Mercado de cerveja na Rússia encolherá 30% em seis anos, prevê união de produtores

Em 2008, o governo russo começou a endurecer a regulação da produção de cerveja: começou a proibir a publicidade inicialmente na televisão e no rádio e depois também na internet Foto: Lori / Legion Media

Em 2008, o governo russo começou a endurecer a regulação da produção de cerveja: começou a proibir a publicidade inicialmente na televisão e no rádio e depois também na internet Foto: Lori / Legion Media

De acordo com os dados União dos Produtores de Cerveja, no próximo ano a produção deverá cair para patamar entre 7,65 bilhões de litros e 8,2 bilhões de litros.

"Até o final de 2014, o mercado de cerveja russo vai diminuir entre 25% e 30% em comparação com o tamanho de 2008", afirma Isaak Sheps, presidente da União dos Produtores de Cerveja da Rússia, que reúne a maioria dos produtores de cerveja do país, e ex-presidente do Grupo Carlsberg na Europa Oriental.

Em 2008, a produção de cerveja na Rússia ultrapassou 10,93 bilhões de litros. De acordo com os dados União dos Produtores de Cerveja, no próximo ano a produção deverá cair para o patamar de 7,65 bilhões de litros a 8,2 bilhões de litros.

Durante os primeiros oito meses de 2013,  a produção de cerveja caiu 10% em comparação com o mesmo período de 2012. 

As empresas de cerveja não revelam seus dados sobre a Rússia e mostram apenas os resultados para a Europa Oriental. 

De acordo com os resultados da AB InBev, durante os primeiros seis meses deste ano, as vendas na Europa Oriental caíram 13,1%. 

Os grupos Efes e SAB Miller também não revelam o declínio nas vendas, principalmente devido à diminuição do consumo na Rússia. 

As receitas da Carlsberg na Europa Oriental caíram 1%, para US$ 1,6 bilhões, enquanto as vendas aumentaram ligeiramente, em 3%, até 2,19 bilhões de litros. 

A Heineken também informou sobre a diminuição dos ganhos na Europa Oriental. Durante a primeira metade de 2013, a empresa faturou US$ 1,697 bilhões, 3,8% menos do que no mesmo período do ano anterior.   

Em 2008, o governo russo começou a endurecer a regulação da produção de cerveja: começou a proibir a publicidade inicialmente na televisão e no rádio e depois também na internet. Também foi proibida a venda de cerveja em quiosques. 

Em 1º de julho de 2013, foi introduzida uma regra que obrigada todos os produtores de cerveja a instalar dispositivos eletrônicos que calculam o volume de produção. Além disso, os impostos sobre a produção de bebidas alcoólicas foram aumentados.

As reações dos produtores à diminuição das vendas são ambíguas. 

De acordo com a diretora corporativa da Heineken na Rússia, Anna Meléchina, a empresa insiste na melhoria da qualidade das suas marcas. A empresa acabou de lançar a marca Amstel Premium Pilsner e pretende manter essa estratégia. 

O diretor de vendas o grupo Ochakovo, Vladímir Efremov, afirma que a empresa investirá no lançamento de novas marcas de cerveja de alta qualidade, cujo consumo não se reduz tão rapidamente. Neste ano, a Ochakovo lançou uma marca desse tipo e planeja continuar com essa estratégia no futuro. Efremov acrescentou que a Ochakovo não planeja reduzir o custo de produção para equilibrar os preços devido ao aumento de impostos.

De acordo com o diretor das relações externas da Efes, Kirill Bolmatov, a empresa vai se opor às mudanças introduzidas pelo governo russo e que podem aumentar o custo de produção de bebidas.

“No entanto, é muito difícil enfrentar o aumento dos impostos e as restrições de consumo”, diz Bolmatov. 

 

Publicado originalmente em russo pelo jornal Vedomosti

Todos os direitos reservados por Rossiyskaya Gazeta.