Investimento em energia renovável na Rússia é baixo, dizem analistas

Em 2009, o governo russo decretou que, até 2020, a fatia de energia elétrica obtida a partir de fontes renováveis deveria crescer dos atuais 0,8% para 4,5%. Compare-se: a Europa fixou a meta de 20%, enquanto alguns países da União Europeia foram mais longe e fixaram a marca de 50% a 60%.

Analistas afirmam que o dia em que as reservas de petróleo e gás no planeta acabarão não está longe. Por isso, exortam os países a buscarem e a desenvolverem urgentemente fontes de energia alternativas para cobrir a demanda de energia no futuro.

A situação pode mudar a qualquer momento porque a corrida às fontes de energia renováveis está em pleno andamento.

Enquanto isso, a Rússia se mantém à parte e não tem conquistas relevantes nesse domínio, a não ser o projeto de Reator Termonuclear Experimental Internacional (Iter, na sigla em inglês), que está sendo concretizado com a participação de cientistas do país.

Em 2009, o governo russo decretou que, até 2020, a fatia de energia elétrica obtida a partir de fontes renováveis deveria crescer dos atuais 0,8% para 4,5%. Compare-se: a Europa fixou a meta de 20%, enquanto alguns países da União Europeia foram mais longe e fixaram a marca de 50% a 60%. No entanto, analistas duvidam que mesmo esse plano modesto do governo russo venha a ser concretizado.

No início de dezembro passado, a empresa RusHidro divulgou um relatório, segundo o qual a participação das fontes renováveis ​​de energia (FER) no balanço energético do país em 2020 não será superior a 4%.

"A capacidade instalada poderá aumentar de 50 MW para 300 MW das usinas eólicas, de 70 MW para 200 MW nas usinas geotérmicas, de 10 MW para 200 MW nas pequenas usinas hidrelétricas e de 1 MW para 300 MW nas usinas de energia solar", afirma o diretor para as inovações e Fer da empresa, Mikhail Kozlov.

Outros projetos de energia renovável estiveram em debate em uma mesa redonda em meados de novembro passado em Moscou. Um dos projetos mais interessantes foi apresentado pela empresa Fortum.

Tratam-se de usinas capazes de obter a energia elétrica a partir de resíduos urbanos (os quais, entretanto, não podem ser considerados como fonte renovável), lascas de madeira e até dos caroços das oliveiras.

Segundo Sergêi Chijov, representante da empresa, o potencial dessas tecnologias na Rússia é enorme, porque os residentes do país produzem 40 milhões de toneladas de resíduos por ano, dos quais 90% são levados para aterros sanitários, 3% são incinerados e apenas 7% são reciclados.

Para Chijov, um dos entraves à implantação dessa tecnologia no país é a falta do respectivo quadro jurídico-institucional, principalmente a "tarifa verde", e de programas especiais de subsídios ao processamento de lixo que possam criar um mecanismo econômico favorável e tornar as tecnologias de uso de Fer atraentes para o investimento.

Sem projetos

De modo geral, podemos dizer que a Rússia carece de projetos inovadores nacionais na área de Fer.

"Isso porque não há mercado", diz Georgi Gógolev, diretor do programa de promoção da demanda de produtos inovadores.

"Como se sabe, as inovações acontecem quando há mercado. Na Rússia, não há mercado em razão de não termos uma lei especial sobre as Fer nem programas de subsídios ao setor semelhantes aos existentes em outros países", disse o responsável

"Não pode haver um setor de energia não subsidiado porque o setor energético faz parte da infraestrutura. Além disso, na Rússia, empresas de pequeno porte não têm acesso às redes distribuidoras. Enquanto na Alemanha os parques eólicos, inclusive aqueles offshore, são conectados a uma rede distribuidora por conta da mesma, na Rússia você não terá acesso à rede nem mesmo se construir um usina eólica ou solar bem perto de uma estação distribuidora", desabafa Gógolev.

Para Gógolev, a situação nessa área pode mudar em poucos anos se houver a respectiva vontade política. Exemplo disso são EUA, China, Alemanha e Índia, que, nos últimos cinco anos, assumiram a liderança mundial na utilização de Fer.

"A Rússia simplesmente não se interesse pelas energias verdes e não tem competências nem tecnologias. Houve dois projetos de lei sobre energia renovável e nenhum deles foi aprovado. Algumas disposições do segundo projeto foram aprovadas como emendas à Lei da Energia Elétrica. Embora o país não tenha uma lei sobre as Fer propriamente dita, o governo está elaborando um programa especial de subsídios ao desenvolvimento de Fer. No entanto, a questão é saber se esse programa será mesmo aprovado, como ele vai funcionar e se concede o acesso às redes de distribuição de eletricidade", disse Gógolev.

 

Publicado originalmente pelo Gazeta.ru 

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