Gazprom desembarca na Bolívia

Rússia pretende aumentar sua presença no mercado de recursos energéticos latino-americano Foto: RIA Novosti

Rússia pretende aumentar sua presença no mercado de recursos energéticos latino-americano Foto: RIA Novosti

Parlamento boliviano aprovou a participação da gigante de gás russa Gazprom em projetos de mineração no país. Trabalho será realizado em conjunto com a companhia francesa Total.

Em setembro de 2010, o grupo Gazprom e a companhia francesa Total assinaram um acordo para a transferência da participação societária no projeto de pesquisa mineral nos blocos Hypatia e Akio, bem como a realização de uma pesquisa mineral conjunta. Como resultado, o Grupo Gazprom (Gazprom EP International BV) ficou com 20% do capital social, a Total, com 60%, e a empresa argentina Techint Group, com 20%.

Três anos mais tarde, o governo boliviano permitiu à Gazprom explorar esses dois blocos onde havia sido descoberta a jazida de gás condensado Incahuasi, com reservas de gás avaliadas em 176 bilhões de metros cúbicos e de gás condensado estimadas em cerca de 15 milhões de toneladas.

Esse não é o primeiro projeto da gigante russa na Bolívia, contudo. Em março de 2008, a Gazprom e a empresa estatal boliviana YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos) assinaram um acordo para realizar a prospeção geológica nos blocos Sunchal, Acero e Carauaicho.

O centro de pesquisa Gazprom VNIIGAZ, uma subsidiária da Gazprom, elaborou um projeto de desenvolvimento da indústria de gás boliviana até 2030, que foi apresentado ao governo local em 2010 e ganhou elogios. O fato de a Gazprom ter sido admitida para explorar os campos de gás bolivianos mostra que a empresa se fixou definitivamente no país e pretende consolidar suas posições no mercado latino-americano de hidrocarbonetos.

No entanto, os representantes da empresa se recusaram a comentar os detalhes da participação da Gazprom no projeto russo-franco-argentino, dizendo que a transação ainda  está oficialmente concluída.

Especialistas russos acreditam que a cooperação entre a Rússia e a Bolívia na indústria de gás é mutuamente vantajosa e promissora. Diante do crescimento do papel político e econômico da América Latina no cenário mundial, a Rússia pretende aumentar sua presença no mercado de recursos energéticos latino-americano. Prova disso são os projetos conjuntos da Gazprom na Venezuela e os futuros planos de cooperação com o Brasil, Uruguai e Paraguai.

“Isso contribuirá para a consolidação da posição da Rússia no continente latino-americano”, disse a funcionária científica do Instituto de Estudos sobre a  América Latina da Academia de Ciências da Rússia, Tatiana Vorotnikova, em entrevista ao canal de TV “Russia Today”.

Ainda segundo a especialista, a economia boliviana está muito interessada em receber capital estrangeiro. O país começou a buscar novos investidores após 2006, quando cinco empresa de gás estrangeiras foram nacionalizadas pelo presidente boliviano, Evo Morales, e entregues à empresa estatal YPFB.

Cabe lembrar que a nacionalização na Bolívia foi muito mais moderada do que na Venezuela, porém, algumas empresas estrangeiras acharam melhor deixar definitivamente o imprevisível mercado boliviano.

“Atualmente, o investimento em projetos bolivianos não acarreta grandes riscos. Creio que não há razões para dizer que os investidores ocidentais e russos têm receio de investir na Bolívia”, acrescentou Vorotnikova. “Durante a nacionalização da indústria de hidrocarbonetos, as autoridades bolivianas mostraram sua abertura ao diálogo e vontade de trabalhar em conjunto. Como resultado, a maioria das empresas estrangeiras preferiu permanecer ali.”

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