais rica da Rússia durante os últimos cinco anos cresceu em um apartamento de dois cômodos em Moscou. Em sua vida passou por momentos dramáticos e polêmicos. No ano passado, criou o seu próprio grupo de design, com perspectiva global e objetivos ambiciosos.

Nascida na União Soviética da década de 1960, Baturina descreve sua família como “simples e de classe trabalhadora"”. Ela trabalhava em uma fábrica de ferramentas e estudava à noite na Universidade Estatal de Administração, em Moscou.

Nos anos 1980, conheceu o marido, Iúri Lujkov, que mais tarde se tornou prefeito da capital russa. Durante a corrida de ouro da década de 1990, construiu um império de construção, a Inteco. Em 2010, seu marido foi destituído do cargo, Baturina vendeu suas empresas e começou a passar mais tempo no exterior.

O escritório de Baturina em Londres ocupa uma bela casa do século 18, no caríssimo bairro de Mayfair. Uma instalação ao lado da recepção transforma trechos poéticos de Púchkin em taxa de câmbio por meio de um emaranhado de tiras na tela.

Ao encontrá-la pela primeira vez, a mulher mais rica da Rússia estava visivelmente entediada, como uma adolescente obrigada a ser simpática com seus parentes. “Você não parece muito feliz em ser entrevistada”, disse a ela. Baturina balançou os ombros com indiferença: “Estou cansada hoje”.

No final da conversa, cada vez mais animada, ela explicou sua verdadeira relutância para dar entrevistas. “Acho que a minha aversão à imprensa é apenas preguiça, porque não quero perder tempo me preparando para entrevistas. Mas entendo que, se  quero que minhas ideias sejam ouvidas, tenho que me expor.”

Criando futuro

A nova organização de Baturina, chamada Be Open, reúne vários projetos de caridade e dá suporte a “pessoas jovens e criativas”. A empresaria tem duas filhas na universidade, uma com 19 anos e outra, 21 anos. “Elas estudam política e economia, e não design”, ressalta, “mas todos os jovens precisam de um lugar para começar, porque eles estão construindo o nosso futuro”.

A interpretação de design da Be Open é bem abrangente e, durante os próximos dois anos, o projeto vai visitar os quatro cantos do mundo. Baturina tem planos de organizar um evento em Nova Déli em fevereiro do ano que vem, e outro em Tóquio no ano seguinte.

O projeto indiano terá ênfase em artesanato, mas “não será apenas uma exposição”. "Estamos pesquisando como a interação de culturas, conhecimento e tecnologia pode trazer algo novo.”

Golpistas por toda parte

Baturina fez sua fortuna no setor de construção, mas um de seus projetos favoritos de Moscou jamais foi concretizado. O arquiteto iraniano Hadi Teherani projetou uma série de cúpulas futuristas que iriam compor o complexo empresarial “Cosmo Park”.

“O mais importante para qualquer negócio”, diz, “é entender que dinheiro não é o objetivo final, mas os meios para alcançar o objetivo”. Ela critica a primeira onda de novos ricos da Rússia, que acumularam fortunas por meio de algum tipo de manobra financeira.

“Eles ainda querem jogar, mas não sabem para qual lado jogar. Por isso, começam a comprar iates cada vez maiores ou competir para ver quem tem a esposa mais jovem”, acrescenta.

Felicidade estrangeira

Baturina se diz satisfeita com sua vida em Londres – e até mesmo com o clima da cidade. Ela anda nas ruas da capital inglesa sem seguranças e elogia a educação das filhas. “Elas entendem que vão conseguir boas notas na universidade não por causa da posição de seus pais, mas por trabalharem duro”, diz.

Ainda assim, Baturina lamenta o fato de ter sido “sugada por jogos políticos”, porque seu marido era o prefeito de Moscou, e duvida do posto de “mulher mais rica da Rússia”. “Existem bilionários ocultos sobre os quais não sabemos nada. Mas se você está falando de pessoas que declaram abertamente a sua renda, então, provavelmente sou a mulher mais rica da Rússia, sim.”

“Acho que eu sou uma pessoa feliz”, diz Baturina, “pois posso ver a materialização física das coisas que já construí.”

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