Fim do maior cartel de fertilizante de potássio vai desestabilizar preços

Trabalhadora da fábrica de Uralkáli Foto: ITAR-TASS

Trabalhadora da fábrica de Uralkáli Foto: ITAR-TASS

Uralkáli anunciou o fim das vendas de exportação por meio da Belarus Potash Company (BPC), joint venture que mantinha com a bielorrussa Belaruskáli. O fim do maior cartel de exportação, que tinha controle sobre mais de 40% das vendas mundiais de fertilizante de potássio, deverá desencadear uma guerra de preços no mercado global.

A russa Uralkáli, cujo maior acionista é Suleiman Kerimov, anunciou que vai agora se concentrar nos volumes das vendas, e não nos preços, causando um verdadeiro pânico nos mercados. Nesta terça-feira (30), as cotações da Uralkáli e de seus parceiros estrangeiros PotashCorp, Mosaic e K+S, caíram cerca de 20% nos pregões de Moscou e Londres.

A Uralkáli insistia que as vendas de exportação de ambos os fabricantes fossem feitas através de uma única rede de distribuição. Mas, em dezembro de 2012, o presidente bielorrusso Aleksandr Lukachenko, assinou um decreto abolindo o direito exclusivo da BPC sobre as exportações do potássio da Bielorrússia, ao que se seguiram algumas exportações da Belaruskáli fora da parceria da BPC.

Como resultado dessas mudanças, a parceria com a BPC “chegou a um impasse”, descreveu o diretor-geral da Uralkáli, Vladislav Baumgertner. A revista “Forbes” informa que a empresa culpa o governo de Minsk, enquanto a Belaruskáli apresenta alegações semelhantes em relação a Moscou. As administrações das empresas não mencionam nada sobre uma terceira parte que poderia influenciar o curso dos acontecimentos.

Entretanto, de acordo com fontes da Gazeta.Ru, o conflito foi provocado pelos principais consumidores de fertilizantes, China e a Índia, que, assim, têm expectativa de derrubar os preços. “Normalmente, esses países competem sempre em um ambiente que beira a hostilidade declarada, mas agora estão atuando de forma bem coesa: fazendo cair os preços do cloreto de potássio no mercado da Eurásia, cujo maior fornecedor é a Bielorrússia” disse ao jornal uma fonte do Ministério da Agricultura e Alimentação da Bielorrússia “Quanto à Belaruskáli, continua sendo uma empresa-chave para a Bielorrússia, uma vez que ela garante entre 6 a 10% de todas as receitas do orçamento do Estado”.

A discórdia entre a Uralkáli e a Belaruskáli no âmbito da BPC se tornou pública ainda no ano passado. A parte bielorrussa não teria apreciado o fato de a participação das exportações russas por meio da joint venture ter crescido em detrimento da Belaruskáli. Assim, se em 2011 a cota da Uralkáli na exportação da BPC era de 40%, em 2012 já era de 52%.

Após a queda do cartel, o único canal de escoamento da produção da empresa russa permanece o trader suíço Uralkáli trading. De acordo com Baumgertner, este ano a empresa planeja produzir 10,5 milhões de toneladas de potássio, 13 milhões  de toneladas em 2014 e outras 14 milhões de toneladas em 2015. Baumgertner acredita que, devido à deterioração da conjuntura do mercado dos fertilizantes potássicos, seja de esperar volatilidade nas ações de todos os produtores de potássio.

“Supomos que as outras partes também irão aumentar a oferta no mercado mundial, tal como a Belaruskáli eventualmente, subindo a sua cota de mercado na América do Norte e Europa”, diz Baumgertner, citado pelo jornal “Izvéstia”. “No final, isso irá afetar a tendência de queda do preço do cloreto de potássio e acreditamos que os preços possam descer abaixo dos 300 dólares por tonelada num futuro próximo” disse o diretor, acrescentando que, atualmente, o preço à vista pelo potássio gira em torno dos 400 dólares por tonelada.

A direção da Belaruskáli acredita que a saída da Uralkáli da BPC vem prejudicar a posição desta nos mercados de exportação. “A saída da Uralkali da BPC não é, de modo algum, do interesse da empresa. Quando falamos em uma só voz somos fortes nos mercados, mas agora, quando as posições dos parceiros se separaram, é de esperar uma certa discórdia”, disse à agência Interfax um representante da direção da OAO Belaruskáli.

Ele também ressaltou que a decisão tomada pela Uralkáli poderá vir a afetar negativamente a situação financeira e econômica da empresa russa. “A Uralkáli contraiu grandes empréstimos. Como é possível em uma situação dessas desistir de um sistema de vendas que funciona bem?” Segundo o representante, a direção da empresa bielorrussa não consegue ainda avaliar ao certo qual o efeito da decisão do parceiro russo sobre a dinâmica das vendas do potássio bielorrusso.

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