AIE convida economias em desenvolvimento para ingressar na agência

Refinaria de petróleo na região Riazan Foto: Itar-Tass

Refinaria de petróleo na região Riazan Foto: Itar-Tass

Iniciativa levou em conta que, neste ano, tais países ultrapassarão os desenvolvidos em consumo de energia. Especialistas, contudo, criticam falta de clareza nas negociações.

A AIE (Agência Internacional de Energia) declarou ter convidado os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul), bem como o México e a Indonésia, para iniciar conversações sobre uma possível participação no grupo.  Segundo a agência, o consumo de energia desses países tem crescido constantemente nos últimos anos e esta tendência continuará.

As primeiras negociações com os países em desenvolvimento foram “produtivas”, anunciou a AIE. Como membros associados, essas nações poderiam, por exemplo, participar das reuniões da agência sobre a utilização de reservas, mas não têm direito de voto nem de fornecer reservas para a gestão da AIE.

Apesar da proposta, nem todos os países se mostraram ansiosos para aumentar a sua cooperação com a AIE. Durante a primeira reunião em Paris, em que foi discutida a possível associação, a China só enviou uma carta formal com a aprovação da ideia, e  o Ministério de Energia da Rússia não se pronunciou sobre o assunto.

Papel da AIE

A AIE foi fundada em 1974 em resposta a uma decisão por parte dos países árabes de interromper o abastecimento de petróleo. A AIE engloba a maioria dos países-membros da OCDE. Entre as suas principais tarefas está a segurança energética, análise de mercado e luta contra a mudança climática. A AIE utilizou as reservas três vezes: durante a guerra do Golfo Pérsico em 1991,  após furacão Katrina em 2005 e no conflito da Líbia durante o verão de 2011. Os membros da AIE são obrigados a ter reservas de emergência que permitam renunciar às importações de petróleo por 90 dias (tal exigência não se aplica à Dinamarca, Noruega e Canadá).

“O mapa mundial de energia está sendo redesenhado”, insiste a diretora-executiva da AIE, Maria van der Hoeven. Pelas previsões do órgão internacional, a demanda de petróleo por parte das economias em desenvolvimento aumentará de 49% em 2012 para 54% em 2018. Já este ano, esses países devem ultrapassar em consumo os nações industrializadas da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O maior crescimento da capacidade de refino também será registrado nos países em desenvolvimento. A capacidade global crescerá para 9,5 milhões de barris por dia entre 2013 e 2018; 60% do crescimento ocorrerá na Ásia (dos quais, 45% será na China) e 22% no Oriente Médio.

“Antes, o principal personagem era a OPEP, mas agora o mercado internacional está entrando na era pós-OPEP. O abastecimento dos Estados Unidos e de outros países fora do cartel diminuirão o seu papel”, explica Nansen Saleri, do Quantum Reservoir Impact, acrescentando que a mudança deixará o mercado mais estável.

O problema principal dos mercados em desenvolvimento ainda é a falta de transparência de dados e de prestação de contas em comparação aos processos nos países desenvolvidos. “Em alguns países em desenvolvimento, existe um  forte estereótipo de que as informações sobre a energia pertencem aos segredos de Estado”, diz uma fonte da Comissão Europeia.

Maria van der Hoeven reconhece, contudo, que os países em desenvolvimento divulgam cada vez mais dados, mas a discussão entre os países industrializados e os futuros membros associados da AIE pode se esticar por anos. Paralelamente, um dos participantes da negociação disse ao jornal “Financial Times” que as propostas da AIE foram vagas e carecem de especificidade. A contribuição dos membros associados para o orçamento da AIE também não foi discutida.

A AIE já tentou atrair as grandes economias em desenvolvimento no início dos anos 2000, principalmente a China. Mas a tentativa falhou na ocasião, porque alguns membros da organização — Estados Unidos, Alemanha e Japão — não deram apoio ou mostraram-se contra o projeto.

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