Governo cria fundo para apoiar startups

Apoio às startups faz parte do programa geral de apoio às pequenas e médias empresas Foto: PhotoXPress

Apoio às startups faz parte do programa geral de apoio às pequenas e médias empresas Foto: PhotoXPress

Programa federal aumenta acessibilidade ao crédito para contrabalancear as dificuldades enfrentadas por investidores estrangeiros.

Apesar da prevista redução de 5% nas despesas no orçamento para 2014, o governo vai destinar 70 bilhões de rublos (quase US$ 2,14 bilhões) para o Fundo Especial de Garantia Federal, a fim de garantir empréstimos para pequenas e médias empresas.

“Apesar de todas as dificuldades, continuamos a apoiar as pequenas empresas, principalmente as industriais e de inovação, nomeadamente as startups”, disse o primeiro-ministro russo, Dmítri Medvedev, durante o fórum de investimentos de Sôtchi, no final de setembro.

Para desenvolver uma infraestrutura de apoio às startups, além dos fundos de risco criados pelo governo, as administrações das unidades federativas estão aprovando leis de apoio aos investidores e disponibilizando benefícios fiscais.

A dinâmica dos investimentos em projetos de alto risco é prova de crescimento, segundo os cálculos da Associação Russa de Investimento de Risco (Ravi). Segundo a associação, apenas no ano de 2012 foram feitos mais de 130 investimentos, com um total de aproximadamente US$ 400 milhões.

“Só no primeiro semestre deste ano, apareceram 25 novos players no mercado de investimentos diretos (private equity) e capital de risco (venture capital). O valor dos fundos de risco ultrapassou em mais de três vezes o valor de fundos em investimentos diretos”, aponta a análise do mercado dos investimentos diretos e de risco na Rússia em 2012, elaborada pela Riva.

“O volume do capital acumulado nos últimos anos aumentou em 28% e atravessou a linha dos US$ 26,4 bilhões, o que ultrapassa em quase um terço o indicador análogo de 2011 (US$20,1 bilhões)”, continua o documento.

Negócio da moda

De acordo com o estudo da Russian Venture Company e da PricewaterhouseCoopers, o investimento direto em 2012 gerou em torno de US$910,6 milhões, mais do dobro do que no ano anterior. Nos investimentos de risco apostam empresários bem conhecidos na Rússia, como Yuri Kovalchuk, Viktor Vekselberg e Roman Abramovich.

As estruturas empresariais de Abramovich entraram recentemente no projeto Sape.ru, uma empresa on-line que desenvolveu um sistema de compra e venda de links na internet. Investir em tecnologia de startups tornou-se uma moda cada vez mais praticada por aqueles que fizeram dinheiro em outros segmentos, declarou ao jornal “Vedomosti” o sócio-diretor do Runa Capital, Dmítri Tchikhatchev.

A diretora-geral do Centro Internacional de Inovações, Elena Trofimova, alega que as startups russas têm potencial e, portanto, se mostram extremamente atraentes para os investidores estrangeiros. “Na Rússia existem muitos segmentos que necessitam de inovação, e a experiência de trabalho nas diferentes regiões do país mostra que temos projetos bem interessantes e lucrativos”, diz ela. “A administração de certas unidades federativas tenta criar um clima favorável ao investimento.”

Obstáculos internos

Trofimova acredita que os interesses dos investidores de capital de risco russos e estrangeiros na Rússia divergem. Enquanto os russos estão mais interessados ​​em projetos no domínio do comércio on-line e tecnologias IT, os investidores estrangeiros são mais contidos nesse tipo de projeto. Como a experiência já lhes mostrou que as palavras “IT” e “lucro” não são sinônimos, os projetos infraestruturais gozam de mais popularidade entre os estrangeiros.

O termo startup na Rússia já está severamente comprometido por razões objetivas, aponta o analista do grupo MFKH FIBO Grupo, Anatóli Voronin. “A qualidade de elaboração e preparação da maioria das startups, particularmente no domínio da gestão, é extremamente baixa”, diz ele, acrescentando que isso dificulta a análise e previsão de desenvolvimento dos projetos.

Por outro lado, é bastante difícil encontrar investidores adequados para as startups. “Aqui caímos de novo na situação quando se chocam métodos estatais com métodos de mercado. O governo está tentando criar condições para startups, como, por exemplo, a Skôlkovo, mas ainda de forma ineficiente e desajeitada”, explica Voronin.

“Os fundos do mercado para apoiar as startups têm seus próprios métodos de pesquisa e análise de projetos, que dependem das metas e objetivos dos fundos. Muitas vezes são empresas privadas e fechadas que entram não apenas com dinheiro, mas ajudam também na gestão e na resolução de variadas questões”, expõe o analista.

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