Rockefeller compra seu primeiro ativo de petróleo na Rússia

Tehneftinvest possui sete blocos localizados nas regiões autônomas de Ianao e Khanti-Mansi, na Rússia Central Foto: Press Photo

Tehneftinvest possui sete blocos localizados nas regiões autônomas de Ianao e Khanti-Mansi, na Rússia Central Foto: Press Photo

Petrolífera com sede no Reino Unido foi atraída por negócio que nenhuma empresa de prospecção nacional demonstrou interesse. Apesar disso, analista acredita que investimento pode ser bem-sucedido “se os parâmetros dos campos forem mais elevados do que os declarados ou se forem descobertos novos depósitos nos blocos”.

A Rockefeller Oil Company, que pertence a Steven Clark Rockefeller, chegou a um acordo para adquirir 100% da companhia Tehneftinvest (Grupo TNI), empresa russa de prospecção de petróleo que possui sete blocos com reservas totais de 180 milhões de toneladas de petróleo e 20 bilhões de metros cúbicos de gás. Embora ainda não concluída, a transação é estimada em US$ 1 bilhão.

Essa não é a primeira tentativa de Rockefeller de entrar no ramo do petróleo e gás na Rússia. Em 2012, o seu fundo BESS tentou comprar o banco de investimentos russo VTB Capital e da companhia de mineração de diamantes Alrosa 51% das ações da Sociedade Anônima Fechada Geotransgaz e um lote de ações da Sociedade Anônima Aberta Companhia de Gás Urengoyskaya, por 612 milhões de dólares. Mas o negócio nunca foi fechado e a Alrosa decidiu expandir os ativos não essenciais de gás de maneira independente.

Os principais ativos da Tehneftinvest são os sete blocos localizados nas regiões autônomas de Ianao e Khanti-Mansi, e o prazo para que quase todas as licenças expirem termina em 2025. O total de suas reservas consiste em 181 milhões de toneladas de petróleo e 19,3 bilhões de metros cúbicos de gás.

A extração é feita nos campos de Palnikovsk (2,3 mil toneladas de petróleo em 2011), no Tarkosalinsk Central (3,8 toneladas no ano de 2008 sendo que a produção total desde o início das atividades em 2007 foi de 4,8 mil toneladas), bem como nos quatro campos do bloco Izvestinsk (130 mil toneladas de petróleo e 112 milhões de metros cúbicos de gás, em 2011). 

A petrolífera Tehneftinvest (Tecnologia de Produção de Petróleo e de Investimento) foi registrada em 2002 e sua única proprietária é a Sagitech Investments Limited (Chipre). O ex-gerente geral da Sibneft, Fiódor Khorochilov, era apontado não oficialmente como sendo o beneficiário, mas desde novembro do ano passado encontra-se em processo de falência.

O colapso da empresa foi motivado pela crise econômica de 2008, uma vez que a petrolífera não conseguiu quitar os seus empréstimos. No final do mesmo ano, o balanço da Tehneftinvest apontava um saldo de passivos de longo prazo no valor de 26,5 bilhões de rublos sendo que, em 2009, eles passaram para a categoria de contas a pagar, totalizando 28,5 bilhões de rublos. No final de 2011, esse valor já atingia o montante de 44,8 bilhões de rublos. 

Em 2009, o Tribunal de Arbitragem de Moscou decidiu recolher da Tehneftinvest, a favor do VTB (um de deus principais credores), 469 milhões de rublos iniciais e outros 291,5 milhões de rublos relativos aos empréstimos que constavam de dois contratos de crédito. A empresa contestou a decisão, mas perdeu na apelação. Atualmente, 100% dos ativos pertencem ao VTB. 

Vitáli Kriukov, do IFD Capital, observa que o preço do barril de petróleo dos estoques da Tehneftinvest, cotado a US$ 0,78, está na faixa praticada pelo mercado. De acordo com ele, existem várias empresas menores como essa, mas a compra delas envolve algum risco, pois os estoques e o fluxo operacional podem ser significativamente menores do que o previsto.

O analista acredita que a VTB ofertou o ativo dessa empresa a todas as grandes companhias de petróleo que possuem depósitos em Ianao e Khanti-Mansi, principais centros de produção de petróleo. "É alarmante que nenhuma empresa de petróleo russa, apesar da atratividade da região e da qualidade das reservas, não esteja interessada na Tehneftinvest”, observa Kriukov.

As próprias grandes companhias russas de petróleo não souberam esclarecer ontem, se estavam ou não interessadas no Tehneftinvest. “Porém, se os parâmetros dos campos se mostrarem elevados do que os declarados ou se nos blocos forem descobertos novos depósitos, o investimento terá sido bem sucedido”, comenta o analista.

Publicado originalmente pelo Kommersant

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