Adesão russa à OMC foi “decepção do ano”

Protestos contra a adesão russa à OMC não conseguiram impedir que a Duma de Estado ratificasse o protocolo Foto: AFP / East News

Protestos contra a adesão russa à OMC não conseguiram impedir que a Duma de Estado ratificasse o protocolo Foto: AFP / East News

Apesar de relatório mostrar descontentamento dos empresários com iniciativa da Rússia, especialistas defendem que recompensa econômica será gradual.

O estudo anual “Estratégia e perspectivas de empresas européias na Rússia”, elaborado pela Associação de Empresas Europeias na Rússia (AEER) em parceria com a empresa GfK-Rus, destacou que a atratividade da Rússia para investimentos diminuiu. O otimismo causado pela adesão do país à OMC (Organização Mundial do Comércio) se dissipou, enquanto a mudança de governo após as eleições de 2012 não fortaleceu a esperança de que a burocracia e a corrupção serão combatidas nos próximos dois anos.

Setenta e outo por cento das empresas pesquisadas aumentaram o volume de seus negócios no país em 2012, contra o índice de 87% no ano anterior. As empresas integrantes da AEER até preveem um crescimento econômico neste ano, mas estão poucas otimistas em comparação ao índice de 2012. Se no ano passado a intenção de aumentar investimentos foi anunciada por 74% dos altos executivos entrevistados, este ano seu percentual não ultrapassou 66%.

“Diante dos resultados impressionantes do primeiro trimestre de 2012, o crescimento econômico nos primeiros três meses deste ano não é tão significativo”, disse Stuart Lawson, diretor-executivo da Ernst & Young na Rússia e na CEI (Comunidade de Estados Independentes composta pelas ex-repúblicas soviéticas, menos a Geórgia e os países bálticos).

A adesão da Rússia à OMC foi uma “decepção do ano” para os entrevistados. De acordo com a pesquisa, o efeito positivo da adesão foi sentido por apenas 28% dos respondentes, enquanto no ano anterior  59% afirmaram estar esperando mudanças positivas da entrada do país na organização internacional. A maior parte das empresas entrevistadas (66%) não sentiu nenhuma modificação.

“As portas vão se abrindo por etapas. Portanto, as mudanças decorrentes da entrada na OMC vão ocorrer de forma gradual. O que estamos vendo agora são estatísticas normais”,  argumenta o presidente do BR Group-Russland, Aleksêi Evteev.

De acordo com o estudo, as empresas que operam no mercado russo se tornam rentáveis em um a três anos, em média. O diretor-geral da GfK-Rus, Aleksandr Demidov, defende que, apesar da desaceleração da economia russa em meio à crise econômica na Europa, a “Rússia continua sendo atrativa e apresenta um grande potencial de desenvolvimento”.

Era Pútin

A mudança de poder teve um impacto negativo sobre a atratividade do país. No ano passado, 65% das empresas acreditavam que depois das eleições a atratividade da Rússia para negócios se manteria inalterada. Atualmente, apenas 20% dizem que a Rússia se tornou menos atrativa.

“Entre os fatores que mais contribuíram para deteriorar a disposição das empresas estrangeiras, colocaria em primeiro lugar as eleições presidenciais e parlamentares, depois das quais as condições para fazer negócios na Rússia se tornaram mais adversas”, declarou Evteev.

Por outro lado, apesar de no ano passado 40% das empresas entrevistadas reclamarem das altas taxas de juros para financiamento, este ano seu percentual diminuiu para 25%.

Desilusão

Os maiores problemas para as empresas estrangeiras no país continuam sendo restrições regulatórias (mencionadas por 46% dos entrevistados), a ausência de pessoal qualificado (29%) e falta de confiabilidade da cadeia de fornecimento (21%).

A maioria dos integrantes da AEER não espera melhora da situação em termos de combate à burocracia e corrupção: 56% e 47% das empresas, respectivamente, não esperam nenhumas mudanças positivas nessa área nos próximos dois anos. Cerca de 60% das empresas entrevistadas esperam mudanças positivas no regulamento aduaneiro.

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