México e Canadá sofrem com embargo aos EUA

Foto: AP

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No início de abril, o embargo russo à carne proveniente dos Estados Unidos teve um novo capítulo, quando Moscou reduziu também drasticamente as importações de carne do México e Canadá. O motivo é que parte da matéria-prima para as indústrias locais provém dos Estados Unidos.

As novas restrições temporárias foram anunciadas no dia 8 de abril pelo diretor do Rosselkhoznadzor (Serviço de Fiscalização Veterinária e Fitossanitária da Rússia), Serguêi Dankvert.

As agências veterinários russa e americana não encontraram uma resolução conjunta para o problema. Assim, estão autorizados a exportar à Rússia apenas 15 dos 88 fornecedores de carne suína canadenses e 10 dos 64 de carne bovina. Somente as plantas que verificadas pelos russos poderão exportar seus produtos ao país.

A Rússia já havia imposto restrições à importação de carne proveniente de quatro empresas canadenses e os produtos de outras sete foram colocados sob monitoramento severo.

“A gota d'água foi a descoberta de ractopamina na produção da empresa Multi-portions Inc., especializada em corte de carne de porco”, declarou Dankvert.

Situação semelhante foi registrada no México pelo serviço veterinário russo. Apesar de os funcionários mexicanos negarem a utilização de ractopamina na carne, os russos encontraram um análogo da substância no produto.

Além disso, descobriu-se que empresas mexicanas processavam carne proveniente dos Estados Unidos, inclusive no preparo de produtos exportados à Rússia.

Ractopamina à vista

O problema com a ractopamina no produto norte-americano começou em dezembro de 2012, quando a Rússia exigiu que os Estados Unidos confirmassem não utilizar estimulantes de crescimento.

O governo norte-americano não tomou nenhuma medida para atender ao pedido, e a Rússia embargou a produção dos EUA. Proibição similar foi imposta também pela China aos EUA.

Protegendo a produção nacional?

Antes do embargo, a Rússia era o sexto maior mercado para a carne dos Estados Unidos. De acordo com estimativas da Federação de Exportação dos EUA, os fornecedores de carne de porco perderão 800 milhões de dólares  com a perda do mercado russo.

“O Rosselkhoznadzor alertou com muita antecedência sobre as regras e exigências da União Aduaneira e também da Rússia. A simples constatação de que a ractopamina não é usada no México não é o suficiente. Era necessário apresentar provas tangíveis de obediência às regras de segurança alimentar durante nossa verificação. Tanto que durante as verificações no México, foram revelados casos de abate e processamento tanto de bovinos quanto de equinos dos Estados Unidos”, disse à Gazeta Russa o vice-diretor da União Nacional de Produtores de Carne e Derivados da Rússia, Vasíli Proshenkov.

O embargo à carne bovina poderá beneficiará produtores da América do Sul, e certamente trará lucros a produtores russos de carne suína.

“Os fabricantes russos estão aumentando  substancialmente sua capacidade de produção de carne na esperança de que as restrições às importações continuem por tempo suficiente”, afirma a analista da consultoria Investcafe, Daria Pichugina.

“Se não agora, então nos próximos 2 a 3 anos, a Rússia poderá absorver grande parte da demanda doméstica de carne”, completa.

É difícil quando serão suspensas as restrições à carne canadense e mexicana. O Rosselkhoznadzor sugeriu realizar uma inspeção em maio deste ano. Mas mesmo que os resultados sejam positivos para canadenses e mexicanos, a suspensão das sanções só ocorrerá após alguns meses.

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