Medvedev se mostra preocupado com desaceleração econômica do país

Após concluir mandato como presidente, Medvedev inverteu de cargo com Pútin em maio do ano passado Foto: ITAR-TASS

Após concluir mandato como presidente, Medvedev inverteu de cargo com Pútin em maio do ano passado Foto: ITAR-TASS

Em seu primeiro pronunciamento como primeiro-ministro perante a Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo), Dmítri Medvedev falou sobre o desempenho econômico de seu governo no ano passado sem abordar questões políticas. Premiê reiterou a necessidade de implantar novas medidas para segurar uma possível recessão.

Durante a reunião realizada na quarta-feira passada (17), Medvedev qualificou como bom o desempenho macroeconômico do país no ano passado, ao apontar que o PIB cresceu 3,4%, os salários tiveram, em média, um aumento de 5,6%, e o desemprego caiu de 6,5% em 2011 para 5,5%. Embora o orçamento federal tenha sido executado com um pequeno déficit, a dívida pública da Rússia representa apenas 10% do PIB, enquanto nos EUA a dívida pública é de mais de 100% e na Alemanha, 43%.

O premiê espera que, até 2018, o investimento estrangeiro direto no país chegue a US$ 70 bilhões ao ano. A Rússia está atualmente em sexto lugar no mundo e em segundo lugar entre os países do Brics em investimento estrangeiro direto em cinco anos (US$ 265 bi). “Esse resultado é bom, mas ainda temos metas a alcançar”, disse Medvedev.

Ao falar sobre as perspectivas da economia russa, o primeiro-ministro reforçou a atual tendência de desaceleração econômica e seus possíveis riscos. O desafio do governo é, segundo ele, implantar medidas para conferir uma “dinâmica aceitável” aos principais indicadores econômicos.

Por fim, Medvedev criticou as autoridades cipriotas, pois teriam dado o pior exemplo de uma política de confisco de dinheiro de offshore. “Mas acho que devemos agradecer a nossos parceiros da União Europeia aquilo que fizeram com o Chipre, mostrando o que pode acontecer com o dinheiro mantido em um só país”, completou.

As atividades do governo de Medvedev tinham sido criticadas por três bancadas parlamentares, menos a do partido governista Rússia Unida. O líder da bancada do Rússia Justa,  Nikolai Levichev, disse que, no próximo outono, seu grupo poderá propor um voto de desconfiança ao governo. “Afinal, ao que tudo indica, a probabilidade de recessão na segunda metade do ano é grande”, disse o deputado.

De acordo com o porta-voz da presidência, Dmítri Peskov, o presidente Vladímir Pútin, que pertence ao mesmo partido de Medvedev, teria avaliado positivamente o relatório do governo.

 

Com  materiais dos veículos Vedomosti, Kommersant.ru e da agência RIA Nóvosti

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