Para escapar da lei, senador transfere empresas para entidade

Foto: RIA Nóvosti

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Conselho da Federação aprovou lei que proíbe oficiais do governo de possuir contas bancárias no exterior ou títulos emitidos fora do país.

O senador russo Suleiman Kerimov, o 20° homem mais rico da Rússia e o número 162 no ranking mundial da Forbes, transferiu seus ativos para uma fundação de caridade que ele mesmo fundou “a fim de evitar questionamentos” sobre as contas no exterior, disse o assessor de Kerimov, Aleksêi Krasovski, à agência de notícias RIA Nóvosti na terça-feira passada (30).

“Recentemente, Kerimov decidiu transferir os direitos beneficiários de seus negócios para uma instituição de caridade chamada Fundação Suleiman Kerimov”, declarou Krasovski.

O Conselho da Federação (câmara alta do parlamento russo) aprovou na semana passada um projeto de lei que proíbe oficiais do governo de possuir contas bancárias no exterior ou títulos emitidos fora do país.

Assim que a lei for ratificada pelo presidente Vladímir Pútin, as autoridades terão três meses para fechar suas contas no exterior e transferir seus fundos para a Rússia ou então deverão abandonar seus cargos.

Após a eleição no Conselho da Federação, Kerimov se retirou dos negócios e colocou seus ativos comerciais sob supervisão de sociedades fiduciárias, inclusive empresas que atuam sob jurisdição estrangeira, informou o assessor. “Embora a fundação esteja registrada na Suíça, a organização está implementando grandes projetos de educação, medicina, cultura e atividades sociais na Rússia”, disse.

Entre os principais bens de Kerimov citados pela Forbes, estão participações na Polyus Gold (maior produtora de ouro da Rússia), na imobiliária PIK, no provedor de telefonia de longa distância Rostelecom e no maior produtor de fertilizantes de potássio Uralkali. No total, as propriedades valem aproximadamente US$ 7,1 bilhões.

O projeto de lei permite, contudo, que autoridades tenham imóveis no exterior, desde que declarem os bens e consigam explicar as fontes de renda usadas para tais aquisições.

 

Publicado originalmente pelo The Moscow News

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