Empreendedor russo quer se tornar “Steve Jobs do espaço”

“Para investir no espaço é preciso gostar do tema" Foto: NASA / Ivan Eder

“Para investir no espaço é preciso gostar do tema" Foto: NASA / Ivan Eder

Mikhail Kokoritch vendeu todos os seus ativos de varejo para realizar seu sonho juvenil de conquistar o espaço. Ele pretende de uma só vez se tornar o Steve Jobs do espaço e o Elon Musk russo.

“Não é que eu esteja pensando em voar no espaço. Estou 100% certo de que voarei”, diz o fundador da empresa Dauria Aerospace, Mikhail Kokoritch. “O espaço não é tão caro e indisponível, quanto nos acostumamos a pensar.”

O empresário russo de 37 anos fez dos projetos espaciais o seu principal negócio. Em 2013, Kokoritch e seu sócios iniciaram a produção de pequenos satélites de baixo custo em Moscou e no Vale do Silício, nos EUA, além de criarem uma empresa em Munique que está preparando uma plataforma “nuvem” para lidar com os dados de satélites.

No futuro, sua empresa tem expectativa de lançar um App Store cósmico, pelo qual empresários poderão facilmente inventar aplicativos e serviços para consumidores com o uso de imagens de satélites.

Espaço como negócio

Em meados dos anos 1990, empresas privadas começaram a entrar no mercado espacial, passando a empregar componentes utilizados na indústria para a produção de satélites. No fim da década de 2000, chegou a vez dos foguetes e naves espaciais tripuladas. Mas montar um satélite é só a metade do negócio.

Para colocar um satélite em órbita, é necessário ter um veículo lançador, além de arcar com o custo de lançamento, que pode chegar até US$ 100 milhões. Diante dos desafios, os entusiastas do espaço encontraram meios de reduzir os gastos drasticamente. O lançamento associado, por exemplo, é um deles e acontece quando pequenos satélites são levados juntamente com o “grande” e a principal nave espacial.

Outra saída é o lançamento a partir da Estação Especial Internacional (ISS, na sigla em inglês). Ali, os satélites são mandados para a órbita pela abertura de descarte de lixo, ou os cosmonautas saem para espaço aberto e simplesmente empurram o aparelho para o lado.

Ponto de partida

Foi exatamente com o lançamento de satélites que Kokoritch decidiu começar sua conquista do espaço.No Vale do Silício, a Dauria Aerospace se fundiu com uma pequena empresa que produz componentes para pequenos satélites.

Em 2012, a empresa de Kokoritch venceu um licitação da Roscosmos (agência espacial russa) para criação de dois microssatélites destinados à geração de imagens. A soma geral dos contratos fechados e planejados chegam a algumas dezenas de milhões de dólares.


Foto: Kommersant

Entretanto, Kokoritch sabia que produzir satélites para venda não é o negócio mais fácil e lucrativo. Por isso, ele decidiu que a Dauria Aerospace não tem tanto que vender satélites, quanto informação e serviços. Mas para isso é necessário adquirir seu próprio grupo de satélites.

A Dauria Aerospace lançará o seu primeiro satélite em fevereiro de 2014 – o experimental DX-1 –, cuja carga útil é um receptor de sinais AIS, que são transmitidos por todos os navios do mundo.

App espacial

O próximo passo é a criação do grupo de satélites Perseus para geração de imagens. Kokoritch planeja lançar à órbita seis satélites que custam individualmente cerca de $5 milhões. Pequenos satélites, com cerca de 12 kg, chegarão à órbita por meio de um “lançamento associado”.

A função principal dos satélites Perseus é a geração de imagens da Terra em três bandas espectrais. Essas mesmas imagens podem ser conseguidas, por exemplo, com o aparelho americano Landsat. Mas há uma diferença: o Landsat gera imagem da superfície da Terra uma vez a cada 18 dias. O Perseus gerará imagem da terra uma vez ao dia.

Essa nova frequência permitirá descobrir incêndios nas florestas em tempo hábil, rastrear inundações, desmatamento ilegal de florestas e construções. “Na verdade, em termos de eficácia, estamos concorrendo com fotografia aérea, mas podemos conceder dados consideravelmente mais baratos”, garante Kokoritch.

A Dauria Aerospace pretende vender informação através da CloudEO – plataforma “nuvem” para armazenamento e divulgação de informação espacial. “Trata-se de um análogo espacial da App Store”, diz Kokoritch.

Projeto futuro

Outro projeto é o grupo de satélites Pyxis, cujo lançamento está planejado para 2015 e 2016. Os satélites fornecerão internet para regiões árticas da Rússia, Canadá, e países escandinavos.

O Pyxis será lançado em uma órbita elíptica especial, garantindo sinal estável z tais regiões, onde as empresas de petróleo e gás precisam de comunicação.

“Para investir no espaço é preciso gostar do tema. Também são necessários investimentos financeiros sérios e experiência para convencer os investidores. De certa maneira, conosco tudo convergiu”, finaliza Kokoritch.

 

Publicado originalmente pelo Kommersant

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