Nem só de petróleo vive a economia

País reduziu participação das receitas provenientes de petróleo e gás natural, o setor de TI ganhou destaque entre os demais. Assim, Yandex movimentou US$ 1,43 bi na abertura da oferta inicial de ações (IPO) na Nasdaq em março deste ano Foto: Reuters

País reduziu participação das receitas provenientes de petróleo e gás natural, o setor de TI ganhou destaque entre os demais. Assim, Yandex movimentou US$ 1,43 bi na abertura da oferta inicial de ações (IPO) na Nasdaq em março deste ano Foto: Reuters

Mescla única entre a herança do império comunista e o ideário moderno, economia russa contrasta com a de países europeus.

Em 2009, a economia russa caiu quase 8%, deixando muitos russos preocupados com a possibilidade de uma repetição da crise da dívida pública de 1998, quando o setor ficou estagnado, os bancos mais importantes do país faliram e o rublo perdeu quase totalmente seu valor. 

Mas a Rússia aprendeu com o final da década de 1990 a viver de acordo com suas possibilidades financeiras. Durante 13 anos, o governo executou o orçamento do Estado sem déficit. Em 2012, ano de eleições presidenciais, as despesas federais superaram as receitas em 0,1% do PIB. 

Hoje, a Rússia tem uma das menores dívidas externas do mundo. Segundo o analista da agência de análise InvestKafe, Timur Nigmatullin, no dia 1º de abril de 2013 a dívida externa russa somava US$ 49,8 bilhões, com o PIB beirando os US$ 2 trilhões.

Dependente? 

O país certamente deve sua prosperidade aos consumidores de seus recursos energéticos no exterior. Em 2012, as exportações de petróleo e de gás natural proporcionaram mais de 50% da receita orçamentária. Isso faz com que as finanças públicas sejam extremamente sensíveis às flutuações dos preços mundiais das commodities. 

No entanto, tendo aprendido com a amarga experiência dos anos 1990, a Rússia mantém parte de suas receitas provenientes das exportações de recursos energéticos em fundos especiais. Como resultado, o país saiu menos prejudicado da crise econômica de 2008/2009 do que outras nações, apesar de uma queda significativa do PIB (7,8%) e redução de três a quatro vezes dos preços mundiais dosrecursos energéticos. 

A economia russa resistiu à crise graças a um amplo programa de apoio financeiro bancado pelos cofres do Estado. E o objetivo foi atingido: as agências de classificação de risco elevaram a nota russa à primeira escala no grau de investimento. 

“É mais rentável investir na Rússia hoje do que em um belo amanhã, quando as medidas tomadas para melhorar o clima de investimento e crescimento econômico entrarem em ação. Nesse caso, o princípio é o mesmo do mercado de valores: é mais rentável comprar um papel quando ele está em queda. Os custos são mais baixos”, afirmou à Gazeta Russa a diretora do departamento de análise da Agência Nacional de Rating, Karina Artemieva. 

Reduzir a dependência

A participação das receitas provenientes das exportações de petróleo e de gás natural no PIB vem, paulatinamente, diminuindo. E o governo pretende reduzi-la ainda mais: dos atuais 10,5% do PIB para 8,5% até 2015. 

A Rússia herdou da extinta União Soviética um sistema completamente contrário à economia de mercado. Se o país parece progredir muito lentamente no plano econômico, há de se lembrar que, há 22 anos, muita coisa não existia no país. Não havia, por exemplo, um setor bancário competitivo. Hoje, os bancos são o verdadeiro sistema nervoso da economia russa. 

De acordo com a Agência de Seguro de Depósito, no primeiro trimestre de 2013, a carteira total de depósitos bancários subiu para cerca de R$ 920 milhões. Estudos do centro de pesquisas Romir mostram que o percentual dos russos detentores de poupança atingiu 75%, um nível recorde nos últimos 20 anos. A parcela que mantém suas poupanças na moeda local subiu para 80%. 

Na União Soviética não havia mercado de valores mobiliários. Atualmente, a capitalização total do mercado de ações russo é da ordem de 20 trilhões de rublos (cerca de US$ 650 bilhões) ou 32% do PIB. O desafio é fazer com que esse indicador seja de 100% do PIB até 2018. 

Enquanto o governo russo não se cansa de falar sobre a necessidade de reduzir a dependência do país das exportações de matéria-prima, a participação das indústrias primárias no PIB continua crescendo. 
Apesar do declínio da demanda por recursos energéticos na Europa, o maior mercado para a exportação de hidrocarbonetos russos, a economia do país está registrando crescimento, ainda que pequeno, do PIB. A rentabilidade média das operações na Rússia é de 20% a 30%, ou quatro a cinco vezes superior à da Europa.

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