Rússia é líder entre os Brics em ranking do Banco Mundial

País saltou 20 posições em relatório sobre facilidade para fazer negócios Foto: ITAR-TASS

País saltou 20 posições em relatório sobre facilidade para fazer negócios Foto: ITAR-TASS

País saltou da 112ª para a 92ª posição no ranking que mede a facilidade de se fazer negócios em 189 países, produzido pelo Banco Mundial. Iniciativas de reforma e melhorias generalizadas no acesso à eletricidade foram apontadas pelo organismo internacional como propulsores do desenvolvimento russo.

Os resultados aproximam o país da meta que o presidente Vladímir Pútin estipulou para a Rússia. De acordo com o líder, o país deve passar do 120º para o 20º lugar até 2018, por meio de um pacote de medidas destinado a reduzir a burocracia. Os resultados recentes no Banco Mundial mostram os primeiros sinais concretos de sucesso das iniciativas.

A Rússia superou a China, posicionada em 96º lugar, e colocou o país à frente de todos os seus pares emergentes no Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). O Brasil subiu dois degraus para 116º lugar, enquanto a Índia caiu três posições para 134a. As melhorias observadas foram resultado de um “enorme esforço de reformas”, disse Rita Ramalho, economista do Banco Mundial, citada pelo “Financial Times”.

Energia e fronteiras

A Rússia obteve progressos significativos em acesso à energia elétrica, saltando 71 posições nessa categoria. O país também avançou 29 lugares em facilidade de registro de propriedade. Seus setores mais frágeis permaneceram a obtenção de alvará para construção (178º lugar) e comércio internacional (157º).

Oleg Budargin, presidente da FGC UES (Rede Federal de Sistemas de Energia Unificados), observou que, em termos de confiabilidade do setor elétrico, medida pelo número de interrupções no serviço, a Rússia já vinha superando muitos países desenvolvidos. Essas quedas de energia na Rússia duram, em média, 0,9 hora, contra 1,7 horas na Europa e 3,3 horas no resto do mundo.

“Reduzimos em três vezes o custo de uma ligação elétrica, de 9.500 rublos em 2009 para 3.000 rublos [US$ 93] hoje em dia. Isso levou a um subsequente aumento do número de conexões para 416 mil em 2012”, aponta Budargin.

O vice-diretor do Serviço Aduaneiro Federal da Rússia, Ruslan Davidov, garante que os dados do estudo foram coletados em março e que os indicadores relativos ao comércio internacional apresentarão uma melhoria expressiva no índice do próximo ano.

Aleksêi Komissarov, chefe do Departamento de Moscou para a Política Industrial e Empreendedorismo, expressou satisfação pelo progresso obtido até então. “Em Moscou, criamos um posto aduaneiro especial para equipamentos de alta tecnologia, que permite que os aparelhos sejam importado em seis horas em vez de vários meses, como ocorria anteriormente. É muito importante para a cidade atrair empresas de alta tecnologia.”

União Eurasiática

Uma série de especialistas apontaram que o espaço econômico comum da Rússia com os vizinhos da Bielorrússia e Cazaquistão – prestes a entrar em operação plena em 2015 – poderia levar as empresas a investir em toda região, em vez de priorizar a Rússia, tirando maior proveito dos 170 milhões de habitantes que compõem esse mercado consumidor.

A Bielorrússia ficou em 63º lugar no estudo do Banco Mundial este ano, enquanto o Cazaquistão obteve a 50a posição. O presidente cazaque Nursultan Nazarbaev sugeriu recentemente a expansão da União Eurasiática a países como Turquia e Armênia.

“Não sei de nenhuma grande empresa que tenha se transferido da Rússia para um desses países desde que a União Aduaneira [que antecedeu a União Econômica Eurasiática] entrou em vigor”, rebate Aleksandr Ivlev, sócio-diretor da Ernst & Young na Rússia. “Há no país uma classe média crescente, e nosso sistema tributário atende aos padrões dos investidores internacionais.”

Evolução do diálogo

“O trabalho mais fácil ficou para trás”, afirma Andrêi Nikitin, chefe da Agência de Iniciativas Estratégicas, órgão encarregado de desenvolver e implementar roteiros para cumprir a ambiciosa meta de Pútin. “Precisamos garantir que todas essas mudanças positivas estão sendo refletidas nas regiões, e não apenas em Moscou, onde os dados do Banco Mundial são coletados”, diz ele.

Um estudo realizado pela UBS AG e Campden Research no início deste ano registrou que o excesso de regulamentação e corrupção praticamente não melhoraram desde 2012. “Por isso é muito cedo para comemorar, devemos ficar cautelosamente otimistas”, acrescenta Nikitin.

Segundo ele, os investidores estrangeiros não vão resolver todos os problemas e, por isso, é preciso criar um ambiente onde os empresários russos invistam na produção, em vez de apenas recolher os dividendos. “Mas o diálogo mudou em relação ao ano passado”, garante. “Não estamos mais debatendo se é necessário melhorar o clima de negócios ou não, mas a realização de políticas específicas para chegar lá.”

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