Goldman Sachs vai ajudar Rússia a melhorar imagem por US$ 500 mil

Foto: Flickr/SEIU International

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A pedido do governo russo, Bancos de investimentos ocidentais vão tentar convencer investidores e agências de classificação de risco da atratividade do país para investimento.

O Ministério do Desenvolvimento Econômico da Rússia e o Fundo Russo de Private Equity (FRPE) assinaram um memorando de entendimento com o Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo. O objetivo é que a instituição ajude a Rússia a estabelecer um diálogo com os investidores estrangeiros e agências de rating.

O anúncio foi feito pelo diretor do escritório do banco na Rússia, Paolo Zannoni, que disse estar muito satisfeito com a ampliação de sua  parceria com o governo russo. O governo russo pagará US$ 500 mil em três anos pelos serviços de consultoria do banco para melhorar a imagem da Rússia no mundo.

A iniciativa não irá, contudo, eliminar os esforços para promover o clima de investimento favorável dentro do país. “O problema é não conseguirmos informar devidamente os investidores de nossas atividades”, adiantou o vice-ministro do Desenvolvimento Econômico, Serguêi Beliakov.

Para tanto, o Goldman Sachs, selecionado por sua grande experiência e influência em muitos países, irá coordenar o contato da Rússia com investidores estrangeiros, participar de apresentações e viagens internacionais, além de elaborar um plano de atividades conjuntas.

Em dezembro do ano passado, o economista-chefe do banco para a Rússia e a CEI (Comunidade de Estados Independentes), Clemens Graf, disse que a instituição não havia incluído as ações de empresas russas na lista dos mercados emergentes porque o mercado do país é imprevisível e sujeito a constantes mudanças em seu sistema de regulação.

Beliakov acredita, entretanto, que o Goldman Sachs só estava tentando evitar o conflito de interesses. “Caso contrário, o banco não teria conseguido se tornar conselheiro do governo”, completou.

“Para realizar o trabalho, banco terá reforço de um grupo composto por altos funcionários do governo russo, FRPE, Banco do Comércio Exterior e bancos estatais”, acrescentou o diretor-geral do FRPE, Kirill Dmítriev.

Ajuda externa

O FRPE anunciou o lançamento de uma campanha de promoção de imagem “Invista na Rússia” durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, que terminou no sábado passado (26). Baseando-se no lema “A Rússia é crescimento”,  Dmítriev expôs a impressionante evolução dos indicadores macroeconômicos na Rússia entre 1999 e 2012. “Em quais outros países as reservas internacionais aumentaram 44 vezes em 13 anos?”, salientou o responsável.

O presidente do Banco de Poupança da Rússia (Sberbank), Guêrman Gref, concorda que os ranking internacionais subestimam a economia russa. Na lista de competitividade econômica do Fórum Econômico Mundial, por exemplo, a Rússia continua em 134º lugar, atrás da Albânia, Armênia, Botswana e Peru.

“O rating de crédito da Rússia também não corresponde à verdade”, garante o Ministério das Finanças da Rússia em um relatório intitulado “Principais Opções da Política de Endividamento para o triênio 2013-2015”. A Rússia apresenta um desempenho econômico melhor do que os países com notas no nível BBB e até no nível A (veja o infográfico).

Diante disso, o diretor do Departamento de Dívida Pública do ministério, Konstantin Vichkovski, enviou cartas aos bancos de investimento perguntando se estariam dispostos a ajudar a Rússia a melhorar sua classificação e o que eles poderiam fazer por isso. Embora o ministério não espere um resultado imediato, uma vez que a revisão do rating depende de muitos fatores fundamentais, alguns bancos já aceitaram a proposta e se inscreveram no processo.

Os consultores poderão ajudar as autoridades russas a compreender melhor como as agências de classificação elaboram ratings, avaliam a situação em um país e fazem previsões. “O rating não passa de um ponto de orientação para os investidores e reflete a capacidade do emitente de pagar a dívida, a probabilidade de inadimplência e vários outros fatores”, explica o analista do grupo ING, Egor Fedorov.

“A Fitch atribui uma perspectiva estável à Rússia e não tem razões suficientes e importantes para melhorar sua classificação neste ano”, afirma Charles Seville, diretor do grupo de ratings soberanos da agência. Segundo ele, a posição da Rússia irá melhorar quando a economia nacional reduzir sua dependência do petróleo e o país monitorar seus indicadores macroeconômicos, diminuir a inflação e aumentar a produtividade do trabalho, assim como melhorar o clima de investimento e dar continuidade à privatização dos bens estatais.

 

Publicado originalmente pelo jornal Vedomosti

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