Como a indústria de joias pode melhorar a imagem da Rússia

Em 1996, o colar Esfinge de Gizé, de Elena Opaleva, ganhou o “Diamonds International Awards”, uma espécie de Oscar da joalheira mundial Foto: Press Photo

Em 1996, o colar Esfinge de Gizé, de Elena Opaleva, ganhou o “Diamonds International Awards”, uma espécie de Oscar da joalheira mundial Foto: Press Photo

País pretende recuperar sua posição como um dos maiores centros internacionais de joalharia, a exemplo da época do famoso Peter Carl Fabergé. Esse será um dos temas centrais do Fórum Econômico Internacional do setor joalheiro, que será realizado no dia 13 de setembro em Moscou.

A diretora-geral do Centro Nacional de Coleção de Obras de Arte, Galina Anânina, diz as que obras de joalheiros fazem parte da cultura russa desde o sucesso da indústria nacional na Primeira Exposição Internacional de Trabalhos de Joalheria em Londres, em 1851.

Nos últimos 20 anos, porém, a indústria joalheira russa teve uma nova série de conquistas importantes, resgatando e até ultrapassando muitas das técnicas antigas. Prova disso são utensílios do culto criados para a Catedral de Cristo Salvador.

Os melhores trabalhos da indústria joalheira russa têm sido expostos em mostras internacionais prestigiadas de joias e relógios em Vicenza, Basileia, Berlim e Hong Kong. 

Em 1996, o colar Esfinge de Gizé, de autoria de Elena Opaleva, ganhou o prêmio “Diamonds International Awards”, o Oscar da joalheira mundial concedido pela De Beers. Neste ano, o joalheiro russo Ilguiz Fazulzianov venceu, pela segunda vez consecutiva, o Grande Prêmio e o título de Vencedor dos Vencedores no concurso internacional de joias International Jewellery Design Excellence Award, em Hong Kong. 

Atualmente, os principais centros da indústria joalheira russa são Moscou, São Petersburgo, Kostroma e Iaroslavl. Além disso, diamantes e joias da Iakútia e dos Urais também são internacionalmente conhecidos. 

 

Foto: serviço de imprensa

Segundo Anânina, os cidadãos russos comuns não têm, muitas vezes, a possibilidade de conhecer obras-primas da joalheria e ourivesaria russa. “Como resultado, ficam com a impressão de que os joalheiros nacionais só produzem anéis e correntes”, diz.

As obras exclusivas representam 20% da gama de produtos das empresas joalheiras russas. Os restantes são produtos destinados aos consumidores com renda média e baixa.

A diretora-executiva da Associação dos Fabricantes de Brilhantes e Joias da Iakútia, Tatiana Kirbásova, também fala da reativação do setor joalheiro do país. “Na Iakútia, a mineração de diamantes tem raízes antigas. No pós-soviético, a indústria local foi reativada graças ao investimento privado e conta atualmente com o apoio do Estado”, diz ela.

Paralelamente, Kirbásova assinala a necessidade de medidas adicionais para assegurar o funcionamento estável do setor. “Na Iakútia, a mão de obra e recursos energéticos são caros. A mineração subterrânea de diamantes adotada pela empresa Alrosa (a maior produtora de diamantes do país) também é dispendiosa”, conta a diretora da associação, acrescentando que a indústria de lapidação está estagnada, acrescenta.

Outro problema do setor é o quadro jurídico-institucional herdado da extinta União Soviética. Vassíli Vlasov, presidente do Conselho para a indústria diamantífera junto ao governador da Iakútia, ouvido pela Gazeta Russa, explica que desde 2003 os metais e pedras preciosas deixaram de ter um valor cambial especial e, como na União Soviética, se tornaram uma mercadoria comum. “Para iniciar a produção de joias, é preciso equipar devidamente suas instalações, ou seja, colocar grades de segurança nas janelas, cofres de concreto, portas de segurança, etc. Tudo isso aumenta o preço do produto final”, diz.  “O Código Penal mantém ainda as restrições antigas às operações com metais e pedras preciosas.”

Outro desafio para o setor são os impostos altos. “Só vendemos diamantes para o exterior”, comenta Kirbásova. Todas as esmeraldas, safiras, alexandritas são importadas e taxadas a 33% de seu valor. Com tudo isso, o custo de produção de diamantes na Rússia acaba sendo elevado.

“Assim, a produção de diamantes pequenos, mais cobiçados no mercado, é desvantajosa”, desabafa Vlasov. Há também problemas com as vendas internas. Por exemplo, a empresa Alrosa vende diamantes a seus parceiros estrangeiros sem o IVA, agregando, contudo, esse imposto ao valor dos diamantes nas vendas internas.

Um dos objetivos do Fórum Econômico Internacional do setor joalheiro é atrair a atenção para os problemas do setor. O evento contará com a participação de representantes da Confederação Internacional do Setor de Gemas, Joias e Afins (CIBJO), dirigentes de Associações Nacionais dos Joalheiros de outros países, representantes de empresas joalheiras russas, empresas de investimento, casas de leilões, galerias, além de  renomados críticos de arte especializadas em obras de joalheira e ourivesaria.

Organizado pela Associação dos Joalheiros da Rússia, o futuro evento se insere no contesto das comemorações dos 100 anos da fundação da União dos Joalheiros da Rússia. No âmbito do Fórum, haverá um baile de joias beneficente no dia 14 de setembro, além da exposição “Arte da Joalheria da Rússia: tradição e atualidade” e a apresentação das medalhas dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 em Sôtchi. 

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