Moscou pode se tornar centro de formação empresarial, dizem participantes de fórum

Fórum Gaidar sobre Economia, em Moscou. Foto: RIA Nóvosti

Fórum Gaidar sobre Economia, em Moscou. Foto: RIA Nóvosti

“A Rússia realmente tem todos os pré-requisitos para se tornar um centro de treinamento gerencial no Leste Europeu”, assegura o Presidente da Associação para a Formação Empresarial da Rússia, Serguêi Myasoiedov.

A Rússia pode se tornar um centro de formação empresarial na Europa Oriental.

Essa é a opinião dos participantes da mesa redonda "Modelo de Gestão dos Países do Brics e Desafios Para o Preparo de Gestores Multifuncionais”, realizada no Fórum Gaidar sobre Economia, em Moscou.

Com base no ranking do Financial Times, hoje existem vários hubs educacionais, como Londres, Boston, Singapura, Madri e Hong Kong.

Em breve, de acordo com o reitor da Universidade IE da Espanha, SantiagoIñiguez, a eles deverão se juntar Berlim, Moscou e Dubai. A capital russa se tornará a "capital" da formação empresarial no Leste Europeu, Berlim, na Europa Central e Dubai, no mundo árabe.

“A Rússia realmente tem todos os pré-requisitos para se tornar um centro de treinamento gerencial no Leste Europeu”, assegura o Presidente da Associação para a Formação Empresarial da Rússia, Sergey Myasoyedov.

"Se olharmos para o quadro informativo cria-se a sensação de que os países da Europa Oriental e da Comunidade dos Estados Independentes não são muito bons para o nosso país. No entanto, no caso da formação empresarial, a situação é um pouco diferente.

Estamos começando a engordar e a qualidade de nossa formação já está sendo reconhecida”, notou.

Além disso, a Rússia pode oferecer benefícios para esses países que não podem ser oferecidos por mais ninguém, acrescenta Myasoyedov, entre eles afinidade de culturas, idiomas, mentalidade e relacionamento nos negócios.

Brics

Em 12 anos, o volume de cursos para formação empresarial nos países do Brics aumentaram em várias vezes. Se em 2000 eles representavam apenas 8% de todas as provas feitas de GMAT (Exame de Admissão para Graduados em Administração, em português), no final de 2012 este número subiu para 33%.

A contribuição principal foi trazida por China e Índia, que concentram 95% das provas de GMAT feitas nos países do bloco. Trata-se de uma prova de aptidão lógica e verbal em inglês que é requisito básico para inscrição em muitos cursos de MBA e em universidades, sobretudo norte-americanas e europeias.

Assim, de acordo com Paul Judge, presidente da maior associação mundial de formação empresarial, a AMBA (Association of MBAs), a maior demanda nos países em desenvolvimento não ocorre por MBAs, mas por programas setoriais mais específicos: empreendedorismo, empresa familiar, conglomerados diversificados, corporações do estado, marketing nas economias de crescimento rápido, entre outros.

No entanto, novos modelos de formação também são necessários para os países desenvolvidos, assegura o presidente da organização internacional de consultoria The Adizes Institute, Ichak Kalderon Adizes.

"Seria necessário para o mundo, particularmente para os países do Brics, um novo modelo de formação empresarial? Vale a pena reinventarmos a roda? Sim, se a roda velha estiver quebrada. Essa situação cabe exatamente agora. As escolas de negócios ensinam a tomar decisões, mas não fornecem as ferramentas apropriadas para a sua implementação”, assegura Adizes.

"Quem administra pessoas odiando-as não é um administrador, mas uma ferramenta de ganhar dinheiro. Não é possível fazer vista grossa para os problemas sociais existentes, sobre os quais a formação empresarial tem um grande impacto”, acentuou

A taxa de crescimento da formação empresarial nos países do Brics é acompanhada pela alta demanda por educação em administração, o que inevitavelmente levará ao surgimento de novos formatos e centros de treinamento especializado, assegura Iñiguez.

Segundo Iñiguez, os modelos existentes em sua forma atual não são adequados para as economias em desenvolvimento.

Ele explica que para os países do Brics o momento poderá se tornar crítico pelo fato de as economias serem jovens e pela inexperiência da administração.

Iñiguez está seguro de que as economias em desenvolvimento necessitam de um modelo diferente, individualizado para cada país.

"O termo Brics une vários países com uma dinâmica similar de indicadores econômicos.

No entanto, não podemos esquecer que esses países são muito diferentes”, enfatiza o reitor.

Para ele, por exemplo, para a China o mais adequado seria o modelo americano de educação, ajustado, enquanto que para a Rússia serviria o modelo europeu, modificado em alguns aspectos.

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