SPIEF 2013 termina com resultados positivos, avalia governo

SPIEF terminou com a assinatura de 102 acordos Foto: Kommersant

SPIEF terminou com a assinatura de 102 acordos Foto: Kommersant

Durante Fórum Econômico de São Petersburgo, presidente russo anunciou quebra do monopólio de exportação da Gazprom e anistia econômica.

O Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF, na sigla em inglês), que terminou no sábado (22) foi marcado por surpresas. Durante três dias foi resolvido o destino das reservas nacionais que irão beneficiar sobretudo as empresas ligadas à  infraestrutura e a Russian Railways. Além disso, o SPIEF trouxe a promessa de anistia para milhares de empresários condenados, uma reforma em grande escala do sistema judiciário e conseguiu até abalar o monopólio da petrolífera estatal Gazprom.

Um dos eventos mais intrigantes ocorreu na véspera do fórum, quando os principais veículos de mídia russos divulgaram informações, citando um comunicado da assessoria de imprensa do governo, sobre a suposta demissão de  Vladímir Iakunin, presidente da Russian Railways. Mais tarde, o próprio Iakunin afirmou que naquele momento estava jantando com o presidente Vladímir Pútin, mas “a falsa demissão não estragou o apetite de ninguém”.

A polemica foi comentada em quase todos os espaços e corredores do evento. O primeiro vice-primeiro-ministro, Igor Chuvalov, também não se absteve de dar declarações sobre o ataque do hacker. Segundo ele, foi uma provocação que poderia ter como objetivo tanto um ataque contra Iakunin, como contra seu vice, Aleksandr MiCharin – pelas falsas notícias, ele seria o novo presidente da empresa.

A preocupação de Iakunin foi compensada um dia mais tarde por Pútin. O presidente declarou que a Rússia irá investir US$ 13,7 bilhões de recursos do Fundo Nacional de Previdência Russo (FNB) em projetos retornáveis de infraestrutura e, posteriormente, aplicará até a metade dos recursos do fundo. De imediato, o presidente  nomeou os três primeiros projetos: a construção da ferrovia de alta velocidade  Moscou-Kazan e do Rodoanel Central (CKAD), bem como a modernização da Ferrovia Transiberiana.

Pútin advertiu que o principal critério para o financiamento dos projetos pelo FNB será a disponibilidade de capital privado para participar dele. Por enquanto, nenhum investidor privado demonstrou interesse concreto.

Guerras cambiais

No início da semana passada, ministro das Finanças, Anton Siluanov, informou que em agosto a sua pasta vai começar a comprar moeda estrangeira no mercado interno e isso levará a um enfraquecimento do câmbio em 1 a 2 rublos. A declaração do Ministro imediatamente derrubou o rublo e forneceu um tema rico para a discussão aos participantes do fórum.

Elvira Nabiullina, que assumiu o cargo de presidente do Banco Central no último dia 23, declarou que esse tipo de conversa não deveria acontecer por que “até mesmo insinuações sobre um possível enfraquecimento da taxa de câmbio do rublo levam a consequências negativas”.

Em entrevista à agência Prime, o diretor financeiro do Banco VTB, Herbert Moos, disse que essas declarações complicaram o problema da liquidez. “Ao ouvir sobre o enfraquecimento do rublo, os clientes corporativos começaram a converter os seus depósitos em dólares e isso reduziu a liquidez do rublo e aumentou a da moeda estrangeira. E tudo entrou em movimento.”

Aposta no BC

O tema principal do SPIEF, que se propunha a identificar os culpados pela falta de crescimento e o que pode ser feito para torná-lo mais perceptível, resultou em uma declaração surpreendente: os representantes das autoridades financeiras foram assumiram totalmente a culpa pelo atual fenômeno.

“A principal razão é que nós apagamos o impulso do crescimento que existia aqui em 2011e 2012, com as altas taxas de juros, tarifas elevadas e fortalecimento do rublo”, disse o ministro do Desenvolvimento Econômico, Andrei Belousov.

Os participantes do fórum concordam que a única saída para Rússia é estimular os investimentos. O chefe-adjunto do Ministério de Desenvolvimento Econômico, Andrei Klepach, declarou que o Banco Central deve reduzir as taxas de juros, pois são exatamente elas que seguram o crédito para a economia.

“Se as medidas propostas pelo governo para reduzir as tarifas dos monopólios funcionarem, também diminuirá o ritmo de crescimento dos preços e o Banco Central estará pronto para uma certa flexibilização, mas a prioridade para o Banco da Rússia é a inflação”, declarou Nabiullina. Ela deu a entender que os bancos têm seus próprios recursos para reduzir as taxas de juros dos empréstimos; entre eles, reduzir os custos.

Batalha pelo GNL

O SPIEF trouxe uma notícia muito esperada pelos produtores independentes de gás na Rússia e abalou a posição do monopólio do gás russo. Atualmente, a Gazprom tem o direito exclusivo de exportar gás. Mas a maior produtora de gás independente, a empresa Novatek e a Rosneft, que pretende aumentar o volume de produção de GNL, solicitaram ao governo a revogação desse monopólio.

Durante discurso na plenária, Pútin apoiou a solicitação das demais empresas e informou sobre a liberalização das exportações de GNL. Enquanto o governo prepara a resolução, a Rosneft já negociou o fornecimento de GNL com três empresas.

Ao término do SPIEF, o vice-ministro do Desenvolvimento Econômico russo, Serguêi Beliakov, avaliou o fórum deste ano como “muito produtivo”. As empresas participantes firmaram 102 acordos. O destaque ficou com a Rosneft, que assinou um contrato sem precedentes com a China para o fornecimento de petróleo, no montante de US$ 270 bilhões.

Empresários perdoados

Uma grande surpresa para os participantes do fórum foi a aprovação pelo presidente da anistia econômica, mesmo após Pútin ter criticado o projeto inicial há apenas um mês. No entanto, o presidente delimitou rigorosas fronteiras para a anistia: ela alcançará aqueles que são réus primários e que já ressarciram ou estão dispostos a ressarcir os prejuízos. “Essa anistia atingirá apenas aqueles que cometeram crimes na esfera do empreendedorismo”, explicou Pútin.

A medida pode alcançar até 6 mil pessoas, e “os primeiros deles já poderão ser liberados neste verão”, relatou o ombudsman de negócios da Rússia, Boris Titov. “Serão encerrados os processos criminais contra dezenas de milhares de empreendedores”, completou Titov, ao acrescentar que a anistia pode atingir também aqueles que estão sob investigação.

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