Autoridades russas apertam o cerco contra carteis no país

O outro cartel que afetou os usuários foi criado pelos operadores de celular Beeline e MTS. Os dois principais operadores russos começaram a vender aparelhos iPhone com o mesmo preço em todas as regiões da Rússia Foto: ITAR-TASS

O outro cartel que afetou os usuários foi criado pelos operadores de celular Beeline e MTS. Os dois principais operadores russos começaram a vender aparelhos iPhone com o mesmo preço em todas as regiões da Rússia Foto: ITAR-TASS

Descoberta de carteis em diversas áreas da indústria russa nos últimos anos mostra a importância do trabalho desenvolvido pelo Serviço Antimonopólio Federal da Rússia (FAS, na sigla em russo).

Durante os últimos 15 anos uma série de grandes carteis foi criada na indústria química russa, o que mostra a importância do trabalho desenvolvido pelo Serviço Antimonopólio Federal da Rússia (FAS, na sigla em russo).

"A ideia de criar um cartel surgiu em 2000. As empresas entenderam que era muito vantajoso dividir o mercado da soda cáustica. Cada uma dos compradores deve trabalhar com apenas um produtor. Cada vendedor tem um parque de cisternas para o transporte de soda”, diz o diretor do FAS, Andrei Ténichev.

A Procter & Gamble, por exemplo, com produção na região de Tula, perto de Moscou, tinha de comprar soda da região de Irkutsk, na Sibéria oriental, enquanto a empresa Rússki Aliumíni, que tem fábricas na Sibéria, tinha de comprar na região central da Rússia. 

"O trabalho do FAS é achar os carteis e multar as empresas que participam dos acordos ilegais. As empresas ligadas à venda de soda pagaram uma multa de US$ 50 milhões", diz Ténichev.

Na maioria das vezes os carteis surgem no mercado devido à falta de concorrência.

Cartel é um acordo explícito ou implícito entre concorrentes para, principalmente, fixação de preços ou cotas de produção, divisão de clientes e de mercados de atuação ou, por meio da ação coordenada entre os participantes, eliminar a concorrência e aumentar os preços dos produtos, obtendo maiores lucros, em prejuízo do bem-estar do consumidor.

"Nas condições da ausência de concorrência é muito fácil entrar em contato com todas as empresas que atuam na indústria. Por exemplo, os produtores de perfis para janelas dividiram o mercado em 2009, mas quando os produtores estrangeiros entraram no mercado russo, o cartel deixou de existir”, diz Ténichev.

O outro cartel que afetou os usuários foi criado pelos operadores de celular Beeline e MTS. Os dois principais operadores russos começaram a vender aparelhos iPhone com o mesmo preço em todas as regiões da Rússia. As duas empresas foram multadas em mais de US$ 1 milhão por esse acordo de preços. 

Em geral, as empresas estrangeiras não criam carteis no mercado russo. No entanto, as multas no país são muito menores do que na União Europeia, calculadas como uma porcentagem da renda ilegal. Na Rússia, esses valores são menores do que na União Europeia. 

Em 2012, por exemplo, os participantes dos dois carteis de produtores de monitores Philips, LG Electrics e Samsung foram multados na União Europeia em US$ 2 bilhões. 

Embora na Rússia a renda dos carteis seja menor do que na Europa, o número de acordos ilegais é significativamente maior.

"Na Rússia, há mais carteis do que nos países desenvolvidos. Temos muitos mercados locais fechados com carteis pequenos. Por exemplo, os motoristas de táxi que trabalham em um aeroporto tem acordos de preços internos", diz Ténichev.

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