Empresas russas desabam no índice dos maiores negócios do ranking do FT

Queda de posição da gigante russa Gazprom se deve a fatores macroeconômicos, garantem os economistas Foto: ITAR-TASS

Queda de posição da gigante russa Gazprom se deve a fatores macroeconômicos, garantem os economistas Foto: ITAR-TASS

Monopólios russos não figuram mais entre as cinquenta maiores empresas do mundo, segundo classificação divulgada pelo jornal Financial Times. Mas os economistas afirmam que, em um futuro próximo, essas empresas vou recuperar ou até mesmo melhorar suas posições.

O mais forte declínio na classificação das 500 empresas líderes em nível de capitalização (FT Global 500)  foi mostrado pelo gigante do gás Gazprom, que desabou 26 posições para o 57º lugar e ficou entre a marca Walt Disney e a rede de fast food McDonald´s . A capitalização da maior empresa da Rússia diminuiu em 30,4%, para US$ 101,4 bilhões.

“A principal razão para isso é a recessão na Europa e a conseqüente redução na demanda de gás. Além disso, outros fabricantes pressionam a Gazprom por oferecerem condições mais favoráveis, como o Qatar”, disse à Gazeta Russa o diretor do departamento de análise de mercado da Corretora Otkrítie,  Konstantin Buchuev. “Quanto aos fatores internos, o que causou um impacto negativo nos valores da Gazprom foram o imposto sobre a produção mineral, o crescimento mais lento  das tarifas e a liberalização do mercado de gás”, acrescentou o economista.

Outras empresas russas também caíram significativamente no ranking do Financial Times. A petrolífera Rosneft caiu duas posições em comparação ao ano passado e ficou com o 81º lugar na lista, e a Lukoil e Surgutneftegaz foram classificadas em 142º e 231º (uma queda de 10 e 49 posições, respectivamente). No caso da Rosneft, nem mesmo o crescimento de 6,9% da capitalização (US$ 80,9 bilhões) teve efeito devido à fusão TNK-BP.

Top 10

Pela segunda vez consecutiva, a empresa líder na classificação foi a fabricante americana Apple, com capitalização de US$ 415,7  bilhões. Em segundo lugar ficou a gigante do petróleo ExxonMobil (US$ 403,7 bilhões de dólares), seguida pela também norte-americana Berkshire Hathaway (US$ 256,8 bilhões). Entre as dez primeiras classificadas estão ainda Wal-Mart, General Electric, Microsoft, IBM, Chevron, Petrochina e Nestlé Suíça.

“Logo depois de agosto de 2011, quando o índice S&P baixou a classificação soberana dos EUA, começou a fuga de capitais dos mercados emergentes, especialmente dos Brics. Os investidores levavam o capital de ativos de risco para os ativos livres de risco”, explica Buchuev.

A analista do Alfa-Bank, Ekaterina Málkova, concorda que o fenômeno atual se deve aos fatores macroeconômicos, mas acredita que, muito em breve, as empresas russas reconquistarão o terreno perdido na classificação. “Já estamos vendo o crescimento da capitalização da Gazprom, bem como de uma série de outras empresas de petróleo e gás”, aponta Málkova.

Na primeira metade do próximo ano, a expectativa é de que capitalização de empresas russas cresça significativamente. “As empresas qualificadas pelo índice S&P 500 já são muito caras. Comprar ativos da Coca-Cola e McDonald´s já não será mais interessante”, afirma Buchuev. Segundo ele, o impulso para a entrada de capitais nos mercados emergentes será o crescimento de taxas de juros e inflação nos EUA. Os vencedores serão principalmente os produtores de metais preciosos, empresas dos setores químico e petroquímico. Alguma recuperação também será demonstrada pelos bancos, que dependem do dinheiro do petróleo.

Quanto à Gazprom, os fatores macroeconômicos que influenciam a sua atividade são animadores. O índice de atividade empresarial no setor de fabricação e do setor de serviços PMI da zona do euro em julho de 2013, de acordo com estimativas preliminares da empresa NTC Researchers, ultrapassou os 50 pontos pela primeira vez em dois anos, sinalizando o crescimento da economia regional.

Em junho, o diretor-executivo do gigante do gás, Aleksêi Miller, anunciou um aumento na previsão das exportações de gás para a Europa em 2013. Durante os primeiros dez dias de julho, o envio de gás para a região foi um terço maior do que no mesmo período do ano passado.

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