Bancos nacionais ignoram a recessão

Sberbank pagou US$ 6,3 milhões para os membros de sua diretoria, contra os US$ 5,5 milhões no ano passado Foto: Reuters

Sberbank pagou US$ 6,3 milhões para os membros de sua diretoria, contra os US$ 5,5 milhões no ano passado Foto: Reuters

Maiores bancos estatais da Rússia aumentaram consideravelmente os salários dos seus respectivos diretores. Banqueiros estatais parecem seguir a lógica de Aleksêi Uliukaev, ministro do Desenvolvimento Econômico, de que “não há nem haverá recessão”. Porém, problemas orçamentais ameaçam a capacidade de crescimento do país.

O maior banco estatal da Rússia, Sberbank, disponibilizou US$ 6,3 milhões para remuneração dos 14 membros de sua diretoria, contra US$ 5,5 milhões no ano passado.

Mais generoso ainda foi o VTB, que aumentou em 5,8 vezes os salários dos 9 diretores da instituição, passando do total de US$ 8,3 milhões, em 2012, para US$ 48,1 milhões de rublos este ano.

O bom desempenho em 2012 também fez com que o terceiro maior banco do país, Gazprombank, reforçasse a remuneração dos seus 20 diretores em 5 vezes, sobretudo por causa dos bônus acumulados.

Paralelamente, os relatórios trimestrais do VTB demonstraram que o lucro líquido do banco sofreu uma queda de quase 40% em termos anuais. A queda do lucro líquido do Gazprombank no primeiro semestre foi ainda mais acentuada, chegando a 57%, enquanto o Sberbank apresentou crescimento de meros 4,8% nos lucros durante o mesmo período.

Lógica do governo

Os banqueiros estatais parecem seguir a lógica de Aleksêi Uliukaev, ministro do Desenvolvimento Econômico, de que “não há nem haverá recessão”. Em entrevista ao jornal “Kommersant”, o ministro se referiu à desaceleração do crescimento como um problema macroeconômico.

O ministério irá rever as previsões orçamentais para os próximos três anos, bem como a longo prazo. “Talvez tenhamos que ser mais cautelosos quanto aos ritmos de crescimento econômico, tendo em vista tanto as perspetivas do crescimento global como a nossa capacidade de concorrência”, disse Uliukaev. 

O governo prevê uma desaceleração do crescimento da produção industrial em 2013. No ano passado esse índice foi de 2,6%, mas não passar de 2% este ano.

De acordo com o FMI, o crescimento do PIB da Rússia cairá de 3,4%, em 2012, para 2,5%. No início de julho, o ministro das Finanças, Anton Siluanov, confirmou há problemas orçamentais. Para equilibrar a balança, vai diminuir a verba para saúde e educação, enquanto aumentará as despesas com defesa e projetos infraestruturais e esportivos.

 

Publicado originalmente pelo Newsru.com

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