Parceria de cara nova

Foto: Reuters

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Países do chamado Brick (K para a Coreia do Sul, do inglês “South Korea”) querem recuperar o atraso na área de inovações em relação às nações do G7.

Desde 1992, a diferença no número de publicações científicas dos países do Brick (Brasil, Rússia, Índia, China e Coreia do Sul) diminuiu cerca de cinco vezes, assim como a quantidade de pedidos de patentes. A conclusão foi tirada em um estudo realizado por analistas da Thomson Reuters e publicado em fevereiro passado sob o título simbólico “Building Bricks”.

No entanto, embora a maioria dos investimentos, pesquisas publicadas e pedidos de patente tenha sido registrada na China e Coreia do Sul, o estudo mostrou que cada país do Brick possui uma especialidade.

A Coreia do Sul, por exemplo, é famosa por suas pesquisas no campo de materiais e informática, enquanto o Brasil é o mais forte na petro e agroquímica. A Índia, por sua vez, é líder em inovação farmacêutica, e a Rússia é a mais eficaz no campo das ciências naturais (física, exploração do espaço, ciências da Terra e nucleônica).

Até recentemente, todos esses países seguiam sozinhos o caminho da inovação. “Porém, nos últimos anos, surgiu a possibilidade de coordenarem suas ações”, aponta o diretor de desenvolvimento do Centro de Inovação Skôlkovo, Maksim Kisselev.

Considerado o “Vale do Silício russo”, o Skôlkovo é um ambicioso projeto russo criado para desenvolver as cinco vertentes de inovação prioritárias para a Rússia: tecnologia da informação, eficiência energética, física nuclear, tecnologias biomédicas e exploração do espaço.

O centro russo possui acordos de cooperação com a maior organização de parques tecnológicos da China, a Tocha, e o parque sul-coreano de Guangzhou. No ano passado, também foram mantidas conversas com seus congêneres brasileiros e indianos.

Mesmo assim, a cooperação entre os países é mercada por alguns problemas. “É um pouco difícil conversar com os chineses. Eles querem que todos trabalhem em seu território e não têm nenhuma intenção de enviar suas startups à Rússia para projetos conjuntos, parcerias etc”, conta Kisselev.

O diretor do centro afirma, contudo, que a China acolhe muito bem os inovadores, uma vez que o país procura atrair tecnologias. “Tive a oportunidade de ver o parque tecnológico de Harbin e fiquei muito impressionado. A China demonstra uma atitude muito pragmática, isto é, atrair  tecnologias para comercializá-las”, completa.

Cabe lembrar que as realizações do parque tecnológico sul-coreano de Guangzhou são de interesse russo para os setores de TI, espacial e eficiência energética do Centro de Skôlkovo, assim como as tecnologias de titânio, considerando os planos de construir um Vale de Titânio no país.

Tecnologia para exportação

Os inovadores brasileiros que visitaram Moscou no final do ano passado, durante a viagem da presidente Dilma Rousseff à Rússia, também ficaram interessados pelas pesquisas russas na área de energia fotovoltaica. “O Brasil está construindo um novo aeroporto internacional por causa da próxima Copa do Mundo e, por isso, as autoridades mostraram interesse pelas novas soluções russas para o envidraçamento de grandes construções do ponto de vista de eficiência energética”, disse Kisselev.

Já a coordenação com a Índia no campo de inovações ainda está na fase inicial. “O Skôlkovo ainda não chegou a acordo com o governo indiano, mas participamos de um fórum de inovação muito representativo na Índia e acreditamos que nossas empresas poderiam cooperar no setor de tecnologias biomédicas”, acrescentou o especialista russo, ao comentar que a indústria farmacêutica indiana está se desenvolvendo em ritmo bastante acelerado.

No entanto, diferentemente da China, onde cada província tem sua própria incubadora de inovação financiada pelo governo central, boa parte de projetos na Rússia está sendo desenvolvida por meio de investimentos com capital de risco. Entre os seus clientes estão as empresas de todos os setores da indústria que precisam de soluções avançadas e que têm a possibilidade de investir em centros de pesquisa.

“Em primeiro lugar, são empresas do setor de petróleo e gás, de siderurgia e mineração”, diz diretora-geral do Centro Internacional de Inovações, Elena Trofimova. Além disso, estão sendo realizados trabalhos de pesquisa na área de fontes alternativas de energia.

Sem o apoio do Estado, a Rússia está desenvolvendo ainda projetos inovadores na área de soluções de TI, com destaque para o armazenamento e processamento de informações e análise preditiva. O crescimento anual do setor de TI russo gira em torno de 15% a 20% enquanto o segmento de internet cresce a uma taxa de 25% 30% e já ultrapassa os R$ 12 bilhões, informou o analista da  empresa AForex, Narek Avakian.

Segundo o especialista, os principais esforços inovadores da Rússia estão concentrados principalmente nos setores aeroespacial, químico, nuclear e de nanotecnologia. 

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