Aeroflot terá companhia aérea de baixo custo

Boeing-767 da Aeroflot Foto: wikipedia.org

Boeing-767 da Aeroflot Foto: wikipedia.org

Voar pela Rússia se tornará mais barato: a companhia aérea russa Aeroflot decidiu criar uma transportadora de baixo custo. Para que a nova transportadora seja rentável, no entanto, serão necessárias mudanças fundamentais na legislação do país.

A Aeroflot, maior companhia aérea russa, afirmou ter decidido pela criação de uma companhia de baixo custo.

Dentro em breve será iniciado o desenvolvimento de um plano de negócios para a nova operadora, mas já se sabe que ela será uma companhia 100% filiada da Aeroflot. O plano é começar a operar já no próximo ano.

Recentemente, a companhia também solicitou ao Estado a permissão para vender bilhetes não reembolsáveis e também fazer das refeições e do transporte de bagagem opções extras em seus voos. Segundo a empresa, as medidas permitirão baixar os preços dos bilhetes entre 20% e 40%, além de permitir aos passageiros escolher eles próprios o serviço desejado.

Nos dois primeiros anos, a nova companhia vai efetuar voos apenas na Rússia Central, partindo das grandes cidades. Para minimizar os custos, a nova companhia será baseada num pequeno aeroporto nos arredores de Moscou.

Entre especialistas, não há consenso sobre a necessidade urgente de formar no mercado interno de transportes aéreos um segmento de baixo custo. Criar tal companhia na Rússia é um projeto caro e não rentável, acredita o diretor-geral adjunto da empresa de investimentos Region, Anatóli Khodoróvski.

“Na Rússia não há pré-requisitos fundamentais para a criação de um modelo de baixo orçamento e de custos baixos. Ele se baseia num grande fluxo de passageiros, no fato de que existe um segmento claramente definido de passageiros frequentes dispostos a desistir de certas funções de serviço e a aguentar certas inconveniências que sejam adequadas ao preço. Entre outras coisas, geralmente tais companhias são baseadas em aeroportos que não os principais.”

Outras experiências

A Rússia já teve experiências com transportadoras locais de baixo custo –a Sky Express e Avianova, que voavam para os destinos mais populares– Moscou, São Petersburgo e Sôtchi. A duas companhias juntas tinham menos de 10 aviões, mas transportavam um milhão e meio de pessoas por ano, ganhando lugares entre as dez companhias aéreas mais populares do país.

Mas elas não conseguiram manter preços baixos por muito tempo. A Sky Express foi transformada num transportadora regular e depois fundida com as Linhas Aéreas de Kuban. No final de 2011, devido a perdas, a Avianova deixou de existir.

Especialistas dizem que as transportadoras de baixo custo desapareceram por causa de inconsistências nos seus modelos de negócios. Basicamente, elas devem operar como táxis coletivos: passageiros saem para outros entrarem. O tempo de serviço de aviões no aeroporto não deve exceder 40 minutos. A empresa deve apostar não tanto em bilhetes baratos para passagens, como na minimização de seus custos, diz o diretor geral da empresa de consultoria Infomost, Boris Ribak.

“As tarifas mais baratas em todos os países do mundo, normalmente, são as de passagens não reembolsáveis. Alguns anos atrás, os nossos legisladores introduziram a regra de que as companhias aéreas são obrigadas a devolver o dinheiro pelas passagens, seja qual for a tarifa. Foi uma medida artificial e incorreta. Deveria ser cancelada. Da mesma forma, o código aéreo diz que as companhias aéreas são obrigadas a fornecer refeições.”

A Aeroflot pede que também sejam revistas as regras de transporte obrigatório de bagagem. Transportadoras de baixo custo estrangeiras há muito apostaram em passageiros que viajam com pouca bagagem e que não querem pagar a mais pelo transporte de uma mala que não trazem.

Antes de criar uma transportadora de baixo custo é necessário resolver outro problema das companhias aéreas da Rússia –a escassez de pilotos, o que faz com que os salários sejam altos, de US$ 5.000 a US$ 7.000 por mês. O código aéreo proíbe empregar estrangeiros.

Para o parque inicial de 15 aviões da transportadora de baixo custo da Aeroflot é necessário contratar 80 pilotos. A permissão para estrangeiros pilotarem aviões deverá atrair profissionais de outros países, como Ucrânia e Cazaquistão, e ampliar a equipe, o que, por sua vez, permitirá aumentar o número de voos, o que dará à empresa uma chance de ganhar lucro e aos russos de voar mais barato e com mais frequência.

 

Publicado originalmente pela Voz da Rússia  

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