Governo desmantela quadrilha que transferiu ilegalmente US$ 1 bi ao exterior

Pelo esquema, dinheiro dos clientes era transferido para contas de empresas laranja e depois enviado para o exterior Foto: Alamy/LegionMedia

Pelo esquema, dinheiro dos clientes era transferido para contas de empresas laranja e depois enviado para o exterior Foto: Alamy/LegionMedia

O Ministério do Interior russo desvendou o maior esquema bancário de saque de dinheiro. Mais de 400 pessoas estavam envolvidas no esquema por meio de pelo menos cinco bancos, tendo transferido mais de US$ 1 bilhão durante 5 anos.

A assessoria de imprensa do Ministério do Interior comunicou esta semana que as autoridades policiais descobriram um grande grupo clandestino de banqueiros envolvidos em saques ilegais de dinheiro. A polícia conseguiu descobrir a formação do grupo e sua hierarquia, bem como os esquemas de sacar dinheiro.

O líder do grupo é um Serguêi Maguin, 42 anos, mas havia, no total, mais de 400 pessoas envolvidas na atividade ilegal, assim como mais de 100 empresas russas e estrangeiras. A estrutura central da quadrilha era formada por sete funcionários de bancos.

Segundo os investigadores, o grupo sacou mais de 36 bilhões de rublos em Moscou e em outras regiões ao longo de mais de cinco anos. O porta-voz do Ministério do Interior explicou que o dinheiro dos clientes era transferido por meio eletrônico para contas de empresas laranja, abertas em bancos controlados, e em seguida era sacado ou enviado para contas nos países do Báltico ou Chipre.

O dinheiro obtido era legalizado pelos participantes do grupo por meio da aquisição de imóveis. Maguin foi proprietário ou diretor de dezenas de pequenas empresas em diferentes épocas. Ele agora detém 12 empresas e chefia a associação de proprietários de imóveis Panorama.

Pelos serviços, os suspeitos cobravam uma comissão de 2%. Uma estimativa preliminar feita pelo Ministério do Interior mostra que o lucro da atividade ilegal totalizou mais de 575 milhões de rublos.

Os principais bancos que participaram do esquema são Master-Bank, Voenno-promishlenni Bank, Okski, Interkapital e Aspect. “Podem existir mais bancos, mas estes são os principais”, dizem as fontes do “Vedomosti”. Portanto, está sendo verificado se o Master-Bank está envolvido na operação. A suspeita não caiu sobre o próprio banco, mas sobre um carro blindado pertencente ao banco que transportava o dinheiro sacado por esse grupo. O carro blindado com o dinheiro foi detido durante as suas atividades, e agora está sendo verificado se o Master-Bank tem ligação com as plataformas de saque.

“Não houve buscas no Master-Bank nem queixa por parte da polícia”, afirma a representante do banco, Olga Botcharova. “O Master-Bank presta serviços de coleta de dinheiro para o Voenno-promishlenni Bank e está disposto a providenciar toda a documentação relevante para as autoridades investigadoras”, acrescentou.

Foram realizadas buscas nos bancos no último domingo (7), bem como 85 buscas nas residências dos envolvidos no caso. Vários documentos foram apreendidos, bem como uma soma em dinheiro no valor de mais de 1 bilhão de rublos, documentos financeiros e mais de 500 selos de pessoas jurídicas russas e estrangeiras.

De acordo com o representante do Departamento Geral de Segurança Econômica e Anticorrupção do Ministério do Interior da Rússia, foi iniciado um processo criminal conforme os artigos sobre atividade bancária ilegal (artigo 172) e a organização de associação criminosa ou participação desta (artigo 210).

Se o primeiro artigo muitas vezes é utilizado em tais casos e é relativamente leve (até sete anos de prisão e uma multa equivalente a cinco anos de renda do condenado), o artigo 210 reza que os organizadores e líderes da comunidade podem ser privados de liberdade por um período de no mínimo 15 anos até a pena de prisão perpétua. Membros ordinários da comunidade podem pegar de cinco a 10 anos de prisão.

“O artigo 210 é raramente empregado em tais casos”, confirma a advogada do escritório Egorov, Puginski, Afanasiev e parceiros, Victoria Burkovskaia. Segundo ela, é necessário provar que o grupo criminoso era estável durante um longo período de tempo, possuía uma hierarquia e, o mais importante, que tinha sido criado justamente com o propósito de cometer crimes.

“Em 2012, US$ 49 bilhões foram transferidos ilegalmente da Rússia”, admitiu em entrevista para o “Vedomosti” o ex-presidente do Banco Central, Serguêi Ignatiev. “E a maior parte foi executada por meio de empresas laranja”, continuou.

Desde o início do ano, Ignatiev tem por vezes ressaltado em suas declarações públicas sobre a intensificação da luta contra a lavagem de dinheiro. “Passamos todas as informações sobre as transações suspeitas para a Receita Federal e para a polícia e aguardamos que elas ajam”, diz o ex-presidente do BC.

O deputado da Duma de Estado (câmara baixa do Parlamento russo), Anatóli Aksakov, acredita que os apelos de Ignatiev tenham talvez atingido uma massa crítica, e “agora teve início uma luta séria contra os bancos criminosos”.

 

Publicado originalmente pelo Vedomosti

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