Centro de inovação Skôlkovo terá financiamento de US$ 4,13 bi do governo até 2020

Presidente de Skoltech Edward Crawley (à esq.) e diretor da Fundação Skôlkovo Víktor Vekselberg Foto: PressPhoto

Presidente de Skoltech Edward Crawley (à esq.) e diretor da Fundação Skôlkovo Víktor Vekselberg Foto: PressPhoto

Desde 2012, o financiamento reduz gradualmente, já que era previsto que os fundos do orçamento destinados ao plano de desenvolvimento do projeto de inovação seriam substituídos por financiamento privado.

Criação do primeiro-ministro Dmítri Medvedev e contraponto russo ao Vale do Silício, o Centro de Inovação Skôlkovo, localizado nos arredores de Moscou, recebeu a esperada resposta afirmativa por parte do governo relativa ao financiamento: o vice-ministro da Economia, Oleg Fomitchev, disse ao jornal “Vedomosti” que o projeto irá receber do Orçamento Federal um total de 135,6 bilhões de rublos (cerca de US$ 4,13 bilhões) até 2020.

Hoje, as contribuições vindas do Orçamento estavam programadas pra até 2015. Desde 2012, o financiamento reduz gradualmente, já que era previsto que os fundos do orçamento destinados ao plano de desenvolvimento do projeto de inovação seriam substituídos por financiamento privado.

O programa já tem definida a distribuição dos fundos do Orçamento, com respetivas finalidades e quantias. A criação do parque tecnológico vai custar 57 bilhões de rublos (cerca de US$ 1,74 bilhões), o desenvolvimento do Instituto de Ciência e Tecnologia de Skôlkovo (Skolteh) ficará com cerca de 42 bilhões de rublos (cerca de US$ 1,28 bilhões), para infraestrutura deverão ir cerca de 37 bilhões de rublos (cerca de US$ 1,13 bilhões) e para os subsídios dos participantes, 32 bilhões de rublos (cerca de US$ 975 milhões). Quem detalha os números é  Artiom Chadrin, diretor do Departamento para o Desenvolvimento Econômico do Ministério.

O projeto Skôlkovo vê assim terminar um período que durou quase um ano, desde quando, no outono passado, o Tribunal de Contas da Federação Russa, após auditoria, detectou numerosas violações na fundação. Algumas dessas violações puseram em alerta até mesmo o Comitê de Investigação da Rússia.

Os auditores questionaram principalmente a transparência dos procedimentos para a atribuição de subsídios à atividade do centro.

Depois da saída do governo do vice-primeiro-ministro e chefe de gabinete, Vladislav Surkov, que foi também um dos fundadores da Fundação Skôlkovo e seu curador, muitos funcionários do governo previram o fim gradual do projeto. O presidente russo, Vladímir Pútin, considera-o artificial e sempre se distanciou dele, não tendo, por exemplo, nunca visitado as obras, disse ao "Vedomosti" o funcionário federal.

Na continuação das injeções financeiras públicas no projeto não está previsto endurecer agora o mecanismo de controle sobre o financiamento de Skôlkovo, diz Chadrin: "Não temos qualquer observação a fazer em relação ao procedimento de seleção dos beneficiários dos subsídios."

A própria administração do projeto prometeu ser ainda mais transparente. Haverá critérios bem definidos para avaliar a eficácia da “inovurbe” (cidade da inovação), é o que espera o vice-presidente da Fundação, Aleksandr Tchernov. Ele enumera alguns dos indicadores tidos como meta: o número de postos de trabalho criados pelos residentes da fundação, a cota da sua produção no mercado e o número de patentes registradas pelos residentes.

Mas indicadores-chave do desempenho de Skôlkovo já estão sendo cumpridos: a “inovurbe” prevê o registro de 1.000 residentes –já possui 941. Além disso, um quarto das patentes da área da tecnologia da informação foi registrado por participantes do projeto. Como planejado, mantém-se a substituição do investimento público pelo privado, salienta Tchernov, e a participação deste último deverá ser muito maior. Este é um dos critérios para o funcionamento eficaz da fundação.

 

Publicado originalmente pelo Vedomosti

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