Economista investigado no caso Yukos é reeleito para conselho do Sberbank

Guriev garante a inocência de Khodorkóvski e nega conflito de interesse no caso Foto: Kommersant

Guriev garante a inocência de Khodorkóvski e nega conflito de interesse no caso Foto: Kommersant

Serguêi Guriev recebeu a maioria dos votos depois de o banco dizer que era “tarde demais” para retirar sua candidatura.

O economista Serguêi Guriev reeleito no início de junho para o conselho administrativo do Sberbank, o maior banco da Rússia. O empresário fugiu da Rússia depois de ser interrogado pelos investigadores por causa de um relatório crítico que co-redigiu em 2010 sobre o julgamento do magnata preso Mikhail Khodorkóvski.

Guriev foi reeleito pela Assembleia Geral do banco, apesar de ter retirado sua candidatura alguns dias antes. O diretor-executivo do Sberbank, Guêrman Gref, disse que era tarde demais para tirar o nome de Guriev da lista de candidatos. Em um sinal de apoio dos empresários e autoridades do banco, Guriev recebeu o maior número de votos entre todos os candidatos – inclusive o voto do próprio Gref.

O diretor-executivo descreveu Guriev como “um profissional muito eficiente, honesto e intransigente”, acrescentando que tinha “esperança” de que Guriev poderia voltar a Moscou em breve.

“Só prefiro a liberdade. Minha família também merece ter medo algum por mim”, disse Guriev, que largou seu cargo de diretor da Nova Escola de Economia de Moscou na semana passada, em um e-mail transmitido de Paris, onde se juntou à sua esposa e filhos nas últimas semanas. Guriev começou a trabalhar como professor convidado no Instituto de Estudos Políticos de Paris.

Ele disse que deixou a Rússia depois de ser entrevistado por investigadores sobre um relatório que ele e outros especialistas escreveram sobre o segundo julgamento de Khodorkóvski, ex-diretor-executivo da Yukos, no qual questionou a sentença de que Khodorkóvski e seu sócio, Platon Lebedev, haviam desviado milhões de toneladas de petróleo da Yukos.

Guriev disse que tomou a decisão de deixar o país depois que investigadores exigiram ver seus e-mails pessoais e profissionais dos últimos cinco anos, e temia que eles estavam se preparando para prendê-lo como suspeito.

Em 2005, o primeiro julgamento de Khodorkóvski e Lebedev resultou na condenação de ambos a oito anos de prisão por fraude e evasão fiscal. No final de 2010, um segundo julgamento aumentou a pena para 14 anos. As sentenças foram posteriormente reduzidas para 11 anos.

Em 2011, Guriev disse em um comunicado oficial ao Conselho de Direitos Humanos do Kremlin que Khodorkóvski não era culpado no segundo julgamento. Guriev também afirmou que ele não tinha nenhum conflito de interesses com Yukos ou Khodorkóvski.

O porta-voz do Comitê Investigativo, Vladímir Markin, disse que os investigadores estavam averiguando uma doação feita em 2003 no valor de US$ 50 mil à Nova Escola de Economia pela Fundação Rússia Aberta de Khodorkóvski. Guriev rebateu que estava em licença da universidade naquela época.

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