Com restrições, Rússia deve liberar exportação de GNL por empresas privadas

O monopólio sobre a exportação de gás pertence à Gazprom desde 2006 Foto: Reuters

O monopólio sobre a exportação de gás pertence à Gazprom desde 2006 Foto: Reuters

Para isso, as empresas devem apresentar os acordos preliminares com os compradores. Os analistas consideram que, a longo prazo, isso poderia influenciar a redistribuição de forças e os preços do gás no mercado mundial.

A liberalização das exportações de GNL (gás natural liquefeito) pelas empresas Novatek e Rosneft será analisada pelo legislativo quando ambas conseguirem firmar acordos provisórios com parceiros estrangeiros, declarou o vice-primeiro-ministro Arkádi Dvorkovich, responsável pela supervisão do Complexo de Combustível e Energia. De acordo com as suas previsões, essas alterações serão introduzidas ainda este ano.

O monopólio sobre a exportação de gás pertence à Gazprom desde 2006. No ano passado, a Novatek e, em seguida, a Rosneft levantaram a questão da liberalização do fornecimento de GNL.

O governo insiste que a ida da Novatek e da Rosneft, maior empresa produtora de petróleo mundial, para os mercados internacionais não deve atrapalhar a estatal Gazprom.

Anteriormente, o Ministério de Energia tinha proposto permitir a entrada de seus concorrentes em todas as regiões, com exceção da Europa. Mas no final da semana passada, Dvorkovich falou sobre uma outra opção:

"Queremos ter a certeza de que não se trata da  criação de uma concorrência com a Gazprom em alguns mercados específicos e que vamos fazer isso [revogar o monopólio] apenas em relação aos acordos que analisaremos com os nossos próprios olhos."

“Não estamos falando de contratos juridicamente vinculativos, mas de acordos entre empresas e consumidores, onde está registrada a ‘disposição de comprar gás por preços determinados’”, ressalvou o vice-primeiro-ministro.

Dvorkovich disse que Novatek e Rosneft estão realizando "negociações ativas" com parceiros de Japão, China, Coreia do Sul e outros países da região da Ásia-Pacífico. A revogação do monopólio nessa variante estará relacionada somente aos acordos individuais e não aos mercados e às exportações de GNL em geral, explicou uma fonte do governo.

Em março, o presidente da Novatec, Leonid Mikhelson, disse que a empresa "está em fase avançada de negociações com os futuros compradores; 80% dos contratos contemplam as suas exigências e estão prontos para ser assinados".

No final da última semana, a Novatek informou que as negociações sobre os contratos para a venda de GNL estão progredindo com sucesso e que a empresa está dando preferência aos países da região Ásia-Pacífico.

"Acreditamos que em breve forneceremos todas as informações necessárias para a liberalização das exportações de GNL", esclareceu na empresa.

A Rosneft não comentou o assunto.

Novos mercados

"Se as empresas russas não ocuparem a Ásia agora, os australianos e os americanos farão isso, ganhando um mercado bastante competitivo", afirma o analista Vasíli Tanurcov, da Veles Capital.

“Devemos lembrar que a Austrália deve aumentar a sua capacidade de produção de GNL até 2015. Os Estados Unidos apresentam, por enquanto, uma capacidade pequena em relação à liquefação de gás, entretanto, dois projetos para a exportação já receberam licença do governo (mais 17 projetos estão sendo analisados). A longo prazo, o aumento da concorrência vai afetar o preço do produto, mas é verdade que não devemos esperar uma queda nos preços nos próximos dez ou quinze anos.”

Tanurcov destaca também que esses eventos podem afetar a Europa indiretamente.

"Por exemplo, se para o Catar tornar-se pouco rentável vender gás para a Ásia, ele poderá redirecionar o seu excedente para a Europa. Com isso, estará competindo com a Gazprom em pequena escala”,  comenta o analista.

Investimentos

Na Rússia, por enquanto, somente a Gazprom tem instalações funcionais para a liquefação, dentro da planta Sakhalin-2 (com capacidade de aproximadamente 10 milhões de toneladas por ano).

Ainda este ano, a Novatek deve tomar uma decisão final quanto ao investimento no projeto Yamal GNL –a execução da primeira fase, para produção 5,5 milhões de toneladas/ano, está prevista para o final de 2016; a capacidade total é de cerca de 17 milhões de toneladas/ano).

Por sua vez, a Rosneft, em conjunto com a ExxonMobil, anunciou a construção de uma usina de GNL em Sakhalin ou em Khabarovsk –a capacidade será de 10 milhões de toneladas/ano, e prazo de lançamento, 2018).

Já a Gazprom tem um projeto em estágio mais avançado em Vladivostok. A planta inclui três fases de 5 milhões de toneladas por ano cada, com início em 2018. Além disso, a Gazprom não rejeita planos para a liquefação de gás do depósito de Shtokman (para depois de 2019).

Mikhail Korchemkin, presidente da East European Gas Analysis, acredita que o projeto da Rosneft apresenta as maiores chances de sucesso. Ele explica que a Yamal GNL, da Novatek, pode fornecer gás para a Ásia apenas de quatro a seis meses ao ano, devido à especificidade da navegação.

Já o custo do gás no projeto Vladivostok GNL, da Gazprom, pode ser maior do que os preços praticados pelos concorrentes, e o projeto pode exigir subsídios. Em segundo lugar, o perito classifica como “projeto real" a expansão da planta de GNL que já está funcionando no Sakhalin-2.

 

Com materiais do Védomosti e do Kommersant 

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