Gazprom aumenta em 10% sua previsão de exportação de gás para a Europa em 2013

Até 2030, a Gazprom pretende aumentar a sua participação na Europa de 26% para 33% Foto: RIA Nóvosti

Até 2030, a Gazprom pretende aumentar a sua participação na Europa de 26% para 33% Foto: RIA Nóvosti

Empresa também anunciou planos para triplicar a sua participação no mercado de GLP (gás liquefeito de petróleo) no mercado mundial para 15%.

A Gazprom aumentou em 10% a previsão de fornecimento de gás para a Europa em 2013, para mais de 160 bilhões de metros cúbicos, e anunciou planos para triplicar a sua participação no mercado de GLP (gás liquefeito de petróleo) no mercado mundial para 15%.

O anúncio foi feito pelo CEO da Gazprom, Aleksêi Miller, na reunião anual de acionistas da empresa, na última sexta-feira (28). Segundo Miller, em 2012, a empresa vendeu 139,9 bilhões de metros cúbicos de gás continente em contratos de longo prazo.

Ainda em fevereiro, os planos da Gazprom para 2013 eram mais modestos –a estimativa era chegar à marca de 152 bilhões de metros cúbicos.

O motivo para o otimismo da Gazprom foram os bons indicadores do primeiro semestre, com cerca de 80 bilhões de metros cúbicos fornecidos para o mercado europeu, 10% a mais do que no mesmo período em 2012.

A empresa espera aumentar o fornecimento por conta da reorientação dos concorrentes para os mercados mais promissores da região Ásia-Pacífico, explicou Miller.

Com isso, a Turquia pode tornar-se a primeira em termos de volumes de compra de gás russo, ultrapassando a Alemanha, o que pode tornar o mercado turco o de crescimento mais dinâmico para a Gazprom.

No ano passado, a Turquia pulou para o segundo lugar em volume de gás importado da Gazprom e hoje já “vem na esteira da Alemanha”, disse Miller. De acordo com os dados da East European Gas Analysis, em 2012, a Turquia importou 43 bilhões de metros cúbicos de gás, mais da metade (27 bilhões de metros cúbicos) da Rússia.

Muito otimismo

Contar com uma parcela crescente na Europa apenas por conta da intensificação da posição na Turquia é ser excessivamente otimista, considera o diretor da East European Gas Analysis, Mikhail Kortchémkin.

“Nos primeiros cinco meses, o consumo de gás na Turquia foi reduzido em 17%, e caíram também as vendas da Gazprom e de outros exportadores na região, com exceção do Irã”, explica.

Na Alemanha, a Gazprom também fez progressos nas negociações. Recentemente, um conflito com a empresa alemã RWE foi resolvido: por cerca de um ano, as empresas discutiram uma questão envolvendo ajuste de preços de venda pela parte russa, mas solucionaram a questão nos tribunais.

Na semana passada, a Corte Internacional decidiu que Gazprom deve pagar para a empresa alemã a diferença no preço cobrado pelo gás à companhia desde maio de 2010. As partes não se pronunciaram sobre os detalhes da decisão e sobre o montante da indenização. No entanto, de acordo com uma fonte da Gazprom, trata-se de um valor de cerca de € 1,5 bilhões, dinheiro que será pago durante o ano. Formalmente, os representantes da RWE e da Gazprom não comentam o assunto.

O vice-presidente da Gazprom, Aleksandr Medvedev, disse ao “Védomosti” que a empresa irá cumprir a exigência. Além disso, nos próximos dias, a Gazprom anunciará a conclusão das negociações sobre o ajuste de preços com alguns outros importadores europeus.

Outra oportunidade de aumentar a fatia na Europa é a reorientação dos concorrentes para a Ásia. De acordo com Miller, o fornecimento de outros exportadores para a Europa no primeiro trimestre diminuiu significativamente: da Argélia —em 10%; da Líbia, em 12,9% e do Qatar, em 42%.

Quanto à matéria-prima, não haverá problemas —com o início dos trabalhos no campo de Bovanenkovskoie, a Gazprom garantiu a sua capacidade de extração no nível de 600 bilhões de metros cúbicos de gás por ano.

Finalmente, até 2030, a Gazprom pretende aumentar a sua participação na Europa de 26% para 33% (seu plano anterior era de chegar a 32%). O  sucesso da empresa na Europa no curto prazo dependerá cada vez mais dos preços do carvão, que está  substituindo o gás natural na geração de eletricidade. A longo prazo, dependerá das ações dos concorrentes na própria Europa, especialmente aqueles que agora estão empenhados no desenvolvimento de novas jazidas no Mediterrâneo, pensa Kortchémkin.

A Gazprom também pretende aumentar a quota de GLP no mercado mundial, triplicando-a para 15%.

A empresa controla a única planta operante de GLP  na Rússia, a fábrica Sakhalin-2, com capacidade de 10 milhões de toneladas por ano, onde cerca de 70% da produção é exportada para o Japão. Planeja-se aumentar a sua capacidade em 5 milhões de toneladas.

Além disso, a Gazprom prepara dois novos projetos de GLP, o Vladivostok-GLP, em Primorie, e o Báltico-GLP, na região de Leningrado (10 milhões de toneladas/ano cada). Ambos deverão iniciar sua operação antes do final de 2018.

 

Publicado originalmente pelo Védomosti

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