Setor de aviação nacional vai aos céus

Setor interno de aviação comercial vem se recuperando após impacto gerado pela crise pós-URSS Foto: Soon / flickr.com

Setor interno de aviação comercial vem se recuperando após impacto gerado pela crise pós-URSS Foto: Soon / flickr.com

O mercado interno de aviação na Rússia está se expandindo mais rápido do que a média mundial. Os consumidores no maior país da Europa estão agora explorando seu poder aquisitivo, apesar da desaceleração do crescimento econômico global.

A procura interna pelo transporte aéreo cresceu 12% ao ano, segundo dados coletados em setembro. A título de comparação, o aumento global foi de apenas 5% durante o mesmo período, informou um relatório recente da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA, na sigla em inglês).

O setor de voos comerciais da Rússia quadruplicou desde 1998, atingindo quase 60 milhões de passageiros no ano passado, segundo o Banco Mundial.

Paralelamente, a previsão de mercado elaborada pela maior fabricante de aviões do mundo, Airbus, diz que a Rússia será o sexta maior mercado mundial em volume de entrega de novas aeronaves de passageiros nos próximos 20 anos.

“Estamos observando um ambiente mais positivo em relação à demanda de viagens aéreas”, disse Tony Tyler, presidente da IATA, em um comunicado divulgado junto com o relatório da agência. O documento revelou “um performance melhor dos principais mercados emergentes”, incluindo Rússia, China e Índia.

Rumo à Rússia!

O Ministério da Cultura da Rússia apresentou uma proposta de lei que permitiria visitantes de 20 países estrangeiros, incluindo EUA, China e vários membros da União Europeia, a entrar no país sem visto, desde que a viagem dure até 3 dias e o bilhete aéreo seja adquirido com uma companhia área russa. Se aprovada, a medida poderá ser aplicada a 11 aeroportos internacionais, incluindo nas cidades de Moscou, São Petersburgo, Kaliningrado, Sôtchi e outros destinos no Extremo Oriente do país. A expectativa é que a medida impulsione o turismo e as relações comerciais nas maiores cidades russas. Em São Petersburgo, uma medida similar já entrou em vigor para passageiros que chegam por via marítima.

A demanda de transporte área deve ser estimulada pela expansão das economias nos mercados emergentes, bem como pela ascensão da classe média global. A Airbus prevê que o tráfego aéreo interno na China vai superar a demanda nos EUA até 2031.

O relatório da empresa também ressalta que a capacidade de voo na Comunidade de Estados Independentes (CEI), composta pelas ex-repúblicas da União Soviética exceto os países bálticos e a Geórgia, vêm crescendo de forma constante por mais de uma década. “Entre 1998 e 2011, a capacidade de passageiros dentro da CEI apresentou crescimento médio de 9,1% ao ano”, diz o relatório da Airbus.

Por outro lado, o documento produzido pela IATA mostrou elevação de 1,4% no tráfego interno dos EUA, enquanto as companhias aéreas europeias apresentaram um aumento de 3,4%. Já o tráfego interno na China cresceu 10,6% em relação a 2012.

Voando alto

A Rússia se gabava de possuir a maior companhia aérea do mundo, Aeroflot, durante o apogeu da indústria nacional de aviação na época da União Soviética. Isso foi antes da demanda de viagens aéreas e fabricação de aeronaves entrar em declínio, em meio à crise econômica que devastou o país na década de 1990.

Porém, à medida que os preços da energia foram recuperados nos primeiros anos do novo milênio, a Rússia – com suas volumosas exportações de petróleo e gás – testemunhou o ressurgimento da demanda por bens de consumo, desde automóveis a celulares e viagens aéreas.

Embora a previsão de crescimento econômico da Rússia tenha diminuído para 1,8% este ano, refletindo a queda da procura global por matérias-primas russas, os gastos no mercado interno se mostram mais resistentes do que a economia em geral. De acordo com as estatísticas oficiais, o mercado interno apresentou aumento de 3% em setembro e 4% em agosto.

A Aeroflot, que era a transportadora oficial da União Soviética, sobreviveu à crise e consolidou a sua posição como a maior companhia aérea do país. O Estado reduziu a sua participação acionária nesta companhia para 51%, e em 2012 as aeronaves da Aeroflot viajaram para 116 destinos, gerando US$ 8 bilhões em receita.

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