Desaceleração da economia chinesa afetará a Rússia, alertam especialistas

A China está esgotada, como um atleta cansado depois de bater um novo recorde mundial Foto: Reuters

A China está esgotada, como um atleta cansado depois de bater um novo recorde mundial Foto: Reuters

Ainda em 2012, a Rússia começou a sentir os efeitos da desaceleração da economia chinesa: preços do petróleo em queda e dos metais atingindo mínimos históricos.

A anunciada desaceleração da economia da China vai afetar a Rússia e poderá ter impacto negativo em quase todos os países do mundo, acreditam especialistas ouvidos pela “Gazeta.ru”. A taxa de crescimento da economia chinesa deve atingir seu mínimo histórico dos últimos 13 anos em 2013.

Durante os últimos anos, foi justamente a demanda da China a principal causa do aumento do preço das matérias-primas, principais produtos de exportação da Rússia (como petróleo e metais), explica o vice-chefe do departamento da pesquisas econômicas da empresa de investimento Veles Kapital, Vassíli Tanurkov.

“A demanda chinesa é muito importante para a Rússia”, diz Tanurkov.

Ainda em 2012, a Rússia começou a sentir os efeitos dessa desaceleração: preços do petróleo em queda e dos metais atingindo mínimos históricos.

“Depois de vários anos de crescimento dinâmico, a China está esgotada, como um atleta cansado depois de bater um novo recorde mundial”, compara o chefe do departamento de informação analítica da consultoria Gradient Alpha, Vitáli Tsvetkov.

“A Rússia possivelmente terá que reorientar suas exportações para aumentar as vendas para a China. No entanto, ninguém tem certeza absoluta de que o ‘acordo do século’ entre a petrolífera russa Rosneft e a chinesa CNPC para o fornecimento de petróleo até 2038 será assinado”, completa Tsvetkov.

Há quem seja otimista, no entanto. De acordo com o consultor de investimento da corporação financeira Otkrítie Aleksander Lapútin, a desaceleração deve acabar logo.

“Recentemente, China e Rússia assinaram um contrato para o fornecimento de petróleo de US$ 250 bilhões. Esses contratos não garantem nem a metade da demanda chinesa, mas é errado chamar o crescimento anual de 7% de uma catástrofe”, afirma Lapútin.

Segundo Tsvetkov, uma das razões principais para a desaceleração da economia chinesa é a ineficiência dos investimentos estatais em desenvolvimento da infraestrutura.

“As próprias autoridades locais reconhecem que constroem muitas novas estradas que são pouco utilizadas e novas cidades em que vivem poucas pessoas”, diz Tsvetkov.

Mercado interno

Lapútin acredita que existe um outro problema ligado à questão. Quando a demanda no mercado mundial começou a cair, as autoridades chinesas começaram a se concentrar no mercado interno para estimular a demanda doméstica.

O gigante asiático tem objetivos muito ambiciosos: desenvolver a economia nacional e reduzir sua orientação às exportações estimulando a demanda interna e introduzindo um modelo inovador da economia até 2020.

De acordo com o vice-diretor de análise da empresa de investimentos Zurich Capital Management, Andrêi Vérnikov, “isso terá um impacto significativo sobre os países em desenvolvimento, incluindo a Rússia".

Defesa e bancos

Além disso, o governo do país tem intensificado as despesas em defesa e segurança. Em 2013, planeja aumentar os gastos militares em 10,7%.

Outro aspecto negativo é a desqualificação dos bancos chineses por causa da dívida.

"Uma crise econômica aumentará o número de desempregados e afetará o programa de migração gradual de pessoas das aldeias para as cidades. Isso insentificará a migração dos chineses para a Rússia", acredita Vérnikov.

 

Publicado originalmente pela Gazeta.ru

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