Yandex cria índice para medir a inflação na internet

Índice reflete a dinâmica dos preços nos 10 bens de consumo mais cobiçados pelos consumidores on-line Foto: ITAR-TASS

Índice reflete a dinâmica dos preços nos 10 bens de consumo mais cobiçados pelos consumidores on-line Foto: ITAR-TASS

Em parceria com a agência de notícias Interfax e a Escola Superior de Economia, maior buscador da russo desenvolveu sistema que vai ajudar a monitorar variação do mercado.

Desenvolvido por especialistas da Escola Superior de Economia, o índice utiliza dados sobre as visitas às lojas on-line feitas a partir do Yandex.Market, como mercadoria, preço médio por semana e número de acessos semanais. O indicador será calculado a partir de dados do sistema Yandex.Market, que acumula informações provenientes da maioria das 13 mil lojas de comércio eletrônico do país.

No momento, o índice reflete a dinâmica dos preços nos 10 bens de consumo mais cobiçados pelos clientes do comércio on-line: telefones celulares, tablets, laptops, televisores, máquinas fotográficas, geladeiras, panelas multifuncionais, relógios de pulso, discos rígidos e dispositivos de armazenamento de dados, máquinas de lavar roupas.

“Estamos certos de que nossos dados são mais representativos do que os medidores atuais, porque o Yandex.Market possui uma extensa coleta de dados”, diz o diretor do serviço de projetos virtuais da agência de notícias Interfax, Aleksandr Kiátkin, que também participou do desenvolvimento do índice. “Em um futuro próximo, serão adicionados novos itens à lista de bens envolvidos no cálculo do índice como eletrodomésticos e utensílios de casa”, acrescentou.

O índice não considera, entretanto, as mudanças decorrentes do surgimento de novos modelos de mercadorias no mercado nem a variação dos preços dos modelos que surgiram recentemente no mercado ou se tornaram obsoletos.

Índice do Google

Há três anos, a direção do Google anunciou ter desenvolvido seu próprio sistema estatístico para medir a inflação a partir da variação dos preços no comércio eletrônico no Reino Unido e nos EUA. A ideia era coletar e atualizar os dados econômicos mais rápido do que as entidades de estatística oficiais. Porém, as informações sobre a técnica de cálculo e os valores do índice não foram divulgados.

Para os economistas, o índice de preços na internet pode ser útil na medida em que ilustra a variação da demanda do consumidor em situações semelhantes à vivida no final de 2008, quando os russos pressionados pela expectativa de desvalorização da moeda nacional se livravam de suas poupanças em rublos comprando eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos.

“Antes, os economistas não tinham dados sobre a distribuição da demanda por semanas”, aponta Ígor Peskov, economista do Centro de Análise e Previsão Macroeconômica a Curto Prazo. Para que o índice de preços na internet possa ser usado para a elaboração de modelos e previsões macroeconômicos, serão necessários dados referentes a um período de pelo menos dois anos, acredita o especialista.

Os preços da maioria desses produtos em lojas tradicionais são monitorados pelo Serviço Federal de Estatística (Rosstat). Segundo o órgão oficial, os preços das máquinas fotográficas caíram, em média, 0,76% desde o início de 2013, enquanto os  laptops registram uma queda de preço de 1,5% e os telefones celulares, 1,4%. Já nas lojas virtuais, a queda dos preços é mais acentuada: os preços das câmaras digitais diminuíram 2%, os laptops se tornaram 2,55% mais baratos, os telefones celulares, 2,6%. 

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