Rússia pode criar centro para receber investidores islâmicos

A escolha de Kazan como centro de investimentos islâmicos é bastante compreensível. O Tartaristão acumulou uma experiência considerável em projetos internacionais e estabeleceu contatos com investidores de países muçulmanos Foto: serviço de imprensa

A escolha de Kazan como centro de investimentos islâmicos é bastante compreensível. O Tartaristão acumulou uma experiência considerável em projetos internacionais e estabeleceu contatos com investidores de países muçulmanos Foto: serviço de imprensa

Reuters estima que durante os próximos cinco anos os países da CEI obterão cerca de US$ 28 bilhões de dólares de investimento da Malásia e dos países do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo.

A Agência de Desenvolvimento de Investimos do Tartaristão (ADI RT) e a agência Thomson Reuters desenvolveram um plano de cinco anos para a criação de um centro regional de finanças islâmicas na Rússia e nos países da CEI (Comunidade dos Estados Independentes) em Kazan.

A Reuters estima que durante os próximos cinco anos os países da CEI obterão cerca de US$ 28 bilhões de dólares de investimento da Malásia e dos países do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo. A criação de um banco regulatório regional em Kazan visa coordenar os fluxos financeiros.

De acordo com as informações do serviço de imprensa do ADI RT, "o principal objetivo do projeto é promover o desenvolvimento das finanças islâmicas na Federação Russa para fornecer uma alternativa aos bancos tradicionais, não só para os muçulmanos, mas para todos os russos”.

Algo semelhante acontece no Reino Unido, onde os 70% dos mutuários dos bancos islâmicos não são muçulmanos. Além disso, os instrumentos financeiros islâmicos são uma fonte de investimento dos países muçulmanos. 

De acordo com o plano, a criação do centro exigirá US$ 11 milhões de investimento em programas de educação, aconselhamento, ensino, entre outros.

A escolha de Kazan como centro de investimentos islâmicos é bastante compreensível. O Tartaristão acumulou uma experiência considerável em projetos internacionais e estabeleceu contatos com investidores de países muçulmanos. 

Kazan recebeu grandes eventos internacionais dedicados aos negócios e às finanças islâmicas. A ajuda e o aumento do investimento serão as principais questões da próxima Cúpula Internacional de Economia da Rússia e dos países da Organização da Cooperação Islâmica, que será realizada em outubro de na capital do Tataristão.

De acordo com especialistas, existem razões econômicas e geopolíticas para o interesse dos investidores islâmicos na Rússia. Segundo o presidente da organização italiana ASSAAIF, Alberto Brugnoni, os investidores muçulmanos simplesmente não podem ignorar a Rússia.

“As dimensões da Rússia, as matérias-primas, o tamanho da população muçulmana e a proximidade a vários países muçulmanos estratégicos na Ásia Central tornam o país o centro para investidores islâmicos", diz Brugnoni. 

"O tamanho potencial do mercado financeiro islâmico na Rússia é de apenas 10%, enquanto cerca de 15% da população da Rússia é composta de muçulmanos. De acordo com estimativas, em 2050, mais de 30% da população russa será de muçulmanos. O retorno dos muçulmanos para a sua religião e um crescente desejo de viver e trabalhar de acordo com os princípios do Islã darão um novo impulso aos instrumentos financeiros islâmicos", completa Brugnoni.

No entanto, alguns especialistas não estão convencidos de que todos os planos ambiciosos da criação do centro em Kazan podem ser implementados. De acordo com o chefe do Departamento de Investigação Econômica do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia, Aleksandr Akimov, a ideia de criar um centro das finanças islâmicas não é nova, surgiu há cinco anos, mas não foi desenvolvida. “Existe a possibilidade de que as finanças islâmicas sejam usadas não apenas para criar novos projetos, mas também para a compra de ativos existentes”, diz Akimov. 

Segundo os especialistas, o primeiro setor a receber novos investimentos é o da infraestrutura e do petróleo. “As finanças islâmicas estão rigorosamente ligadas à economia real. Foi estimado que a Rússia precisa de mais de US$ 1 bilhão de investimentos em infraestrutura durante os próximos dez anos. As finanças islâmicas se encaixam perfeitamente nessas quantidades", completa Brugnoni.

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