Piauí quer atrair investidores russos

Caminhões da Kamaz já venceram várias vezes o rally Dakar Foto: AP

Caminhões da Kamaz já venceram várias vezes o rally Dakar Foto: AP

Em visita a Moscou, governador do estado discutiu possibilidades de investimento na região, desde a produção de fertilizante a exploração de minérios. Piauí também pode se tornar o primeiro local da América Latina a fabricar caminhões russos.

De passagem por Moscou na semana passada, o governador do Piauí, Wilson Nunes Martins, reconheceu o grande potencial tecnológico da Rússia. “O nosso objetivo é atraí-lo para nosso estado”, disse Martins aos repórteres russos no último 12 de abril, data em que era celebrado o 52º aniversário do primeiro voo tripulado ao espaço.

A coletiva de imprensa foi realizada após uma reunião na Câmara de Comércio da Rússia, onde também estiveram presentes os presidentes do Conselho de Empresarial Rússia-Brasil, Serguêi Vassiliev, e da Comissão da Câmara de Comércio e Indústria de Moscou para a cooperação econômica com o Brasil, Dmítri Labin, e o diretor-adjunto da NC SESLA (Comissão Nacional de Cooperação Econômica com Países da América Latina),  Iúri Górski.

Durante o encontro, foi acertada a visita de uma delegação de empresários russos ao Piauí, que deverá ocorrer entre os dias 1 e 10 de julho. “Estamos à procura de potenciais investidores para o Brasil e para o Piauí, portanto, viemos demonstrar o potencial do estado”, disse Martins aos repórteres.

O objetivo é também acabar com o “desequilíbrio na economia brasileira”, já que os investimentos ficam concentrados sobretudo nas regiões sul e sudeste do país. “Nossa tarefa é atrair investimentos para a região nordeste e em especial, para o Piauí”, acrescentou.

Após a reunião de quarenta minutos com o jornalistas, o governador se encontrou a portas fechadas com os representantes da montadora russa Kamaz. Os representantes da fabricante de caminhões já haviam feito um contato preliminar com as autoridades brasileiras e o estado do Piauí planeja oferecer para a empresa russa a oportunidade de criar uma montadora local. Embora os detalhes da negociação não tenham sido revelados, Martins adiantou que pode se tratar da produção de motores, caminhões e máquinas agrícolas.

O governador do Piauí disse ainda que o estado tem interesse em desenvolver relações comerciais com fabricantes de fertilizantes da Rússia. “O Brasil é quem mais importa fertilizantes da Rússia e no estado encontra-se o maior importador, o Alimentos Burger. Estamos interessados no desenvolvimento da produção de fertilizante, mesmo porque o Piauí tem grandes reservas de fosfatos”, disse Martins.

Outra área de possível cooperação é na extração de minérios, de petróleo e gás. Durante as reuniões da semana passada, o governador anunciou uma licitação para a produção de gás natural no estado, que será realizada em meados de maio.

Impulso bilateral

O Brasil é o maior parceiro comercial da Rússia na América Latina, respondendo por 55% do volume total de circulação de commodities da Rússia com a região. Em 2012, os negócios entre os dois países movimentaram US$ 5,7 bilhões. Ainda assim, esse volume equivale a duas vezes menos que a circulação de commodities da Rússia com a India e quase 16 vezes menos que ocorre com a China.

Especialistas sugerem que Brasil e Rússia ainda não resolveram seu principal problema, isto é, o desequilíbrio do comércio entre os dois países. O Brasil fornece principalmente carne e açúcar para a Rússia e, por causa da crescente produção interna, as importações desses bens não está crescendo, mas sim diminuindo. Em contrapartida, a Rússia envia sobretudo fertilizantes agrícolas para o outro lado do globo. Apesar dos recentes avanços, como a autorização para as vendas de aviões da Embraer no território da União Aduaneira (Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão), eles não apresentam grande impacto em termos de volume e estrutura do comércio.

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