Governo aprova pacote para socorrer setor metalúrgico

Para sair da crise, a Mechel está assinando contratos a longo prazo com os seus principais clientes – as companhias siderúrgicas Posco, Baosteel e Shasteel Foto: ITAR-TASS

Para sair da crise, a Mechel está assinando contratos a longo prazo com os seus principais clientes – as companhias siderúrgicas Posco, Baosteel e Shasteel Foto: ITAR-TASS

Cofinanciamento e apoio a trabalhadores despedidos evitarão quebra das empresas e protestos sociais.

Após a reunião envolvendo os dirigentes das principais metalúrgicas em operação na Rússia e autoridades nacionais, na semana passada, ficou acertado um auxílio estatal na reestruturação, apoio dos trabalhadores despedidos e cofinanciamento para a preservação das empresas.

As estatais também ajudarão as metalúrgicas a sair da crise, já que serão obrigadas a comprar matéria-prima apenas de empresas nacionais, ainda que os preços possam ser 15% mais elevados do que seus análogos estrangeiros.

Porém, o analista do grupo financeiro BKS, Oleg Pavlóvski, ressalta que as medidas de apoio estatais não serão capazes de melhorar significativamente a situação financeira das holdings.

Principais metalúrgicas na Rússia

Mechel
Empresa russa de mineração e metalúrgica que reúne produtores de carvão, concentrado de minério de ferro, aço e produtos laminados.
Principal acionista: o bilionário Igor Ziuzin

Rusal
Maior produtora mundial de alumínio primário.
Principal acionista: o magnata russo Oleg Deripaska

Evraz
Depois de juntar ativos americanos e ucranianos, tornou-se uma empresa internacional de aço e mineração. É uma das 15 maiores produtoras de aço do mundo.
Principal acionista: Roman Abramovich

“Para conseguirem pagar as dívidas, o mercado mundial tem que mostrar crescimento. Em vez dos atuais US$ 130-134 por tonelada, os indicadores deveriam estar mais perto dos US$ 200”, aponta Pavlovski.

A crise da metalurgia nacional se deve aos preços baixos do metal e aos níveis elevados de endividamento das empresas. No epicentro da crise do setor estão grandes siderúrgicas do país, como Mechel, UC Rusal e Evraz . Em 2012, cada uma dessas empresas gastou, em média, US$ 600 milhões apenas na manutenção de dívidas.

O problema, contudo, não se restringe à Rússia. “Antes da crise, as empresas criavam poder, contavam com conjuntura melhor e demanda maior”, diz Pavlóvski. “Como resultado, construíram unidades de capacidade produtiva que são agora excedentárias.”

A superprodução resultou em uma queda geral dos preços e, como a maioria das matérias-primas russas vai para exportação, o efeito rapidamente atingiu o mercado russo. “Mas a redução da produção e de trabalhadores é inviável para a Rússia de hoje”, diz Pavlóvski, ao citar as saídas usadas por outros produtores mundiais. “O fechamento de fábricas intensificaria tanto a crise econômica, como os protestos sociais.”

A estreita relação entre o Estado e as empresas é uma característica distintiva da economia russa. Os grandes consórcios pertencem a oligarcas que, por sua vez, estão muito próximos do poder.

Nessa relação, o governo apoia os negócios em troca de sua não participação na política ou investimentos em projetos estatais. Paralelamente, o setor recebe encomendas estatais e proteção em caso de crise. “Mas os oligarcas têm preferido retirar os ativos do país, e não definir planos a longo prazo”, alega Pavlóvski.

Autoajuda

Entre as empresas russas que estão sofrendo com os sintomas da crise está o consórcio Mechel. Em 2008, o então primeiro-ministro Vladímir Pútin acusou a empresa de vender matéria-prima no exterior a preços duas vezes mais baixos do que no mercado interno.

Imediatamente após a declaração, a capitalização da Mechel na bolsa de Nova York caiu 37,6% e, desde então, não conseguiu se recuperar. O mínimo histórico foi registrado no último dia 13 de novembro, com redução de 40% no final do pregão.

Para sair da crise, a Mechel está assinando contratos a longo prazo com os seus principais clientes – as companhias siderúrgicas Posco, Baosteel e Shasteel – e já conseguiu ganhar tempo junto dos credores. No entanto, a principal ajuda deverá vir da venda de ativos, dos quais se espera obter um lucro de US$ 1 bilhão.

“Todos os ativos não rentáveis ​​ou aqueles que exigem grandes investimentos para se tornarem rentáveis serão vendidos”, informou a assessoria de imprensa da empresa. O exemplo da Mechel vem sendo seguido pelas metalúrgicas UC Rusal e Evraz.

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