Rússia promove diálogo com investidores islâmicos

A ideia principal do fórum foi uma discussão dos mitos e estereótipos que impedem que o Tartaristão e a Rússia desenvolvam o seu potencial de investimento Foto: Shutterstock

A ideia principal do fórum foi uma discussão dos mitos e estereótipos que impedem que o Tartaristão e a Rússia desenvolvam o seu potencial de investimento Foto: Shutterstock

No início de outubro, os participantes 5ª Cúpula Econômica Internacional da Rússia e dos países da Organização de Cooperação Islâmica discutiram uma série de temas, como o comércio global, investimento, finanças islâmicas e recursos humanos.

No início de outubro, a capital do Tartaristão, Kazan, sediou a 5ª Cúpula Econômica Internacional da Rússia e dos países da Organização de Cooperação Islâmica (OIC, na sigla em inglês). O evento deste ano foi dedicado ao desenvolvimento da cooperação em comércio e investimento e contou com a presença de 700 participantes de 43 países, incluindo Emirados Árabes Unidos, Catar, Arábia Saudita e Bahrein.

Durante dois dias, os participantes discutiram uma série de temas, como o comércio global, investimento, finanças islâmicas e recursos humanos. No entanto, a ideia principal do fórum foi uma discussão dos mitos e estereótipos que impedem que o Tartaristão e a Rússia desenvolvam o seu potencial de investimento.

Os participantes prestaram atenção especial a uma seção chamada "Investimento na Rússia: Novos Horizontes". Representantes das empresas estrangeiras que já abriram ou pretendem abrir um negócio no Tartaristão (especialmente na zona econômica especial chamada Alabuga) compartilharam suas experiências.

Os participantes sublinharam a favorável situação logística do Tartaristão e a qualidade dos seus recursos humanos.

Em entrevista à Gazeta Russa, os visitantes disseram que a principal vantagem do Tartaristão é o apoio recebido das autoridades locais. Olivier Lomer, da Rockwood Russia, diz que nunca encontrou um governo regional tão interessado em promoção de negócios.

Outro tema importante com relação direta com os investimentos dos países islâmicos foi o incremento das finanças islâmicas na Rússia. Durante o evento, a Thomson Reuters apresentou um plano para a criação de um centro de finanças islâmicas no Tartaristão, região de maioria muçulmana, até 2018.

Os participantes da cúpula declararam que os principais obstáculos para o desenvolvimento das finanças islâmicas na Rússia é a falta de profissionais, o baixo nível de consciência pública, a demanda limitada e as dificuldades de adaptação da legislação das finanças islâmicas à regulação russa.

"Os princípios e mecanismos do sistema bancário islâmico não correspondem à legislação russa", disse o vice-diretor do Conselho da Federação da Rússia, Ilias Umakhanov. "Por isso, decidimos criar um grupo de trabalho para introduzir mudanças na legislação russa que ajudarão a desenvolver finanças islâmicas", completou Umakhanov.

As "smart cities” (cidades inteligentes) foram o principal tema da Cúpula de Kazan neste ano. O Tataristão lançou dois novos projetos para a construção de cidades desse tipo: Smart City Kazan e Innopolis.

De acordo com as autoridades locais, essas cidades satélites da capital não só proporcionarão uma qualidade melhor de vida para os moradores, mas também se tornarão centros de alta tecnologia.

Durante a cúpula, foram assinados três acordos para investimento no Smart City Kazan com um valor total de US$ 951 milhões. O mais importante foi o acordo para o desenvolvimento da propriedade comercial, assinado pela Agência de Desenvolvimento de Investimentos da República do Tataristão e a Empresa de Investimentos do Golfo do Tataristão, criada com a participação de capital do Catar. O valor total desse contrato ultrapassou US$ 700 milhões.

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