Governo reduz previsão de crescimento econômico até 2030

Economistas sugerem que, embora desaceleração reflita posição mais realista, não há motivos para temer nova estimativa Foto: RIA Nóvosti

Economistas sugerem que, embora desaceleração reflita posição mais realista, não há motivos para temer nova estimativa Foto: RIA Nóvosti

Economistas sugerem que, embora desaceleração reflita posição mais realista, não há motivos para temer nova estimativa. Queda não deve afetar a atividade dos investidores que anseiam por lucros rápidos.

O Ministério do Desenvolvimento Econômico ajustou a previsão de desenvolvimento econômico até 2030, assumindo um comportamento mais negativo e conservador. De acordo com o novo documento, o ritmo do crescimento econômico nos próximos 17 anos será 1,5 vezes menor do que o previsto na primavera passada e deve se manter atrás da média de crescimento da economia mundial.

Porém, diversos especialistas não veem nenhuma prova concreta que confirme a piora drástica da economia russa. “Que a economia passou para um estado de estagnação quase completa, já se sabia em março”, explica Nikolai Kondrachov, pesquisador do Centro de Desenvolvimento da Escola Superior de Economia. “A revisão da projeção reflete o processo de adaptação das previsões do ministério à situação real: a previsão de março [que prometia um crescimento econômico de 4,3%] foi completamente irrealista e se tornou alvo de críticas negativas por economistas independentes”, continua.

Previsão de crescimento da economia russa entre 2014 e 2017

FMI – 3,4%

OCDE – 3,6%

Ministério do Desenvolvimento Econômico da Rússia – 3,3%

A mesma opinião é compartilhada pelo especialista do Grupo de Perícia Econômica (GPE), Aleksêi Baláiev, para quem o cenário conservador é mais consistente com as estimativas das organizações internacionais. “Além disso, a experiência tem demonstrado que, mesmo em caso de evolução favorável da situação econômica, o planejamento orçamentário a longo prazo deve se basear em uma previsão conservadora para reduzir os riscos”, justifica Baláiev. 

O prognóstico negativo do Ministério do Desenvolvimento Econômico é, segundo o economista da Escola Superior de Economia, Nikolai Petrov, uma declaração do novo chefe da pasta, Aleksêi Uliukáiev, para afastá-lo da responsabilidade pelas decisões da liderança anterior. “É como um sinal da necessidade urgente de efetuar reformas fundamentais, sérias e profundas. Talvez seja possível falar de futuras mudanças no governo e o retorno do ex-ministro das Finanças, Aleksêi Kudrin”, diz Petrov.

A possibilidade de mudanças na administração pública é também apontada pelo economista-chefe do Centro de Previsão Econômica do Gazprombank, Maksim Petronevitch. “O próximo passo consiste em finalizar a estrutura do governo. A experiência do ministério no que se refere à melhoria das condições de ambiente empresarial mostra que é possível um pequeno ajuste na administração governamental, apesar de todas as nuances da política russa”, afirma o economista.

A ascensão russa em 20 posições no ranking de Doing Business do Banco Mundial se deve aos esforços concretos e estruturais para mudar o clima empresarial do país, inclusive no que diz respeito à ligação de rede energética e licenças de construção.

Investimento estrangeiro

De acordo com as estimativas do Ministério do Desenvolvimento Econômico, o setor de petróleo e gás deve ultrapassar as marcas de desenvolvimento previsto. No entanto, devido à estagnação do preço do petróleo e da exploração petrolífera, as exportações de petróleo da Rússia não serão uma fonte tão poderosa de crescimento econômico global como eram antes da crise de 2009.

Apesar de a previsão apontar para diminuição do investimento estatal e estrangeiro, os analistas acreditam ser pouco provável que venha a afetar a atividade dos investidores que anseiam por lucros rápidos.

Quanto aos investimentos de longo prazo, a baixa inflação prevista deve exercer um papel fundamental. Pela previsão atual, a alteração cumulativa do nível dos preços ao consumidor entre os anos de 2013 e 2030 foi revista com baixas de até 25%.

“Essas previsões serão obrigatoriamente levadas em conta no planejamento dos investimentos pelos escritórios centrais das grandes empresas internacionais – ao que tudo indica, já em 2015-2016 – embora as soluções específicas, continuem em muitos aspectos a serem determinadas pelos parâmetros de projetos de investimento”, diz Petronevitch, do Gazprombank.

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