Com 80% do petróleo do país, Sibéria pode ser arma econômica russa para o mercado asiático

Cidade de Vladivostok no Extremo Oriente da Rússia Foto: ITAR-TASS

Cidade de Vladivostok no Extremo Oriente da Rússia Foto: ITAR-TASS

Empresas de energia russas contratadas para construir dutos com destino à China já tiraram proveito de programa governamental para a região. Especialistas e investidores se dividem quanto à necessidade de investimentos.

Tristemente conhecida como lugar de exílio nas épocas czarista e stalinista, a Sibéria é apresentada atualmente pelo governo russo como bastião de esperança, à medida que a liderança do país se volta cada vez mais para o Oriente. Rica em minerais e metais, a região  se tornou, de fato, casa para os produtores de petróleo, diamantes, carvão e gás.

Em abril, a Rússia anunciou um investimento de bilhões de dólares na região. O primeiro-ministro, Dmítri Medvedev, instruiu o governo a elaborar um Programa de Desenvolvimento do Extremo Oriente no valor total de US$ 16 bilhões com o objetivo de desenvolver a Sibéria e as regiões adjacentes até 2018. Segundo ele, para a Rússia, trata-se de uma prioridade máxima.

Embora o governo não associe ostensivamente seus planos de investimento na região ao crescimento impetuoso da China, as empresas de energia russas contratadas para construir dutos com destino à China já tiraram proveito do programa governamental.

O diretor-geral do En + Group, que opera na área de mineração, metalurgia e energia e é controlado por Oleg Deripaska e Oleg Volinets, declarou que a proximidade da Sibéria aos mercados asiáticos de rápido crescimento é o principal motivo pelo qual a Rússia pretende investir nessa região.

“A Sibéria Oriental fica próxima da China e da Ásia, para onde o centro de atividades econômicas está se deslocando. Se você der uma olhada no mapa, vai ver que uma viagem de avião entre Irkutsk, que fica no centro da Sibéria Oriental, e Pequim leva apenas duas horas”, disse Volinets.

Atualmente, a China importa a maior parte dos recursos minerais da Austrália, do Brasil e da África do Sul. Mas os recursos minerais siberianos estão mais perto, adianta Volinets. O transporte de cargas por via marítima do Brasil para Xangai leva cerca de 35 dias; da África do Sul, 20 dias, e da Austrália, aproximadamente 14, enquanto a viagem a partir do porto de Vânino, na Sibéria, leva apenas 4 dias.

Opiniões divididas

No entanto, especialistas e investidores se dividem quanto à necessidade de investimentos nessa região.

A analista da IHS Global Insight Lilit Guevorkian acredita que as ações do governo estão diretamente ligadas ao desejo de tomar os mercados asiáticos.

"Não é novidade que a Sibéria precisa muito de investimento em sua economia. A prosperidade dessa região tem sido sempre importante para Moscou. Mas o problema está na ausência de planos claros de como transformar uma região rica e escassamente povoada de doador de matéria-prima em um ator importante da economia russa e do Pacífico Asiático”, disse Guevorkian.

"A Rússia pretende ser um país não só europeu, mas também asiático. A crise da dívida da zona do euro, bem como as mudanças no mercado internacional de recursos energéticos, com o advento do gás de xisto, levou o governo russo a assumir uma posição mais ativa quanto à diversificação dos mercados para a exportação de seus recursos energéticos e à tomada dos mercados asiáticos de rápido crescimento. A construção do gasoduto Sibéria Oriental-Pacífico já ajudou a Rússia a diversificar, em certa medida, os mercados para a exportação de seus recursos energéticos”, completou.

Segundo o governo, a Sibéria concentra cerca de 80% dos recursos petrolíferos do país, cerca de 85% do gás natural, 80% do carvão e a mesma quantidade de metais preciosos e diamantes, além de pouco mais de 40% da madeira do país. Em razão disso, a exploração da Sibéria é extremamente vantajosa.

 

Publicado originalmente em russo pelo cnbc.com

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