Fortes na Rússia, mercados de roupa na rua começam a perder espaço para redes varejistas

O segmento de roupas femininas se tornou tema da pesquisa por ter uma fatia de mercado de 60%, cabendo os restantes 40% às roupas masculinas e infantis Foto: PhotoXPress

O segmento de roupas femininas se tornou tema da pesquisa por ter uma fatia de mercado de 60%, cabendo os restantes 40% às roupas masculinas e infantis Foto: PhotoXPress

Para a maioria dos russos, os mercados de roupas continuam atraentes e, por vezes, são o único lugar acessível para a compra de roupas, mas redes varejistas começam a investir pesado em diversas regiões do país, apontam especialistas.

Segundo um estudo da empresa INFOLine, o varejo de rua de vestuário abocanha cerca de 50% de todas as vendas de roupas na Rússia. Embora os mercados de rua de vestuário estejam cedendo suas posições mais devagar do que seus congêneres especializadas no varejo de outros bens de consumo, as redes varejistas estão começando a atrair cada vez mais atenção do consumidor.

A moscovita Rita Gonthcharova tem três filhos e ficou muito decepcionada ao saber que um dos maiores mercados de roupa de Moscou, o de Tcherkízovski, onde costumava fazer compras  para sua família, encerrou as atividades em 2009. Sua decepção foi compartilhada por muitos moscovitas. Segundo uma pesquisa realizada em 2009 pela SuperJob, o fim do mercado de Cherkízovski, popularmente conhecido como Tcherkizón, anexo ao estádio do Lokomotiv, foi um dos eventos mais marcantes daquele ano para os moradores da capital russa. Hoje, Rita compra roupas em lojas multimarcas de baixo custo. Não há mercados de roupas dignos de uma visita perto de sua casa, diz ela.

“Se o Tcherkizón retomasse suas atividades, não hesitaria em voltar a fazer compras lá”.

Para a maioria dos russos, os mercados de roupas continuam atraentes e, por vezes, são o único lugar acessível para a compra de roupas. Um levantamento feito pela empresa INFOLine sobre o mercado de vestuário feminino mostra que a maioria das russas prefere comprar roupas em mercados de rua. Quase metade das vendas de roupas femininas, 46%, está concentrada no varejo espontâneo de vestuário. Mais de 20% são abocanhados por lojas multimarcas e apenas cerca de 19%, pelas redes varejistas.

O segmento de roupas femininas se tornou tema da pesquisa por ter uma fatia de mercado de 60%, cabendo os restantes 40% às roupas masculinas e infantis. Conforme explica o diretor-geral da INFOLine, Ivan Fediakov, uma família média russa gasta com a compra de roupas masculinas o dinheiro que sobra no orçamento familiar. Nos últimos anos, embora as redes de varejo de roupas masculinas apresentem um crescimento significativo, esse segmento ainda é pequeno. Os pesquisadores chamam a atenção para o fato de não ser raro o varejo oferecer preços mais baixos do que as feiras de rua no segmento de preços baixos e médios. Por exemplo, no segmento de preços baixos, os preços nos mercados de rua são 15% a 20% mais altos do que nas lojas das redes Oodji, Sela, Gloria Jeans, Jennyfer.

Mesmo assim, os participantes do mercado seguem otimistas e confiantes de que, em um futuro próximo, conseguirão inverter a situação.

"Em um  passado recente, o consumidor provincial não tinha escolha de onde fazer compras e se via obrigado a ir ao mercado de rua, apesar da chuva, do frio ou do calor", diz a presidente da empresa Finn Flare, Ksênia Riásova. Segundo ela, a falta de instalações comercias de qualidade em regiões periféricas do país inibia a tendência de saída do consumidor dos mercados de rua patenteada havia muito tempo. Hoje em dia, os varejistas registram uma dinâmica positiva no desenvolvimento de imóveis comerciais em várias regiões do país.

"Os desenvolvedores já estão mirando as cidades com população a partir de 100 mil habitantes. As obras de construção que foram paradas estão sendo retomadas. Prevemos o aumento do número de estabelecimentos comercias em regiões interioranas do país no período entre 2013 e 2015", disse Riásova.

Além disso, os desenvolvedores estão interessados ​​em grandes operadores de varejo de nível federal e internacional. Um grande operador tem a possibilidade de concretizar profissionalmente seus projetos e atrair para seus centros comerciais o maior número possível de clientes.

"Os atacadistas que operam nos mercados de rua entendem que o comércio de roupas em barracas deixa de ser atrativo para a população. Por isso, estão tentando se fixar em grandes centros comerciais", adianta Ksênia Riásova.

"É óbvio que uma barraca de roupas com um letreiro como Celidônia ou Hortênsia não é competitiva entre as lojas de marcas famosas. Evidentemente  que os preços oferecidos por uma loja de marca famosa serão mais atrativos para o comprador, já que ele tem mais confiança em uma marca famosa do que em uma loja sem nome", acrescenta Riásova.

Dária Iádernaia, diretora da empresa de consultoria Esper Group, confirma que as regiões da Rússia estão vivendo um surto de crescimento do mercado de imóveis comerciais.

"Há dez anos, era difícil competir com os mercados de rua porque o consumidor estabelecia relações pessoais com vendedores e tinha confiança em suas mercadorias", explica a especialista. "Atualmente, o consumidor revela uma atitude mais racional. Ele escolhe uma loja que ofereça um bom preço, um bom atendimento ao cliente, a possibilidade de devolução da peça comprada e de prova de roupa, uma boa iluminação e ajuda de um assistente de vendas", concluiu Iádernaia.

 

Publicado originalmente pelo RBC Daily 

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