Lukoil nega interesse em comprar ações da OGX

Vaguit Alekperov, diretor da petrolífera Lukoil Foto: Photoshot

Vaguit Alekperov, diretor da petrolífera Lukoil Foto: Photoshot

Os rumores de que a petrolífera privada russa Lukoil estivesse interessada em adquirir uma fatia de 40% da companhia OGX, de Eike Batista, caíram em solo fértil. No entanto, gigante do petróleo não confirmou intenção de comprar ações da empresa brasileira OGX nem de participar do leilão da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), previsto para maio deste ano.

No final de fevereiro passado, o presidente da Lukoil, Vaguit Alekperov, visitou o Brasil para discutir com os colegas brasileiros a possibilidade de implementar projetos conjuntos. No entanto, apesar de a empresa russa ter declarado repetidas vezes seu interesse pelo mercado brasileiro, nenhum acordo concreto foi assinado até o momento.

Os rumores de que a  Lukoil estaria em negociação com a OGX foram, inclusive, desmentidos pelo próprio Alekperov, durante uma reunião do conselho administrativa da companhia na Sicília, onde a Lukoil possui uma fábrica. Na Itália, Alekperov disse que sua empresa não tem interesse em comprar quaisquer empresas brasileiras e optou por não participar do leilão da ANP, previsto para acontecer em maio deste ano.

“No início deste ano, a Lukoil disse ter interesse em participar de projetos na plataforma continental brasileira. O Brasil é uma região promissora em termos de aumento da produção de petróleo. O petróleo brasileiro tem boa qualidade e apresenta baixo teor de enxofre em comparação com o petróleo venezuelano”, diz o analista da Investkafe, Grigóri Birg.

Para o especialista, a participação da empresa russa em projetos de exploração no Brasil poderia ajudá-la a otimizar seus custos no Ocidente. Paralelamente, fontes próximas à Lukoil dizem que, embora a transação corporativa não seja realizada, é bem possível a Lukoil possa aderir a um dos projetos da OGX.

A Lukoil já possui uma importante carteira de projetos de exploração e opera no Iraque, Uzbequistão, Venezuela e em águas profundas da África. Além disso, a empresa possui uma rede de postos de abastecimento nos EUA.

Foco no exterior

Na Rússia, a empresa tem dificuldades em obter acesso a novas jazidas na plataforma continental do país, onde só são admitidas empresas com uma grande participação do Estado, como Gazprom e Rosneft.  Nos últimos três anos, a Lukoil tem registrado queda na produção. Mesmo assim, de acordo com o portal de internet Gazeta.ru, em 2012, essa queda diminuiu de 5% para 1%. Em 2013, a empresa espera aumentar 2% sua produção de petróleo.

Para compensar o declínio da produção na Rússia, a Lukoil está investindo em iniciativas no exterior e tem como meta dobrar a produção de hidrocarbonetos no exterior para 20%.

Responsável por 2,2% da produção mundial de petróleo, a empresa russa já está familiarizada com o mercado latino-americano.

Em dezembro de 2012, a petrolífera deixou o projeto de exploração do bloco Condor, na Colômbia e, atualmente, a Lukoil Overseas opera na Venezuela como integrante do Consórcio Nacional de Petróleo para a exploração do bloco Junin-6. Os receios de alguns analistas políticos de que, após a morte do ex-líder da Venezuela, Hugo Chávez, os interesses do empresariado russo no país pudessem ser afetados não se concretizaram, uma vez que as eleições presidenciais foram vencidas por seu aliado, Nicolás Maduro.

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